TV a cabo começa a reagir para tentar roubar a liderança do satélite

Motivadas por uma mudança na regulação, empresas de TV a cabo apostam na expansão da operação para aproveitar o boom do setor de TV por assinatura no Brasil, puxado pelo avanço da cobertura por satélite no país.

A Net anunciou nessa semana a expansão em quase 50% do número de cidades atendidas por seus serviços: de 100 para 144 a partir de 2013. “Pretendemos, dentro de poucos anos, atender a 100 milhões de pessoas”, afirmou José Félix, presidente da Net, que cobra hoje 30 milhões de usuários.
A Oi, que já atuava no setor via satélite, também anunciou seu serviço cabeado de TV por assinatura, via fibra ótica (IPTV).
Recentemente, a Vivo também lançou seu serviço de IPTV em São Paulo e deve levá-lo ao interior em 2013.
A reação do cabo acontece no momento em que a TV paga no Brasil vive um boom.
Dados da Anatel mostram que, desde 2010, a base de clientes cresce 30% ao ano. De janeiro a outubro, 3 milhões de pessoas passaram a assistir à TV por assinatura, volume alcançado em todo 2011.
O crescimento acumulado em 2012 é de 21,5% ante o mesmo período de 2011.

No entanto, o movimento só ocorreu quando a TV por satélite deslanchou. Cresceu, em média, 58% e assumiu a liderança do setor em 2011 pela primeira vez. Hoje, atende 60% das casas com TV paga. Já aumentou em 44,7% a base de domicílios no ano, enquanto a TV a cabo se expandiu em 13,2%.
“Eu acredito que no ano que vem a gente verá a retomada do crescimento da TV a cabo, a exemplo do que está ocorrendo com a TV via satélite”, afirma Eduardo Tude, presidente da consultoria de telecomunicações Teleco.
O avanço da TV por satélite orbitou em torno da entrada de novos consumidores no mercado, oriundos do aumento da classe C, e do fato de poder oferecer serviços sem precisar expandir a infraestrutura física, como a TV a cabo, que tinha regras restritivas à ampliação.
O cenário começa a mudar. Em vigor desde o começo do ano, a nova configuração do SeAC (Serviço de Acesso Condicionado) começa agora a surtir efeito.
A regulamentação destravou a expansão das empresas para outras cidades –antes concedidas pelos municípios, as autorizações agora são expedidas pela Anatel. Além disso, permitiu que teles de grupos estrangeiros entrassem nesse mercado.
Para Tude, a reação das empresas de cabo é benéfica para o consumidor. Como a oferta do serviço depende da implantação de fibra ótica, também pode ser oferecida internet de alta velocidade às casas. Com a maior oferta, os preços tendem a cair ainda mais, com a combinação entre os serviços (TV paga, internet e telefone).
“À medida que a TV a cabo aumentar sua cobertura e oferecer isso associado à banda larga, vai pegar um pedaço em que hoje a televisão por satélite está se expandindo”, afirma.

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