Smartphones superam tablets e são os maiores ‘devoradores’ de dados

Apesar da onda de tablets que domina o mercado, os usuários de smartphones, pela primeira vez, ultrapassaram os usuários desses dispositivos no consumo de dados móveis, revela estudo global realizado pela empresa Arieso. O levantamento constata que os usuários de smartphones estão consumindo, consistentemente, mais dados móveis do que os usuários de tablets. Dos 10 aparelhos mais vorazes (excluindo os modems USB), 6 eram smartphones, 3 tablets e 1 ‘phablet’ (combinação de smartphone e tablet). Os usuários de tablets ficaram em 4°, 8°e 9° lugares.

“Isto é muito pouco intuitivo, mas parece que os recursos dos novos smartphones (não os tablets) estão liberando uma demanda do usuário ainda maior. Se nos afastamos de estatísticas de consumo bruto, a descoberta mais notável é o modo como as pessoas usam smartphones e tablets”, pondera Michael Flanagan, autor do estudo e CTO da Arieso. “Independente do tipo de aparelho e sistema operacional, há pouquíssima variação na ‘assinatura’ do uso entre usuários de smartphones e de tablets. Com isso, verificamos que os ‘phablets’ capazes de efetuar chamadas (como o Galaxy Note II da Samsung) estão sendo usados atualmente como smartphones, não tablets. Se você pode usá-lo para realizar uma chamada telefônica, o “phablet’ não se parecerá mesmo com um tablet”.

Dos 125 aparelhos avaliados, os usuários do modelo mais recente de iPhone provaram ser os consumidores de dados mais vorazes. Mas, pela primeira vez em três anos, esse domínio está sendo desafiado. O levantamento mostra que os usuários de iPhone 5 consomem 4 vezes mais dados do que os do iPhone 3G e 50% mais que usuários de iPhone 4S (o de maior demanda no estudo de 2012). 

Mas os usuários do Samsung Galaxy S III geram (para enviar arquivos, em vez de baixar fotos, vídeos, etc.) quase 4 vezes a quantidade de dados em relação aos usuários de iPhone 3G, ultrapassando os usuários de iPhone 5, que estão em terceiro lugar no uso de uplink de dados, atrás do Samsung Galaxy Note II (em segundo). E no mercado em rápido crescimento do tablet, usuários de Samsung Tab 2 10.1 afirmaram seu domínio, consumindo 20% mais dados que usuários de iPad.

Um dado relevante do estudo é a migração do modem de banda larga do 3G para o 4G. No ano passado, a pesquisa mostrou que 1% dos usuários era responsável pelo consumo de 50% dos dados de downlink em redes 3G/UMTS. Neste ano, o 1% mais faminto consome 40%, na medida em que a tecnologia 4G começa a ganhar novos assinantes, numa prova que a migração do 3G para o 4G acontece. Mas ainda assim o percentual de consumo está concentrado demais na mão de poucos.

“A região que estudamos neste ano lançou a tecnologia 4G recentemente e já estamos observando usuários intensos (especialmente aqueles com modem USB) começando a migrar para 4G”, afirmou Flanagan. “Sob muitos aspectos, isso é uma boa notícia: redes 4G estão cumprindo sua missão. Entretanto, os níveis de consumo e padrões de uso de 4G são muito diferentes do que as operadoras poderiam esperar do 3G. É uma situação complexa, fluida e de risco crescente para as operadoras lidarem. Ter soluções de engenharia de desempenho que possam revelar a experiência do consumidor, por meio de múltiplas tecnologias, será essencial para entender a evolução”, adverte o especialista.

A pesquisa mostra ainda que o aumento do consumo de dados é um perigo para as teles, que não podem relaxar e desviar a atenção do planejamento, otimização e desempenho de redes. “Há 3 anos, temos observado como a adoção de melhores tecnologias levam a um maior consumo de dados pelos usuários. Com base em nossa experiência de ajudar as operadoras, em todo o mundo, a preparar suas redes para a evolução da demanda de dados, supomos que o 4G sozinho não ‘resolverá’ o problema de dados, irá exacerbá-lo”, alerta Flanagan.

O levantamento mostra ainda que as teles da América Latina experimentam uma ‘verdadeira tempestade’. Inúmeros relatórios preveem taxas de crescimento substanciais para o consumo de dados móveis na América Latina, mas a maioria das redes foi projetada e otimizada somente para voz. As características dos dados móveis indicam que qualquer aumento substancial no uso irá reduzir drasticamente a cobertura e qualidade dos serviços de redes otimizadas em voz.

“Onde quer que estejam localizadas, as operadoras têm de lidar com desafios semelhantes criados pelo uso extremo de dados”, concluiu Flanagan. “A cada ano, a situação torna-se mais difícil e mais complicada. Mas é importante lembrar dois pontos relevantes. Primeiro, que esses desafios resultam somente do sucesso de nossa indústria em criar dispositivos, serviços e redes que bilhões de pessoas desejam usar a todo momento, todo dia. Segundo, que esses quebra-cabeças são resolvidos à medida que as necessidades dos assinantes sejam atendidas, onde eles demandarem por serviços de rede”, completou.

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