O Brasil reúne condições para se tornar um dos principais mercados do mundo na oferta de conexão da Starlink diretamente em celulares comuns, sem necessidade de antena externa.
A avaliação é do presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Carlos Baigorri, ao comentar o avanço da internet via satélite no país e os testes voltados à comunicação direta entre satélites e smartphones.
A Starlink já ultrapassou a marca de 1 milhão de acessos autorizados em território nacional, consolidando o Brasil como um dos maiores mercados da empresa.
O crescimento ocorre em paralelo à busca por alternativas de conectividade em áreas onde a infraestrutura terrestre ainda não atende plenamente.
Conexão direta com o smartphone
A tecnologia em discussão no setor é conhecida como direct-to-device (D2D). Na prática, ela permite que o satélite se conecte ao celular do usuário sem a instalação de antenas residenciais, modelo hoje necessário para o funcionamento tradicional da internet via satélite.
A proposta ainda depende de definições técnicas e regulatórias. A comunicação direta exige coordenação de espectro e acordos entre operadoras móveis e empresas de satélite, já que a operação envolve frequências também utilizadas pelas redes terrestres.
Segundo a Anatel, o cenário brasileiro favorece o desenvolvimento dessa solução. A dimensão territorial e a presença de regiões com cobertura limitada tornam o país um campo relevante para testes e expansão do serviço.
Crescimento da internet via satélite no país
Nos últimos anos, a internet via satélite ampliou presença principalmente em áreas rurais, propriedades agrícolas e comunidades afastadas dos grandes centros.
Nesse cenário, a Starlink tem sido uma das empresas com maior ritmo de expansão no segmento. Inclusive, recentemente o Brasil se tornou o segundo maior mercado da empresa em todo o mundo.
O uso da conexão direta ao celular tende a começar por serviços mais simples, como envio de mensagens e chamadas de emergência. A oferta de dados móveis em maior volume dependerá da evolução tecnológica e da adaptação dos aparelhos.
Próximos passos regulatórios
A Anatel acompanha a evolução do tema e discute os ajustes necessários para viabilizar o serviço sem comprometer as redes já existentes. A coordenação do espectro é apontada como etapa central para evitar interferências.
Ainda não há prazo oficial para a disponibilização comercial da conexão D2D em larga escala. No entanto, o volume de acessos já registrados e o interesse das empresas indicam que o Brasil pode assumir papel estratégico na consolidação da Starlink e da internet via satélite voltada à telefonia móvel.












