26/02/2024

Abin fez uso de sistema secreto para monitorar cidadãos por meio do celular

Ferramenta usada pela Agência Brasileira de Inteligência permitia controlar os passos de até 10 mil donos de celular a cada 12 meses.

Por meio de uma ferramenta chamada “First Mile”, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) usou um sistema secreto para monitorar a localização de cidadãos em todo o território nacional durante o governo de Jair Bolsonaro através do celular. As informações foram divulgadas nesta terça-feira (14) pelo jornal O Globo.

A ferramenta permitia, sem qualquer protocolo oficial, controlar os passos de até 10 mil proprietários de telefones a cada 12 meses. O problema é que esse tipo de monitoramento não tem previsão legal, uma vez que a Abin não possui autorização para acessar livremente dados privados da população brasileira.

Para ter esse controle, era necessário apenas digitar o número do telefone do alvo escolhido no programa e seguir o paradeiro do dono do aparelho. O acompanhamento era feito através de um mapa. O sistema usado pela Abin permitia rastrear a localização do cidadão por meio de dados do celular que eram enviados a torres de telecomunicações.

Com o ‘First Mile’, era possível identificar informações de celulares que usavam as redes 2G, 3G e 4G. Por meio desses dados, era possível ver o histórico de deslocamento do cidadão, e até alertas em tempo real da localização da pessoa que estava sendo monitorada.

De acordo com a reportagem, o sistema foi desenvolvido pela Cognyte, uma empresa israelense, e custou R$ 5,7 milhões e foi adquirido sem licitação. A agência usava a ferramenta sem uma justificativa oficial e sem o registro sobre quais pesquisas eram realizadas. Inclusive, há relatos de que era usado contra os próprios agentes da Abin.

Em nota, a Abin confirmou o uso do sistema, mas o contrato de caráter sigiloso, se iniciou em 26 de dezembro de 2018 e foi encerrado em 8 de maio de 2021, e até então não estava mais em uso.

O ex-diretor-geral da Abin Alexandre Ramagem, atual deputado federal pelo PL, disse em uma rede social que a ferramenta foi adquirida antes do governo Bolsonaro e que foi usada dentro da legalidade pelos seus administradores, cumprindo a transparência e a austeridade.

ViaG1
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