Operadoras vão focar em clientes mais rentáveis

As operadoras de telefonia móvel devem abrir mão da rápida expansão da base de usuários para concentrar os esforços em clientes mais rentáveis em 2013. A desaceleração do ritmo de crescimento do setor e as preocupações com a qualidade dos serviços devem levar as teles a priorizar a retenção de clientes, tentando agregar serviços que gerem maiores receitas, segundo especialistas do setor de telecomunicações.

“O mercado de telefonia passa por um momento de maturidade na penetração de linhas de celulares, o que limita o crescimento da base de clientes”, avalia o sócio diretor da área de consultoria de negócios em telecomunicações da KPMG, Diogo Eloi de Souza. A estratégia das empresas, de agora em diante, segundo ele, será acrescentar clientes que tragam maior valor à base, seja pela migração de usuários pré-pago para pós-pago ou pelo acréscimo de serviços de internet móvel de 3G.

Em novembro, segundo dados da Anatel, o País atingiu 260 milhões de linhas móveis ativas em uso, frente a uma população estimada pelo IBGE em cerca de 197 milhões. Dessa forma, o Brasil já conta com uma teledensidade de 131 linhas para cada 100 habitantes. No Distrito Federal essa teledensidade é ainda maior, de 218,9, o que representa mais de duas linhas para cada habitante. No Estado de São Paulo, essa proporção chega a uma linha e meia para cada habitante.

A alta penetração de celulares reflete a estratégia das operadoras de telefonia dos últimos anos, que priorizou a rápida expansão da base de clientes. No entanto, esse crescimento não foi acompanhado dos investimentos necessários para atender o aumento do tráfego de voz e serviços de dados. Isso acabou resultando na perda da qualidade dos serviços, levando o órgão regulador do setor (Anatel) a suspender a venda de novos chips de TIM, Claro e Oi, durante 11 dias no final de julho.

“Desde a suspensão as empresas estão mais cautelosas no aumento da base a qualquer custo. Agora o foco será oferecer um serviço de melhor qualidade e, se possível, com um receita média por usuário maior”, diz a analista de telecomunicações da Tendências Consultoria Camila Saito.

De janeiro a novembro, o número de linhas ativas subiu 10,1%. Em 2012, o dado fechado deve ser uma taxa de menos de 10%, segundo a consultoria Teleco. Como comparação, em 2011 frente a 2010 a alta havia sido de 19,4%.

A projeção da Tendências é de que o setor cresça 11,4% em 2013. Segundo Camila, o crescimento será impulsionado pelos chips de terceira geração (3G) e os “máquina a máquina” (M2M, em inglês, machine to machine), que são usados, por exemplo, em terminais de pagamento de cartão de crédito ou débito por lojistas. O governo já anunciou que pretende desonerar as aplicações M2M, o que reduzirá os custos de seu uso a uma fração de 20% do valor pago atualmente pelas empresas.

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