Crescer no Brasil é prioridade para Portugal Telecom

É fácil entender por que os portugueses têm se sentido desanimados
nos últimos tempos. Depois de uma década de crédito farto da União
Europeia para ajudar os países a prosperar, Portugal acabou sem
crescimento econômico significativo e com uma montanha de dívida, que
agora tem que pagar rapidamente. Os economistas dizem que o maior
problema do país foi não se adaptar à globalização e tornar o seu
mercado de trabalho mais competitivo em relação aos demais. O
diretor-presidente da Portugal Telecom, Zeinal Bava, entretanto,
discorda. O resto do mundo, diz ele, não deve ignorar o potencial do
país tão rapidamente.
“Não se trata apenas de custos competitivos, e é uma visão muito
míope pensar em Portugal só como um provedor de mão de obra barata para o
mundo”, diz o executivo de 46 anos.
Citando algumas vantagens do seu país — um sistema educacional forte,
uma população mais preparada que outras para usar a internet, e um
regime regulatório que permite que uma empresa seja criada em meros
cinco dias (Cingapura está na liderança, com três dias) —, ele diz:
“temos o que é necessário para sair da crise mais fortes porque somos
uma sociedade tolerante, com excelência em tecnologia e repleta de
talentos.”

Bava sabe o que é passar por momentos difíceis e sobreviver. Em 2007,
sua empresa conseguiu impedir uma oferta hostil em uma longa batalha
com a Sonaecom, outra empresa portuguesa. Bava, que naquela época era
vice-presidente do conselho da Portugal Telecom, diz que o evento foi um
alerta que fez a empresa perceber que precisava ser mais eficiente,
planejar melhor os gastos e buscar, de forma ambiciosa, aumentar o valor
para o acionista.
“A grande mudança que aconteceu na Portugal Telecom nos últimos
quatro anos foi a confirmação de nossa crença de que a inovação tem que
estar no nosso DNA, que a inovação vai nos distinguir do resto do
mercado”, disse ele. “Inovação para nós não significa apenas produtos e
serviços, é também como administramos a nossa empresa.”
Em 2008, logo depois que a oferta da Sonaecom fracassou, Bava se
tornou diretor-presidente. Assim que assumiu o cargo, ele decidiu que a
Portugal Telecom deveria ser mais que uma operadora de linhas fixas e
oferecer pacotes de serviços — linhas telefônicas, tevê e banda larga de
internet — para os clientes. A Portugal Telecom decidiu investir
pesadamente em cabos de fibra óptica para acelerar a internet. Bava
também estabeleceu uma meta ambiciosa de elevar a fatia da receita
internacional da empresa de 49%, em 2007, para 66%, em 2012, e dobrar a
base de clientes para 100 milhões. Além de Portugal, a Portugal Telecom
tem uma forte presença no Brasil, onde é dona de uma fatia de 25,6% da
Oi. 
A empresa decidiu ingressar no Brasil depois de perder o monopólio
português na década de 1990, com a abertura do mercado doméstico de
telefonia. Além da Oi, a Portugal Telecom tem no Brasil a PT Inovação,
empresa especializada em novas tecnologias, e 44,4% da Contax, a maior
empresa de centros de atendimento a clientes da América do Sul.
Analistas dizem que a determinação e a ambição de Bava são as
principais razões que levaram a PT a prosperar, apesar da crise que fez
Portugal pedir uma ajuda de 78 bilhões de euros aos parceiros europeus e
ao Fundo Monetário Internacional, em abril.
Apesar de enfrentar uma severa recessão doméstica este ano e no
próximo, enquanto o governo implementa um programa de austeridade para
controlar seu déficit orçamentário, a Portugal Telecom divulgou um
aumento de 83% na receita do terceiro trimestre deste ano, para 1,75
bilhão de euros (US$ 2,34 bilhões), superando as expectativas dos
analistas. E, embora seu serviço de linhas fixas permaneça forte, Bava
diz que o serviço de tevê por assinatura distingue a empresa de outras
operadoras de telefonia do país. O serviço, batizado de MEO e lançado em
2008, acaba de alcançar 1 milhão de assinantes e inclui opções como
vídeo, música e jogos sob demanda. A Portugal Telecom também lançou uma
versão móvel do serviço, que oferece canais de tevê e vídeo sob demanda a
computadores, celulares e tablets.
“Acreditamos que, para merecer a atenção dos investidores,
especialmente em um ambiente desafiador em que o risco soberano está
pesando tanto em nosso desempenho, eles precisam ver que estamos
adicionando valor”, disse Bava.
Apesar dos problemas de Portugal, a Portugal Telecom tem conseguido
cobrir suas necessidades de financiamento e manter uma forte liquidez
para levar em frente os investimentos, informou na semana passada a
agência Fitch, quando manteve a nota BBB para empresa, embora a
classificação da dívida soberana de Portugal tenha sido rebaixada para
BB+, abaixo de grau de investimento.
Muito do futuro da Portugal Telecom depende da aposta de Bava no
Brasil. Depois de vender metade da principal operadora de telefonia
móvel do país, a Vivo, para a espanhola Telefónica SA, em 2010, a
Portugal Telecom usou cerca da metade dos 7,5 bilhões de euros que
recebeu para comprar uma participação de 25,6% na maior telefônica do
Brasil, a Oi, em março passado.
O Brasil é o maior mercado da Portugal Telecom em número de clientes e
receita, gerando 60 milhões dos 90 milhões de usuários da empresa e em
torno de 50% da sua receita — o restante vem em grande parte do mercado
doméstico português, com algumas operações na África.
“Para nós, o mercado é este triângulo formado por Portugal, África e
Brasil, ou as 249 milhões de pessoas que falam português”, disse Bava.
“O Brasil nos dá escala, a África nos dá rentabilidade e crescimento e
Portugal nos dá experiência com tecnologia de ponta”, diz ele.
Na realidade, a ambição da Portugal Telecom de chegar aos 100 milhões
de clientes no começo do próximo ano depende fundamentalmente do
Brasil. Se o número de clientes potenciais servir de guia — 200 milhões
de pessoas e 55 milhões de famílias — a Portugal Telecom está sendo
modesta em seus objetivos. E, embora a penetração de celulares já esteja
acima de 100%, a tecnologia de terceira geração ainda é pouco usada.
Dos 230 milhões de cartões de memória para celulares (SIM cards) em uso,
só 10% são 3G, e apenas 40% das famílias brasileiras com internet têm
banda larga. 
“Quando olhamos as tendências no Brasil, temos uma ligação com elas
porque passamos pelas mesmas coisas em Portugal”, diz Bava, ressaltando
que sua experiência — e os laços culturais de Portugal com o Brasil —
colocam a PT e a Oi em posição de vantagem para estabelecer uma posição
de liderança no mercado brasileiro.
É claro, as dificuldades financeiras dentro de casa podem tornar isso
mais difícil. Um dos problemas é que muitas empresas portuguesas estão
lutando para convencer os investidores sobre seu futuro. As ações da PT,
por exemplo, já perderam mais de 38% desde o início do ano.
Para atrair mais investidores, Bava prometeu dividendos estáveis nos próximos três anos.
“Hoje, a incerteza está abrindo caminho para muita volatilidade. O
mercado parece reagir com exagero às más notícias e simplesmente ignorar
qualquer boa notícia. Os investidores exigem clareza e previsibilidade,
para que possam novamente voltar a se focar nos fundamentos de cada
empresa”, diz ele.

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