Teles pretendem deixar a disputa na nuvem mais aquecida

Com DNA puramente em telecom, as operadoras não querem ficar para trás e preparam-se para entrar nessa seara. Na avaliação de consultores, elas podem incomodar porque dominam a conectividade e detêm muita experiência em cobrança por uso. 

A Oi investiu R$ 30 milhões para ingressar em cloud e possui data centers para oferta de IaaS em São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Brasília. Outra movimentação foi o reforço na estrutura de vendas, que passou a contar com profissionais focados no setor.

O Oi Smart Cloud é voltado para o corporativo, oferecendo infraestrutura para processamento e armazenamento de informações. O público-alvo são 15 mil empresas de grande porte, que fazem parte da base de clientes da operadora. Estão ainda na mira as pequenas e médias empresas.

Também está no pacote de IaaS um portal, que funciona como loja virtual para contratar o modelo de nuvem. Além de aumentar ou liberar recursos dos servidores, os usuários podem ser avisados da necessidade de provisionamento de mais recursos evitando queda indesejada e paralisação dos negócios. 

“Os institutos de pesquisa apontam as grandes operadoras do mundo como possíveis líderes desse setor, porque escalabilidade e flexibilidade da rede precisam acompanhar TI e estão em nosso sangue”, afirma Alexandre Calixto, gerente de Data Center da Oi. O executivo completa que a operadora está cada vez mais investindo em melhorias em telecom para garantir constante estabilidade da rede. “Fomos a primeira tele a apresentar uma plataforma de nuvem ao mercado”, destaca.

Ele diz que como os data centers da empresa estão todos no Brasil, é possível atrair bancos, que geralmente têm restrições legais não podendo enviar dados para fora do País. O executivo não revelou o número de clientes em IaaS, mas disse que mais de 120 testes foram feitos e vários deles tornaram-se contratos. “É muito difícil para uma organização querer cloud e não experimentar. Esse é um passo importante”, indica Calixto.

O IaaS da Oi também é voltado para qualquer tamanho de empresa. “Porém, acredito que o grande filão de IaaS vai para as médias e grandes empresas porque é necessário mínimo conhecimento para operar o servidor na cloud. Empresas menores optam por solução de software”, opina.

A Vivo também está na disputa com o Vivo Cloud Plus. 

A companhia afirma que não só busca fortalecer a oferta de cloud, como também de telecom, incluindo a infraestrutura móvel, que com a febre da mobilidade e 4G prestes a ganhar fôlego, será mais usada para acesso aos dados. 

A organização adquiriu, por 1,05 bilhão de reais, o lote 4G mais disputado do leilão de 2,5 GHz promovido pela Anatel, com abrangência para todo o País e que funcionará na radiofrequência de 20 + 20 MHz na faixa de 2,5 GHz. A licença inclui também a faixa de 450 MHz para uso em áreas rurais do Estado de Minas Gerais, interior do Estado de São Paulo e região Nordeste, com exceção de Bahia e Maranhão.

“Acreditamos que atingimos nossos objetivos, pois poderemos continuar oferecendo as mais modernas e eficientes soluções de serviços de telecomunicações, especialmente de dados, em todo o Brasil”, observa Paulo Scrideli, diretor de Pré-vendas e Parcerias, e responsável pela vertical de TI do Segmento Corporativo da Telefônica|Vivo.

Scrideli indica que IaaS foi uma evolução natural para a tele, que conta com dois data centers, um em Tamboré (SP) e outro, recém-inaugurado, em Santana do Parnaíba (SP). Inicialmente, esse último atenderá à infraestruturaa de TI interna das operações fixa e móvel, consolidando o processo de integração das duas companhias, após a fusão. Em um segundo momento, suportará IaaS para o público externo. 

Há ainda data centers na Argentina, Chile, Colômbia e Peru para apoiar a operação. Segundo o executivo, existe a intenção de abrir outro centro de dados em 2015 em solo nacional.

Para o executivo, o diferencial da Telefônica|Vivo em IaaS é o fato de ser uma operadora e poder contar com estrutura robusta de telecom e conectividade, vital para a cloud. “Nesse modelo, além de ter um processamento adequado, é preciso garantir acesso remoto de qualidade. Atuamos fim a fim”, destaca. “Também temos a oportunidade de realizar vendas casadas, o que amplia nosso potencial.”

Ainda de acordo com ele, o preço dos links de comunicação têm caído, favorecendo a modalidade. Nos últimos cinco anos, ele estima que houve redução de cerca de 15% ao ano no valor. “Isso está viabilizando o crescimento da computação em nuvem e de IaaS”, observa. 

Com os bons ventos soprando em favor de IaaS, Scrideli espera que um terço dos novos contratos da área de TI da operadora esteja relacionado à modalidade. “Sempre evoluímos o modelo na Vivo para permitir que empresas reduzam tempo de provisionamento e eliminem a ociosidade de capacidade não utilizada”, diz. 

Scrideli não esquece, no entanto, de alguns desafios a serem superados. Para ele, hoje, do ponto de vista tecnológico, a oferta está bastante madura desde as pequenas até as grandes empresas, mas a curva de adoção ainda não é uniforme.

A TIM também está oferecendo serviços de IaaS desde março deste ano, com estratégia silenciosa. Diferentemente das outras teles, o braço corporativo da operadora do grupo italiano optou, num primeiro momento, por lançar-se na nuvem com a ajuda de dois parceiros de data centers: Dualtec e Ativas.

Marcos Senna, gerente-executivo de Novos Negócios da TIM, explica, no entanto, que a operadora está revisando seu posicionamento para saber se continuará prestando serviços na nuvem com data center de terceiros ou se terá infraestrutura própria.

Em setembro, também foi a vez da Embratel, controlada pelo grupo mexicano América Móvil, aterrissar na nuvem. A oferta foi apresentada ao mercado durante a inauguração do seu moderno data center, localizado na cidade de São Paulo. O centro é dedicado inteiramente à oferta de serviços a clientes corporativos (públicos e privados).

O empreendimento recebeu investimento de 100 milhões de reais e foi erguido para funcionar conectado com a plataforma de cloud computing da companhia já em operação em outros três países: Colômbia, Argentina e México. Na ocasião, José Formoso, presidente da Embratel, informou que o público-alvo são as pequenas e médias empresas. O novo data center ocupa área total de 7 mil metros quadrados e tem capacidade para 150 mil servidores virtuais.

Para quem está em busca de uma infraestrutura flexível, elástica e a custos competitivos, o cardápio de IaaS está cada vez mais vasto, o que deverá levar ao rápido amadurecimento desse mercado, de acordo com a avaliação de analistas de TI e Telecom. Basta, então, escolher a opção desejada e desfrutá-la.

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