Usuários de pequenas cidades da Bahia reclamam da ausência do celular

As novas tecnologias trouxeram consigo a expectativa de auxiliar o déficit democrático da sociedade contemporânea. A condição sine qua non para que tal empreitada ocorra, evidentemente é a garantia de acesso aos dispositivos tecnológicos, ou seja a conexão.

Celebra-se, por exemplo, as experiências em ciberativismo desenvolvidas com o suporte de aparelhos celulares. Em Mianmar o uso de celular na cobertura de um grande protesto que exigia mudança na política do país, fora capaz de gerar uma nova dimensão da realidade política e visibilidade pública sobre o local, que encontrou na web uma forma de burlar a censura que o governo estatal impõe a sociedade. Ou o que dizer do kit de jornalismo desenvolvido pela Reuters em parceria com a Nokia para potencializar o jornalismo em mobilidade?

É verdade que número de celulares vendidos cresce constantemente no Brasil. Para cada 100 habitantes existem mais de 124 celulares, totalizando mais de 224 milhões de aparelhos no país. Porém, dados da Anatel sinalizam 6% de cidades do país que ainda não têm acesso à telefonia móvel. A justificativa: a pequena margem de lucro que as empresas de telefonia móvel obteriam com o investimento nessas localidades.
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Para o ingresso na sociedade em rede, alternativas que promovam o acesso à teia e aparelhe os usuários com ferramentas digitais para a produção de conteúdo, é essencial, pois diz respeito a própria evolução da espécie humana, em uma sociedade onde “ser” é “estar” conectado.

O Estado, devido a sua fragilidade como instituição e limitados mecanismos de intervenção na atividade econômica, não oferece “respostas” eficientes a “exclusão digital”. Por outro lado, o mercado baseia-se no lucro, ou seja para investir X é preciso que o público gere Y de lucratividade para empresa, caso contrário “viver sem fronteiras” integra apenas a filosofia da empresa e comerciais publicitários. Simples assim, claro.

Contudo, comovido pelo espirito de festas de final de ano, creio que a movimentação em torno a Terceira Geração (3G) da telefonia móvel trará no pacote mecanismos de universalização do celular em todo o País. Assim como aconteceu com a telefonia fixa, onde a contrapartida das empresas para operar o serviço era expandir a rede para todas as localidades. Funcionou. Torcemos para funcione novamente. Esperança latente, graças a tecnologia.

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