O conselho da Warner Bros. Discovery anunciou, nesta terça-feira (25), que vai reavaliar a proposta da Paramount Skydance para a compra do estúdio, mas mantém o acordo com a Netflix como prioridade — uma disputa bilionária que envolve alguns dos ativos mais cobiçados do entretenimento global, incluindo HBO, Harry Potter e Game of Thrones, e que promete remodelar o mercado de streaming no Brasil e no mundo.
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Warner mantém Netflix como prioridade
A decisão ocorre após uma semana de conversas entre representantes das duas empresas. Caso a nova proposta da Paramount seja formalmente aceita como superior, a Netflix terá quatro dias para responder com uma contraproposta — ou abrir mão do negócio.
A Warner já possui um acordo firmado com a Netflix no valor de US$ 82,7 bilhões (cerca de R$ 432,57 bilhões), e o conselho rejeitou por unanimidade a primeira oferta da Paramount, classificando-a como insuficiente.
Apesar dos valores mais altos oferecidos pela Paramount, o co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, demonstrou cautela. Em entrevista à Variety, ele deixou claro que a empresa não pretende entrar em uma guerra de lances a qualquer custo:
“O próximo passo depende de outra pessoa. Temos um contrato assinado com a Warner Bros. Discovery. Se alguém quiser fazer uma oferta melhor, o que, segundo o conselho da Warner Bros. Discovery, ainda não aconteceu, veremos o que acontece mais adiante.”
Sarandos também reforçou o perfil conservador da empresa nas aquisições: “Somos compradores extremamente disciplinados. Estou disposto a desistir e deixar que outra pessoa pague mais caro por certas coisas. Temos um histórico sólido nesse sentido.”
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A nova proposta da Paramount
A oferta revisada da Paramount, enviada na segunda-feira (23) como prazo final da empresa, busca sanar as preocupações anteriores da Warner sobre a segurança do financiamento do negócio. Veja os pontos centrais da nova proposta:
- Valor por ação: cerca de US$ 32, segundo fontes da Variety, superando a proposta inicial de US$ 30 por ação
- Escopo: aquisição de todo o conglomerado Warner Bros. Discovery
- Garantias financeiras: a oferta busca remediar preocupações da Warner quanto à solidez do financiamento
- Aprovações regulatórias: a Paramount afirma já ter obtido aval para investimento estrangeiro na Alemanha e estar em negociações com autoridades antitruste nos EUA, na União Europeia e no Reino Unido
Para efeito de comparação, analistas da MoffettNathanson estimavam que uma oferta na faixa de US$ 34 por ação encerraria a disputa de vez.

O que está em jogo para o streaming
Para o mercado de streaming, a compra da Warner pela Netflix representaria uma transformação histórica. A combinação tornaria a plataforma a maior do mundo, com aproximadamente meio bilhão de assinantes, incorporando um vasto catálogo de filmes, séries e a marca HBO Max — impactando diretamente os pacotes de operadoras e provedores de TV por assinatura no Brasil.
Já uma vitória da Paramount criaria um estúdio maior que a Disney e fundiria duas grandes emissoras de TV abertas nos Estados Unidos, o que levou senadores democratas a alertar que a empresa controlaria “quase tudo o que os americanos assistem na TV”.
Pressão regulatória e resistência do mercado
Independentemente de quem vença a disputa, o caminho regulatório será longo. No caso da Netflix, os principais obstáculos são:
- Investigação do Departamento de Justiça dos EUA sobre possíveis práticas anticoncorrenciais
- Pressão de cineastas e produtores por escrutínio antitruste no Congresso americano
- Preocupações de legisladores bipartidários com impactos para consumidores e trabalhadores do audiovisual
- Necessidade de aprovação de reguladores na Europa, o que pode se prolongar ao longo de 2026
A Paramount, por sua vez, tem argumentado ter um caminho regulatório mais simples que o da Netflix — embora a fusão de duas grandes emissoras também enfrente resistência política significativa.
Votação dos acionistas define o próximo capítulo
Os acionistas da Warner deverão votar sobre o acordo com a Netflix em 20 de março. A decisão será crucial para definir o futuro de um dos estúdios mais icônicos de Hollywood — e para redesenhar o mapa do streaming global, com reflexos diretos nas estratégias das operadoras de telecomunicações que distribuem conteúdo por meio de parcerias com plataformas de vídeo no Brasil.












