03/07/2022

Opinião: As oportunidades comerciais de TV para ISPs

Quem vê a revolução da fibra que está ocorrendo no Brasil hoje, com a explosão de novos provedores de serviço de internet (ISPs) e distribuição geográfica deles, mal consegue lembrar que a TV por assinatura foi um serviço que se desenvolveu pelo país antes mesmo das conexões de banda larga.

Diversos provedores que hoje são empresas com centenas e milhares de assinantes de internet, começaram duas décadas atrás trazendo um serviço que contemplava conteúdo e infraestrutura ao mesmo tempo: a TV por assinatura.

Mesmo que o negócio principal atualmente seja a conexão por internet, a herança deixada pelos fatos descritos no parágrafo anterior faz com que a venda casada de internet e TV seja muito natural para os ISPs. E uma vez que alguns oferecem esse benefício, é inevitável que ocorra um efeito manada, porque ninguém quer ficar atrás da concorrência.

O grande desafio é em qual solução de TV investir. Aplicativos piratas não são uma solução plausível no longo prazo, além dos riscos inerentes de vender algo ilegal. Enquanto isso, o investimento em uma solução SeaC traz a certeza de saída de caixa em uma tecnologia que rapidamente está sendo substituída pelo streaming, muito mais amigável para o cliente, e sem as amarras de equipamentos e localidades.

Assim, a tendência é que o mercado se vire para as soluções de TV via internet, por aplicativo, que possibilitam uma melhor experiência de usuário. Por ser uma solução nova, cuja luz verde só foi dada pela ANATEL e ANCINE em setembro/2020, os produtos existentes no mercado ainda têm muito a evoluir. Mesmo a dinâmica de conseguir captar os conteúdos de cada localidade, exige uma complexidade tecnológica e contratual por parte dos operadores e programadores, muito adaptados às décadas de operação SeaC.

Porém, o cenário é inevitável. Os produtos exigem um baixíssimo investimento, quando necessário. A redução fiscal, substituindo o ICMS pelo ISS (alíquota menor), ajuda os ISPs que estão no lucro real e presumido a financiar a oferta. E mais do que isso, o aumento de fidelidade e de tíquete são fatores de extrema importância para um provedor que vê cada dia mais a competição e os custos fixos aumentarem.

Toda ajuda é bem-vinda, e a venda dos combos internet + streaming veio pra ficar. Se é que ela foi embora algum dia.

Renato Svirsky
Renato Svirsky
Fundador da Guigo TV, a primeira plataforma de vMVPD do Brasil, e agora colunista do site "Minha Operadora". Criar a Guigo TV teve o propósito de democratizar o acesso à TV por Assinatura no país com preços mais baixos e acesso em diversos aparelhos e conexões.* Os artigos escritos pela coluna de Renato Svirsky são de responsabilidade dele, não tendo o Minha Operadora interferência nas ideias explicitadas. Portanto, o texto acima não representa necessariamente a opinião do site.
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