‘Gato net’ tornou o setor de telecom mais inseguro no Brasil, diz relatório

Os dados foram colhidos pela Bitsight e consolidados pela consultoria JC2SEC.

Goodanderson Gomes
4 min de leitura

Você usa o chamado “gato net” ou conhece alguém que usa? Pois bem, um novo estudo acaba de que “queimar” ainda mais esse tipo de serviço clandestino.

- Publicidade -

De acordo com um levantamento feito pela consultoria em cibersegurança JC2SEC, com base em dados da plataforma Bitsight, as TV boxes pirata estão enfraquecendo a nota geral do setor de telecomunicações brasileiro no quesito segurança.

Para se ter uma ideia, a área ficou na lanterna de uma lista de oito setores da economia, como Saúde, que ficou em primeiro lugar, Tecnologia, Serviços e Energia.

- Publicidade -

Segundo a amostragem, o problema é que, por serem uma burla ao sistema de TVs por assinatura e streamings, as boxes clandestinas deixam redes domésticas vulneráveis a ataques cibernéticos.

A vulnerabilidade das TV boxes pirata

Não é de hoje que especialistas alertam para os riscos de se ter uma TV box pirata em casa. E isso não é “alarmismo comercial”, como alguns acusam.

- Publicidade -

Como mencionamos, esses sistemas utilizam recursos criptográficos que decodificam e quebram travas impostas por geradoras de sinal à cabo e transmissores de streaming, tornando os conteúdos acessíveis através de aplicativos e receptores clandestinos, apelidados de “gato net”.

Antes de seguir, vale mencionar: existem modelos de TV boxes legalizadas, utilizadas por provedoras de TV por assinatura. Porém, muitas pessoas preferem os pirateados por não precisarem pagar por assinatura mensal.

Esse canal é uma porta aberta para cibercriminosos. E pior: como as TV boxes “falsiê” precisam estar conectadas à internet para funcionar, seja fixa ou 4G/5G, a própria rede da provedora ou operadora pode ser afetada.

Segundo a Bitsight, que forneceu essas informações à JC2SEC, 1,65 milhão de infecções em redes de internet domésticas foram identificadas nos últimos meses. Dentre os malwares encontrados estão o RootSTV, que infectou 71% dos IPs analisados, e o Vo1d.

Em linhas gerais, esses programas maliciosos operam silenciosamente capturando informações de tráfego e dados inseridos na rede. Ou seja, senhas, informações financeiras e até históricos de navegação podem ir parar nas mãos de hackers.

- Publicidade -

LEIA TAMBÉM:

Principais riscos e possíveis soluções

Os principais riscos de se possuir uma TV boxe pirata convergem em um só: ter a rede doméstica invadida e dados vazados para grupos de cibercriminosos.

Já a solução é ambígua, passando primeiramente por uma conscientização dos usuários e seguindo para uma fiscalização/combate ao funcionamento desses aparelhos e apps de transmissão.

Sobre isso, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) tem sido firme. Hora desativa “gato nets” de forma técnica, hora promove batidas para desarticular a venda dos aparelhos e aplicativos, punindo os responsáveis.

Contudo, a decisão parece continuar mesmo nas mãos de quem usa esse serviço. Afinal, se o consumidor decidir abandonar a “TV pirata” na ponta, seus fornecedores não terão a quem vender.

Compartilhar este artigo
Se inscrever
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais antigo
Mais recente Mais Votados