Operadoras de telefonia se preparam para onda de inadimplência de clientes

Confira dicas de como evitar que seu celular entre na lista negra das operadoras.

A explosão do mercado de telefonia móvel nos últimos 10 anos transformou os aparelhos celulares em verdadeiros objetos de desejo dos brasileiros. O país fechou o ano passado com mais de 242 milhões de linhas, 39,3 milhões habilitadas somente em 2011 — em cada grupo de 100 habitantes, existem quase 124 acessos, número que salta para 212 no Distrito Federal. Mas, ao mesmo tempo em que facilitou a comunicação entre as pessoas, o avanço do setor aumentou o risco de descontrole financeiro e de crescimento da inadimplência. As empresas já acenderam o sinal amarelo e estão reforçando seus caixas para cobrir os possíveis calotes.


Maior operadora no país, a Vivo elevou sua provisão para devedores no terceiro trimestre do ano passado (último dado disponível) para R$ 152 milhões, o equivalente a 1,2% da receita bruta total da companhia. No mesmo período, a Tim gastou R$ 61 milhões com a cobertura dos calotes. Especialistas em consumo atribuem a compra de mais de um aparelho pela mesma pessoa ao simbolismo representado pelo celular. Cada vez mais, ter um telefone de última geração e estar conectado permanentemente com os amigos é sinal de melhoria do poder aquisitivo.
O excesso de contas e a complexidade dos planos das operadoras, porém, acabam se transformando em uma armadilha. “O celular é um meio de comunicação rápida. Mas, com tantas promoções, as pessoas que pretendiam economizar com várias linhas acabam se descontrolando”, afirma o educador financeiro Reinaldo Domingos. O susto no fim do mês é resultado da própria natureza do celular, que, por estar sempre à mão, foge facilmente do planejamento do consumidor. “Nem sempre o dono tem à disposição o aparelho no qual determinado serviço é promocional. Aí, acaba gastando mais com funções que não estavam previstas”, detalha.

Dono de quatro linhas, o motoboy Tiago Beloti aderiu ao plano pré-pago depois que acumulou R$ 1 mil em dívidas
O motoboy Tiago Vinicius Beloti tem quatro linhas de celular e transferiu todas para o plano pré-pago, depois que acumulou mais de R$ 1 mil em dívidas. “Não tinha como controlar os gastos. Precisava falar com os companheiros e, quando chegava o fim do mês, a conta vinha muito alta. Agora, não quero mais saber dos pós-pagos”, garante.
O presidente da financeira Cobrart, Luiz Felizardo Barroso, explica que, mais do que trocar a conta pós-paga pela pré-paga, é preciso ter em mente a quantia máxima de renda que pode ser destinada ao serviço. “A maioria se endivida por não ter consciência dos seus gastos”, observa. “O ideal é que o total de despesas com telefone celular fique entre 3% e 5% do orçamento”, afirma Domingos.
Dicas:
Entre as dicas para controlar os gastos com o aparelho, está a simples anotação, por um mês, do valor pago. Domingos ressalta que, na hora de escolher o melhor plano, vale considerar outros serviços, como o acesso à internet. “Hoje, há muitos aparelhos que dispõem dessa facilidade. Se para o consumidor esse canal bastar, então ele pode substituir o sinal de internet em casa pelo plano com telefone e pacote de dados”, pondera.
Outro erro comum, lembram os educadores financeiros, é misturar o telefone pessoal com o utilizado para o trabalho. É o caso do analista contábil Ayde Filho, 45 anos, que sofre para pagar as contas de dois celulares cadastrados em planos pós-pagos. Segundo ele, os gastos ultrapassam, todo mês, 20% do planejado. “Sempre pesa no orçamento e ainda não consegui controlar”, lamenta.
Para os consumidores que usam um único número nas ligações pessoais e profissionais, Reinaldo Domingos acrescenta que o gasto pode subir para até 15% do orçamento doméstico. “É uma situação diferente, na qual esse valor pode ser considerado como custo do negócio. De forma geral, o ideal é que cada um faça um diagnóstico detalhado de suas receitas e despesas, para definir um percentual adequado”, ensina.

A recomendação é seguida à risca pelo autônomo Rafael Fonseca, 33 anos. Ele se organiza para que as contas dos dois celulares não pesem no bolso. Apreciador de tecnologia, o último aparelho adquirido foi um smartphone com acesso rápido aos e-mails e à internet. “Não sou de gastar muito. A conta das duas linhas fica, no máximo, em R$ 180, valor que está de acordo com o que posso pagar”, afirma.
”O ideal é que o total de despesas com telefone celular fique entre 3% e 5% do orçamento”
Reinaldo Domingos, educador financeiro
R$ 152 milhões
Provisão da Vivo para possíveis calotes no terceiro trimestre de 2011.

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