Reprodução/Gemini

Seu celular vai falar com satélite? AST SpaceMobile fecha acordo no Brasil

Cristino Melo
6 min de leitura

As operadoras regionais Brisanet, Unifique e iez! Telecom assinaram um acordo comercial com a AST SpaceMobile para oferecer conexão via satélite diretamente aos smartphones, modelo conhecido como direct-to-device (D2D), em todo o território brasileiro. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (23), por meio de fato relevante. Pela parceria, as empresas vão disponibilizar as frequências da faixa de 700 MHz das quais são detentoras.

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Segundo o comunicado, as operadoras também ficarão responsáveis por investir na infraestrutura que conecta suas redes móveis aos gateways terrestres da AST. O objetivo é ampliar a cobertura para além das áreas urbanas, levando voz, banda larga e streaming de vídeo a regiões sem antenas, sem que o cliente precise trocar de celular, atualizar o software ou instalar aplicativos.

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COMO O SINAL VIA SATÉLITE VAI FUNCIONAR

A faixa de 700 MHz é associada ao 4G e está presente em praticamente qualquer dispositivo, o que permite a conexão com os satélites sem a compra de um aparelho novo ou de equipamentos especializados. A ressalva é que nem todos os modelos estão necessariamente preparados para operar a partir de um link por satélite. De acordo com as empresas, o serviço deve viabilizar chamadas de voz, tráfego de dados e streaming.

O acordo abre uma nova frente para as operadoras regionais, que têm obrigações de cobertura em cidades com menos de 30 mil habitantes, além de compromissos para conectar estradas e áreas remotas. A conexão via satélite surge como uma forma de complementar as redes de fibra óptica e de telefonia móvel dessas empresas justamente nos locais onde a infraestrutura terrestre não chega.

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Celular conexão satélite plano
Reprodução/Gemini

O QUE DIZEM AS OPERADORAS

Para Fabiano Busnardo, diretor-presidente da Unifique, a tecnologia é a sequência dos investimentos da companhia em conectividade. “Depois da fibra e do 5G, o satélite é o próximo passo natural. A parceria com a AST SpaceMobile complementa nossa rede e leva conectividade a áreas mais abrangentes”, afirmou o executivo no comunicado enviado ao mercado nesta sexta.

José Roberto Nogueira, fundador e CEO da Brisanet, segue a mesma linha e destaca o uso dos aparelhos atuais. “A parceria com a AST SpaceMobile complementa a nossa rede e nos permite levar conectividade para além do alcance da nossa infraestrutura terrestre, oferecendo aos clientes acesso a voz e banda larga móvel em mais lugares, com os smartphones que eles já possuem”, disse.

SANDBOX DA ANATEL E BANDA S

A Anatel estabeleceu a possibilidade de oferta de serviços direct-to-device no modelo de sandbox regulatório, ou seja, sem uma formatação definitiva das regras a serem seguidas, justamente para permitir o desenvolvimento de modelos de negócio. Ainda assim, a transação anunciada nesta sexta depende da obtenção das autorizações e licenças necessárias junto à Anatel e ao Cade.

Além da faixa de 700 MHz das operadoras regionais, a AST também detém uma parcela do espectro de banda S no Brasil, na faixa dos 2 GHz. Nessas frequências, a empresa poderá operar sem a necessidade de parcerias comerciais com operadoras terrestres, o que dá à companhia um caminho próprio no mercado brasileiro, paralelo ao acordo firmado com Brisanet, Unifique e iez! Telecom.

O QUE AINDA NÃO FOI DEFINIDO

Embora o acordo comercial tenha sido assinado, os detalhes definitivos do contrato seguem em negociação entre as empresas. Assinado pelo diretor financeiro e de Relações com Investidores da Unifique, Luiz Bogo Junior, o fato relevante informa que a companhia manterá o mercado atualizado sobre a evolução da transação. Confira os pontos que ainda estão em aberto:

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  • Data de lançamento e cronograma de implantação do serviço
  • Preços, planos e condições de contratação para os consumidores
  • Valores dos investimentos e divisão dos recursos entre as operadoras
  • Quantidade e localização dos gateways terrestres

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CONSTELAÇÃO AINDA EM EXPANSÃO

Outro fator que deve pesar no calendário é o tamanho da constelação. A AST tem hoje 13 satélites em órbita, número que ainda não permite um funcionamento permanente e sem interrupções no Brasil. A expectativa é que, até o final de 2027, a cobertura de satélites seja suficiente para a oferta de serviços contínuos aos clientes das operadoras parceiras.

Em desempenho, a geração atual de satélites permite velocidades de conexão de 100 Mbps, com potencial para chegar a 200 Mbps na próxima geração, patamar equivalente a uma conexão 4G de qualidade. O resultado, porém, depende da quantidade de pessoas conectadas simultaneamente. A AST SpaceMobile já soma mais de 60 parcerias com operadoras de telecomunicações.

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