Alvo de bloqueio da Anatel, celular pirata faz sucesso no centro de São Paulo

Mesmo em um dia útil comum, é difícil andar pela Rua Santa Ifigênia, localizada no centro da cidade de São Paulo, sem esbarrar em outros pedestres ou dividir a lateral da rua com os carros. A principal rua da cidade para o comércio de eletrônicos fica lotada de consumidores em busca de peças para computadores, aparelhos de som automotivos, roteadores e celulares. Estes últimos são destaque nas vitrines dos pequenos estandes espalhados pelos corredores estreitos de shoppings improvisados ao longo da Santa Ifigênia e ruas próximas.

Na maior parte das lojas visitadas pelos consumidores, os celulares com suporte a dois chips e os smartphones populares, principalmente das fabricantes LG, Samsung e Sony, são os mais vistos. Os aparelhos são vendidos em versões originais e piratas, sempre com preços mais baixos do que os encontrados em lojas de varejo ou de comércio eletrônico. Os celulares piratas devem ser os principais prejudicados pelo bloqueio de celulares não-homologados , que entrará em vigor em janeiro de 2014.

Na Rua Santa Ifigênia, a popularidade dos smartphones da linha Galaxy S, fabricada pela Samsung, acompanha o sucesso da linha entre os consumidores. Dois anos e meio após o lançamento do primeiro produto, em maio de 2010, a fabricante coreana alcançou a marca de 100 milhões de celulares Galaxy S vendidos. Os celulares da Samsung são encontrados na maioria dos estandes visitados, diferentemente dos aparelhos de outros fabricantes.

O Galaxy S III, versão mais moderna do smartphone da Samsung atualmente no mercado (uma nova versão do produto, o Galaxy S4, chega às lojas em abril), custa R$ 1.450 (em média) nos estandes do centro comercial no modelo que, segundo os vendedores, é original. “Oferecemos garantia de um ano e nota fiscal do produto”, disse um vendedor, que afirmou desconhecer a origem das mercadorias vendidas no estande. Em lojas do varejo tradicional, o Galaxy S III custa, em média, R$ 1.900.

Em outros estandes, os “clones” de celulares da Samsung são ainda mais baratos. O mesmo Galaxy S III, por exemplo, tem versões piratas vendidas a R$ 300. Outro aparelho popular da Samsung, o Galaxy S na versão com dois chips custa R$ 650, embora seu preço sugerido seja superior a R$ 1 mil. “Este é o aparelho que mais vende, chegamos a vender três ou quatro todo dia”, disse uma vendedora, que não quis se identificar.

A maior parte dos smartphones à venda na Santa Ifigênia roda sistema operacional Android, que os vendedores se apressam em revelar para convencer o consumidor. Apenas um modelo do Ativ S, fabricado pela Samsung com o sistema Windows Phone, foi encontrado em um estande, mas rodava um sistema operacional mais simples baseado em Java. O aparelho é vendido por R$ 300.

Entre os celulares de outras marcas oferecidas na famosa rua está o Xperia Play, da Sony, que tem versões genéricas vendidas a R$ 650. Os smartphones da linha Optimus L , da LG, são encontrados em modelos originais com dois chips a R$ 350 (L3 II), R$ 550 (L5 II) e R$ 600 (L7 II). Em lojas de grandes varejistas, os modelos da linha Optimus L são vendidos a R$ 550 (L3 II), R$ 850 (L5 II) e R$ 1 mil (L7 II), também na versão com dois chips.

As réplicas de celulares populares são baratas, mas a garantia é quase sempre de apenas um mês. Isso pode deixar o consumidor no prejuízo se algum defeito ocorrer, em virtude dos componentes de baixa qualidade quase sempre usados na fabricação desses aparelhos. Os produtos não possuem selo da Anatel, que atesta que os celulares passaram por testes de certificação em laboratórios credenciados pela agência.

Algumas lojas, quando consultadas, afirmam que o consumidor pode levar o celular com defeito ao mesmo estande, onde os próprios vendedores fazem o reparo na hora. “Não há garantia, nem assistência técnica. Neste caso, o consumidor tem de resolver o problema na loja em que comprou”, diz Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da associação de consumidores Proteste.

O número de lojas com CNPJ ativo na região da Rua Santa Ifigênia fica entre 2,5 mil e 3 mil, segundo estimativa. “É impossível precisar por conta da quantidade de boxes localizados dentro de shoppings ou andares de prédios na região”, disse uma das fontes. A própria Associação dos Comerciantes do bairro da Santa Ifigênia (ACSI) não informa a quantidade de empresas que atuam na região, nem mesmo o número de associados. “Não temos uma organização ‘quadrada’. Não divulgamos o número de empresas associadas, porque este número não representa a nossa realidade”, diz Paulo Garcia, presidente da ACSI.

Os lojistas da região, segundo Garcia, trabalham sob constante fiscalização, por conta do comércio de eletrônicos importados, muitas vezes ilegalmente. A ACSI estima que cerca de 80% dos lojistas da região é formada de pequenos importadores. “A questão do produto pirata não acomete somente a Santa Ifigênia. Além disso, muitas lojas da região oferecem produtos de segunda linha importados legalmente, mas que são confundidos com piratas”, diz Garcia.

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