Startup leva aprendizado com direito a prêmios a celulares comuns

Apesar de a adoção de smartphones crescer rapidamente no Brasil, empresas de tecnologia móvel estão descobrindo que ainda há oportunidades a serem exploradas nos celulares simples e sem sistema operacional, os chamados feature phones. Na semana passada, o Facebook revelou que a versão do seu aplicativo para esses aparelhos atingiu 100 milhões de usuários pelo mundo, o equivalente a 13% das pessoas que usam o Facebook em dispositivos móveis.

No Brasil, esse mercado tem sido explorado com sucesso pela startup Qranio. A empresa mineira lançou no fim de 2011 um aplicativo com a proposta de alinhar aprendizado e diversão. O usuário aprende sobre diferentes temas respondendo um quiz de perguntas. A cada acerto ganha moedas virtuais, chamadas de QI$, que podem ser trocadas por prêmios como acessórios e descontos em restaurantes.

Há dois meses, a empresa fechou uma parceria com a Vivo para que as perguntas também pudessem ser respondidas por SMS. O resultado do serviço, que custa R$ 2,99 por semana, surpreendeu. Com as mensagens de texto, o número de perguntas respondidas triplicou. Por hora, 3 mil questões são resolvidas por SMS e apenas 700 pelo aplicativo. Desde então, ao menos 250 novos usuários entram na base de clientes diariamente.

“Vamos expandir o serviço para outras operadoras”, diz Samir Iásbeck, fundador da startup. Antes disso, a receita da empresa era obtida apenas pelo serviço de assinatura premium, pelo qual o usuário acumula o dobro de moedas por pergunta respondida, e pelo desenvolvimento de jogos de perguntas customizados para empresas.

Iásbeck foi um aluno disperso e pouco interessado na escola. O ensino tradicional, considerado por ele arcaico, o inspirou a criar a Qranio. “Por que brincar não pode ser uma forma de aprender?”, diz.

Neste ano, a startup entrou no programa da aceleradora Wayra, da Telefônica|Vivo, após uma tentativa frustrada em 2012, quando a empresa não foi selecionada para a primeira turma do programa de aceleração. Iásbeck encarou a derrota como um desafio pessoal e continuou determinado a entrar no programa no ano seguinte. “Investi o dinheiro que eu tinha e contratei 12 pessoas para levar um produto mais maduro e mostrar o que eles estavam perdendo.”

Em abril, durante a Campus Party, a Qranio venceu outras 200 startups em um concurso para conquistar uma vaga na aceleradora, que investiu R$ 100 mil no negócio. Hoje a empresa tem escritório em São Paulo, mas mantém sua equipe de desenvolvimento em Juiz de Fora, em Minas Gerais.

Há quase dois anos no mercado, a Qranio acumula 250 mil usuários e 10 milhões de perguntas respondidas. A empresa negocia com uma operadora de celular do México para exportar o serviço de perguntas via SMS, o aplicativo é usado por pessoas de 71 países. A Qranio também quer uma nova rodada de investimento de R$ 1,5 milhão para expandir sua operação. Até 2017, a meta é ter presença global e avançar nas áreas de conhecimento em que atua hoje, além de adicionar novos temas ao seu banco de perguntas. “Minha meta é que no futuro alguém possa se formar em Medicina pela Qranio. Para chegar lá, será um processo complexo”, diz Iásbeck.
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