De acordo com a NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA) e a OMM (Organização Meteorológica Mundial), a nova temporada do El Niño começou entre maio e julho e deve ir pelo menos até fevereiro de 2027, o que tem preocupado o setor de telecom brasileiro.
O fenômeno, que sazonalmente aquece as águas do Oceano Pacífico causando aumento nas temperaturas, geralmente provoca instabilidades climáticas que colocam em risco a infraestrutura necessária às telecomunicações.
E para piorar as previsões, os especialistas apontam que dessa vez o que vem por aí é um Super El Niño, fenômeno ainda mais potencialmente perigoso que os últimos.
Infraestrutura de telecomunicações em risco
O setor de telecom já se prepara para o pior. O temor é que eventos climáticos severos provocados pelo El Niño afetem a transmissão de dados e a conectividade em todo o país.
A avaliação de entidades do segmento é clara: os riscos são concretos, mas variam em cada região.
No Sul e no Sudeste, o alerta ligado é para vendavais e tempestades. A queda de árvores costuma derrubar postes compartilhados e destruir redes ópticas e antenas de uma só vez.
Já no Norte e Nordeste, o perigo vem das secas extremas. Elas favorecem queimadas na vegetação à beira de rodovias, queimando cabos de fibra óptica.
Para complicar, há um gargalo no meio do caminho: a dependência do setor elétrico.
Como a maioria dos provedores usa os postes das distribuidoras de energia, os reparos na internet só começam após o local ser liberado.
Na prática, mesmo com equipes e equipamentos prontos, a recomposição do sinal fica travada até que a concessionária troque o poste e elimine o risco de choque.
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Tudo o que pode ser feito para conter danos
Para tentar reduzir os prejuízos, operadoras e provedores apostam em prevenção e tecnologia.
O uso de inteligência artificial, monitoramento meteorológico e análise de dados em tempo real ajuda essas empresas a mapear áreas críticas com antecedência.
Na ponta operacional, as equipes reforçam estoques de cabos, criam escalas de plantão e instalam geradores e baterias independentes. O foco inicial é garantir a conexão em locais essenciais, como hospitais, por exemplo.
Mas o esforço isolado das empresas não resolve tudo. A avaliação do setor, principalmente das provedoras de internet locais e regionais, é que eventos desse porte exigem ação conjunta.
Por esse motivo, entidades da área defendem uma integração real entre operadoras e provedoras, distribuidoras de energia, prefeituras e concessionárias de rodovias. Um bom exemplo é a Conexis, associação que representa TIM, Claro e Vivo.
Quanto mais rápida for a resposta coordenada entre esses agentes, mais cedo o serviço volta ao normal para a população em caso de problemas.












