21/02/2024

Situação atual da Oi preocupa entidades sindicais

Fitratelp e a Fittel acreditam que o cenário da empresa hoje é uma real ameaça para os trabalhadores, assim como para os clientes e usuários.

A possibilidade da Oi entrar em um novo processo de recuperação judicial tem trazido preocupação para o mercado e para as entidades que representam os trabalhadores do setor de telecomunicações, como Fitratelp e a Fittel. Em nota divulgada nesta sexta-feira (03), as entidades acreditam que a situação da empresa representa uma real ameaça para todos os empregados, inclusive uma eventual interrupção dos serviços prestados para os clientes.

Uma vez que está presente praticamente em todos os municípios, com exceção do estado de São Paulo (seu serviço de telefonia móvel deixou de ser ofertado no mercado paulista, depois que foi vendida), as entidades reforça que a Oi é a maior empresa e extensão territorial de telecomunicações do Brasil, oferecendo serviços para maior parte das organizações públicas e privadas de todos os setores da economia.

Dessa forma, a Fitratelp e a Fittel vários segmentos, como saúde, educação, seguranças públicas e instituições dos três poderes da República, incluindo toda a sociedade, serão prejudicados com um possível falimento da Oi.

“[…]O noticiário especializado mostra de forma estarrecedora os números da Oi e o volume das dívidas e, consequentemente, a instabilidade do valor das ações na Bolsa de valores, gerando um clima de insegurança nos empregados, clientes e na sociedade em geral, diante da eminente falência e evidente demissão em massa. Reafirmamos que a atual recidiva da crise é resultado das sucessivas gestões temerárias que há décadas ocorrem na empresa e que os Sindicatos e a Fitratelp têm denunciado ao longo dos anos”, afirmam as entidades na nota.

Segundo João Moura, presidente da Fitratelp, as estratégias de disputa de mercado usadas pela Oi foram equivocadas, valorizando o indicador de “casas passadas” para atrair investimentos, mas sem atender a demanda existente. Ainda ressalta que houve migração de clientes da empresa que era atendido por fibra, e acabaram indo para outros provedores.

“Desligaram clientes do [par] metálico sem a mínima consideração. Em outras palavras, empurraram clientes para fora da empresa. Um erro em nossa avaliação. E nos últimos anos o roubo de cabos e equipamentos tem sido intenso, baterias, cobre, chumbo e alumínio, blocos de liga de metal, armários de distribuição inteiros têm sido roubados”, alega João Moura.

As entidades alegam que há um erro na estratégia da Oi para enfrentar o mercado e que precisa ser corrigida imediatamente, pois a solução proposta ao longo dos últimos anos não tem produzido resultados esperados, gerando mais custos bilionários. Além de que, a companhia precisa alinhar seus recursos e decisões estratégicas com o interesse do Brasil, dos trabalhadores e da população em geral, ou fracassará.

Com isso, exigem que a Oi apresente uma proposta que seja de fato capaz de superar a ameaça de uma falência e que dê conta de arcar com suas dívidas, além de manter os empregos dos seus trabalhadores. “Por fim, dada a importância da Oi para as telecomunicações brasileiras e a universalização do acesso à Banda Larga via fibra óptica, é necessário que o Governo Federal, através dos seus órgãos reguladores e fiscalizadores, contribua para a solução definitiva deste drama que se arrasta há décadas, sem que haja celeridade e compreensão da importância da Oi para o Brasil“, finalizam na nota.

João Moura finaliza afirmando que a empresa terá o apoio dos trabalhadores na recuperação judicial, mas cobra posturas melhores das tomadas até o momento.

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