Nas últimas semanas, os noticiários de tecnologia no mundo inteiro foram tomados por temores relacionados ao avanço das inteligências artificiais.
Evan Hubinger, um dos pesquisadores da Anthropic, chegou a dizer que há 10% de chances de alguma inteligência artificial dotada de autoaperfeiçoamento levar a humanidade à extinção.
Nesse cenário de “e se?”, ninguém menos que o CEO da própria Anthropic, Dario Amodei, sugeriu que o desenvolvimento de inteligências artificiais de ponta precisa desacelerar. A fala de Amodei foi aprovada por Sam Altman, cofundador da OpenAI, e por Elon Musk.
Porém, a China discorda totalmente dos líderes da IA no ocidente. Nesta segunda-feira (14), Guo Jiakun, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, acusou as big techs dos EUA disseminar “alarmismo” sobre o futuro da automação agêntica.
O “deixa disso” da China
Para o governo chinês, todo esse papo de “parar para avaliar os riscos” não passa de uma bela cortina de fumaça.
Para Guo Jiakun, ficar “espalhando o medo” sobre o futuro da tecnologia só serve para atrapalhar a cooperação internacional e atrasar a criação de regras globais que funcionem de verdade.
Por sua vez, o jornal Global Times foi direto ao ponto e classificou a ideia dos executivos americanos como uma verdadeira “cartilha de Guerra Fria”.
Para Pequim, os EUA estão usando o discurso da segurança apenas como pretexto para criar barreiras tecnológicas, garantir monopólios regulatórios e tentar asfixiar o avanço dos concorrentes asiáticos.
Ou seja, enquanto o Ocidente vende a narrativa de “proteger a humanidade”, a China enxerga uma jogada ensaiada para deixar o país de fora do jogo e manter a hegemonia norte-americana no setor.
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Na verdade, o que Dario Amodei sugeriu e seus pares concordaram foi uma redução na velocidade de desenvolvimento da IA, não uma interrupção definitiva.
O plano é avançar com mais testes, supervisão e transparência. Só que Amodei deixou bem claro: os EUA não podem perder a liderança para a China nesse processo.
Contudo, essa cautela toda tem motivo. O receio real é que o avanço sem freio facilite ataques cibernéticos, ameaças biológicas e uma baita turbulência no mercado de trabalho.
Diante desse impasse, o futuro da IA virou um verdadeiro cabo de guerra geopolítico. E a história não para por aqui: China e EUA devem debater esses riscos ainda este mês, com um esperado encontro entre Donald Trump e Xi Jinping.












