Para Portugal Telecom, investimentos em novas redes reduz custos operacionais

Desde que se tornou uma das controladoras da Oi, em 2011, a Portugal Telecom (PT) é a referência para a operadora brasileira em termos de tecnologias e diretrizes estratégicas no que diz respeito à evolução dos serviços. E o caminho desenhado pela PT passa pelo desenvolvimento do 4G e pela tecnologia de fibra até a casa dos usuários (FTTH), como mecanismo de viabilizar a oferta de novos serviços. Mas ao contrário da Oi, a PT não questiona a redução de sua rentabilidade por conta desses investimentos. Ao contrário, para a PT, o avanço acelerado para o estado da arte em mobilidade e redes de acesso representa redução de custos. Segundo Zeinal Bava, CEO da Portugal Telecom, a operadora tem conseguido cortar, consistentemente há sete trimestres, seus custos operacionais ao redor de 5% por trimestre. Isso só foi possível, explica ele, por conta do grande investimento em rede, da ordem dos 2,2 bilhões de euros em quatro anos. “Rede de telecomunicações não pode ser vista como uma commodity. Ela é um diferencial para todos os serviços que faremos”, diz ele.

Alguns dados apresentados pela Portugal Telecom em evento realizado esta semana em Lisboa para investidores e analistas mostram o reflexo do forte investimento em infraestrutura do ponto de vista de custos operacionais.

O custo de atendimento para clientes com fibra caiu 20% de 2010 para cá, porque a infraestrutura dá menos problema. O custo de billing do mesmo assinante caiu cerca de 34,4%, pela simplificação dos serviços, que agora ficam em uma plataforma única de CRM.

O custo de operação de um cliente com fibra é 20,3%, e o custo de instalar um usuário com serviços triple play caiu de 2010 para cá 16,1% (isso em termos de custo de equipamentos e equipes de campo), justamente pela otimização dos processos.

A utilização de tecnologia de RF overlay para a distribuição dos sinais de TV em definição padrão (SD) na casa dos usuários de TV por assinatura permitiu diminuir em 60% o custo do set-top. Ao mesmo tempo, na oferta de banda larga por rede de fibra, o custo operacional por bit é 8,7 vezes menor do que o custo operacional de um cliente com xDSL, sobretudo pela economia de energia, já que redes de fibra gastam impressionantes 81% a menos do que redes de par de cobre.

No 4G – LTE, no caso das redes wireless, esse custo de operação por bit trafegado tem se mostrado 10 vezes menor em relação ao 3G.

Para Zeinal Bava, outro ganho adicional do investimento em novas infraestruturas de rede é a significativa redução de churn. “Hoje nosso índice de desligamento nas redes de fibra é tal que podemos ter previsibilidade de que o usuário vai ficar 9 ou 10 anos conectado em média, pagando 45 a 55 euros por mês”, explica.

Mas os resultados da Portugal Telecom vieram com algumas importantes ajudas regulatórias. Do ponto de vista das redes móveis, a principal delas é a possibilidade de uso das frequências de 800 MHz, 1,8 GHz, e 2,6 GHz, licitadas todas de uma vez (a PT conseguiu 60 MHz de espectro no leilão). As operações de 4G começaram no começo do ano e já cobrem perto de 90% da população portuguesa.

Outra mudança regulatória é a possibilidade de que as antenas sejam instaladas sem grandes burocracias para a liberação da construção dos sites. A regra em Portugal prevê que em um mês os projetos tenham aprovação tácita do município caso não sejam analisados a tempo. A PT ainda tem o hábito de esperar um mês e meio antes de iniciar as obras. Essa regra de aprovação rápida da infraestrutura não vale para locais de relevância histórica e não conta o tempo que os condomínios levam para aprovar os projetos que preveem uso de terraços de prédios, por exemplo.

Ainda do ponto de vista das redes móveis, o mercado português viu uma mudança importante de tributação há cerca de dois anos, quando o imposto local sobre as redes de celular deixou de ser sobre o número de linhas comercializadas e passou a ser sobre o espectro ocupado.

Nas redes fixas, Portugal tem uma característica que ajuda as operadoras: não há postes nem dutos subterrâneos. A fiação é quase sempre estendida pelas fachadas dos edifícios, sobretudo naqueles mais antigos, e isso evita a necessidade de acordos com empresas de energia para a colocação das redes. De outro lado, as redes esticadas ao longo das fachadas fica mais exposta e suscetível a danos.

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