21/05/2022

Cinemas querem reproduzir filmes da Netflix caso streaming monetize suas produções

Plataforma de streaming se recusa a exibir seus filmes nos cinemas.

O presidente e CEO da National Association of Theatre Owners, John Fithian, disse, em entrevista recente, que as operadoras de cinema estão abertas a reproduzir filmes da Netflix caso o streaming queira monetizar seus filmes originais.

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Foto: Reprodução Internet

Seus comentários aconteceram durante o CinemaCon, onde as empresas cinematográficas estão divulgando suas próximas listas para os expositores. A convenção de Las Vegas acontece dias depois que a Netflix disse que havia perdido 200.000 assinantes no primeiro trimestre.

Nesta segunda-feira (26), o recém-instalado chefe da Warner Bros. Discovery, David Zaslav, disse, em uma teleconferência de resultados, que o conglomerado não “gastaria demais” para garantir o crescimento de assinantes de streaming. Em vez disso, as plataformas de streaming integradas do estúdio “complementarão” plataformas de TV e cinema tradicionais e existentes, como filmes e séries de TV da Warner Bros. e HBO.

Questionado sobre os comentários de Zaslav em uma entrevista coletiva, Fithian disse: “Zaslav definiu o que significa ter um filme funcionando nos cinemas. Abre o mercado doméstico.”

Durante anos, a Netflix se recusou a cumprir um lançamento teatral tradicional. “Nós amamos esses caras [Netflix]. [Co-CEO] Ted Sarandos conhece filmes e TV melhor do que ninguém em Hollywood. Nossas portas estão abertas para dar mais amplitude aos filmes da Netflix. Adoraríamos fazer mais filmes deles”, disse Fithian.

No momento, os filmes da Netflix normalmente não são exibidos em grandes redes. Uma exceção é o Cinemark, que mostrou títulos como o filme de ação de Dwayne Johnson, Red Notice.

O presidente da Motion Picture Association, Charles Rivkin, disse que não poderia comentar o assunto, já que suas empresas associadas incluem os estúdios e a Netflix. “Cada empresa tem sua própria estratégia”, disse Fithian.

Durante seu discurso no encontro anual de donos de cinemas, Fithian mirou diretamente nos lançamentos diários dos conglomerados. “Tenho o prazer de anunciar que o lançamento simultâneo está morto como um modelo de negócios sério, e a pirataria é o que o matou”, disse Fithian. “Quando uma cópia original de um filme chega à Internet e se espalha, isso tem um impacto muito prejudicial em nossa indústria.”

Enquanto isso, Rivkin ressaltou como a pirataria é desenfreada para filmes que são lançados simultaneamente em streaming e nos cinemas. Em seu discurso, Rivkin observou que estava “encorajado por nosso progresso nessa luta contínua contra a pirataria, e também estou encorajado pelos aumentos que estamos vendo atualmente nas bilheterias globais. Esses sucessos atuais de bilheteria mostram que os espectadores ainda apreciam a santidade e a embriaguez social do espaço compartilhado.”

Carolina Veneroso
Carolina Veneroso
Jornalista, formada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Atua como repórter, redatora e com produção de conteúdo há 5 anos. Apaixonada por entrevistar e conhecer pessoas e novas histórias.
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