Quem ganha e quem perde com o 4G brasileiro

Na primeira rodada das licitações para a aquisição de infraestrutura para as redes de quarta geração, na tecnologia LTE, Nokia Simens Networks (NSN) e Huawei foram as grandes perdedores. Ambas ficaram fora da rede de acesso da Oi. A Ericsson consolidou a liderança, com a maior fatia de contratos de rede de acesso e maior participação nos equipamentos centrais da rede (core), e a Alcatel-Lucent conseguiu retornar ao mercado, depois de ficar fora do mercado brasileiro na 3G.

Mas analistas alertam que alterações no tabuleiro do xadrez dos fornecedores não são definitivas, até porque as ondas tecnológicas permitem retomar posições, como ocorreu agora com a Alcatel-Lucent. Os próprios vendors insistem em que não se pode dizer que a Samsung, que não levou nenhum contrato de infraestrutura de 4G seja carta definitivamente fora do jogo. Pela qualidade de seus produtos, investimentos em tecnologia e invejável saúde financeira (realidade muito diferente da enfrentadas pelos fornecedores europeus), ela é um concorrente que não deve ser desprezado.
Até porque, no levantamento feito pela ABI Research sobre o desempenho do mercado de infraestrutura de redes móveis no terceiro semestre, a Samsung, ao lado da NSN, foram as únicas que apresentaram crescimento de receita, graças às vendas de redes LTE. Quinta colocada no ranking dos fornecedores de infraestrutura, com apenas 5% do mercado mundial, a Samsung tem melhor desempenho no segmentos das redes de 4G, com 15% de market share.

Os ventos não estão favoráveis à Huawei, mas ela continua na liderança do mercado mundial de infraestrutura de redes móveis, com 24,3% de cota de mercado. No último trimestre, viu sua receita encolher 15% no mercado mundial de redes móveis. De maneira geral, o mercado está menos comprador, muito em função da difícil situação na Europa. As redes LTE avançam mais rápido nos Estados Unidos, na Ásia e, agora, começam a ser implementadas na América Latina. Mas a previsão da ABI Research é de que as receitas com a venda de redes móveis em 2012, considerando as diferentes tecnologias, caiam 10% em relação ao ano passado.

Fontes da Huawei preferem não comentar a saída da empresa na 4G da Oi, apostando que vão manter, na Vivo, a mesma posição que têm na 3G. Os tropeços da Huawei são creditados pelo mercado ao fato de ter sido mais dura nas negociações e de ter tido dificuldade em atender a um cronograma de entrega de rede 3G na operadora. Mas se a Huawei abandonou a política de preços baixos, seu lugar, nessa rodada, foi ocupado pela Alcatel-Lucent, muito agressiva nas negociações.

Mesmo com a perda de terreno na Oi, a Huawei se coloca em segundo lugar na participação do mercado de equipamentos de acesso para as redes 4G/LTE, perdendo posição apenas para a Ericsson, que lidera em participação em todas as operadoras no mercado brasileiro (globalmente é a segunda no ranking). Na licitação de 4G, a Ericsson reforçou sua posição no segmento de rede de acesso ao tomar o lugar da NSN na Oi. Hoje, a NSN, em rede de acesso na 4G, tem apenas 5% de participação na Claro (atenderá ao Norte, região onde já está presente na 3G) e 28% na TIM, que manteve os mesmos fornecedores e a mesma divisão da 3G.

Mas para compensar em parte sua saída da rede de acesso 4G da Oi, a NSN ficou com todo o core da rede. Tem também uma parte do core na Claro (20%), onde divide espaço com a Ericsson. Esta responde por 100% do core da Vivo e da TIM.

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