A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Paraná (FICCO/PR) realizou a apreensão de 468 iPhones de procedência estrangeira e prendeu uma mulher na noite de quinta-feira (17), em Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná. A ação teve o apoio do 14º Batalhão da Polícia Militar do Paraná e do Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron). Segundo as forças de segurança, os aparelhos não tinham o devido desembaraço aduaneiro.
A carga foi localizada durante a abordagem a um veículo nas proximidades da BR-277, no bairro Três Lagoas. Dentro do automóvel, os policiais encontraram caixas e sacolas com smartphones da Apple, avaliados em cerca de R$ 2,5 milhões. A condutora foi presa em flagrante por descaminho, crime que consiste em trazer mercadorias ao país sem pagar os tributos devidos.
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IPHONES DOMINAVAM A CARGA
Na conferência feita após a abordagem, as equipes contabilizaram apenas modelos da Apple. Segundo a imprensa local, a maior parte do lote era formada pela linha mais recente da fabricante, mas também havia unidades do tipo swap, termo usado no mercado para aparelhos trocados em garantia ou recondicionados, bastante comuns no comércio informal. Confira como a carga estava dividida.
- 270 iPhones 17 Pro Max
- 94 iPhones 16 Pro Max swap
- 104 iPhones 15 Pro swap

Além dos iPhones, o automóvel usado no transporte também foi apreendido. A mulher foi encaminhada à Delegacia da Polícia Federal em Foz do Iguaçu para os procedimentos de polícia judiciária, enquanto o veículo e as mercadorias seguiram para o pátio da Receita Federal, responsável pelos trâmites aduaneiros e pela destinação da carga apreendida. O descaminho está previsto no artigo 334 do Código Penal, com pena de reclusão de um a quatro anos.
QUEM FORMA A FICCO/PR
A FICCO/PR reúne a Polícia Federal, a Polícia Militar do Paraná, a Polícia Rodoviária Federal e a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen). O modelo de força integrada busca somar estrutura e inteligência de diferentes órgãos no enfrentamento ao crime organizado, com atenção especial à região da tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, onde fica Foz do Iguaçu.
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MERCADO IRREGULAR NA MIRA DA ANATEL
Apreensões como essa ajudam a dimensionar o tamanho do mercado paralelo de celulares no Brasil. Em 2023, o país registrou cerca de 5,5 milhões de aparelhos irregulares, o equivalente a 21% do mercado, com perda estimada de R$ 2 bilhões em arrecadação. Além do prejuízo aos cofres públicos, a Anatel alerta que esses produtos podem representar riscos aos consumidores.
Para frear esse cenário, a Anatel firmou uma parceria com a Receita Federal para barrar celulares irregulares ainda nos portos. Pelo ato nº 18.086, em vigor desde 25 de maio de 2026, a agência passou a usar o Siscomex para cruzar os dados de importação com a base de homologação e interceptar cargas antes do desembaraço aduaneiro, evitando que os produtos cheguem às prateleiras.
O cerco também chegou ao varejo online. Em junho de 2024, a agência publicou medidas contra a venda de celulares não homologados em marketplaces como Amazon, Mercado Livre e Shopee, com multas diárias que podiam chegar a R$ 6 milhões e até a possibilidade de bloqueio dos sites que mantivessem anúncios irregulares. Na época, a Anatel estimava que cerca de um quarto dos smartphones vendidos no país era irregular.
RISCOS PARA QUEM COMPRA
Para o consumidor, comprar um aparelho irregular pode sair caro. Celulares sem homologação não passaram pelos testes exigidos pela Anatel, o que significa ausência de garantia de segurança e de compatibilidade com as redes das operadoras. Além disso, esses equipamentos podem ter o IMEI bloqueado no país. Antes da compra, vale conferir se o modelo possui o selo de certificação da agência.












