24/02/2024

Brisanet defende políticas públicas e subsídios para levar 5G para área rural

‘Nessas áreas é preciso ajuda de políticas públicas, com recursos de longo prazo e subsídios’, afirma o CEO da empresa, José Nogueira.

Além da Claro, a equação financeira também é apontada como um desafio para o 5G, segundo o CEO da Brisanet, José Roberto Nogueira. Entretanto, para ele, a situação é ainda mais complexa em áreas rurais e distritos afastados, que compreende uma população de 50 milhões, ou cerca de 25% dos habitantes do Brasil.

Especialmente nesse caso, o executivo defendeu a implementação de políticas públicas e subsídios para que as operadoras entrantes do 5G possam levar as redes móveis a essas áreas. Até porque, dificilmente serão exploradas por grandes teles. “Nessas áreas é preciso ajuda de políticas públicas, com recursos de longo prazo e subsídios. Não dá para implementar política pública deixando esses 50 milhões de fora“, afirmou.

“Já é um desafio construir rede móvel em cidades com menos de 30 mil habitantes. Quando se fala no mundo rural, o desafio é ainda maior, mas vai ser construído pelas regionais”, ressaltou, em evento promovido pelo site Teletime, em São Paulo.

A Brisanet adquiriu frequências para o Nordeste e o Centro-Oeste, e precisa cumprir os compromissos definidos pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), como ativar a rede móvel em cidades pequenas e nas zonas rurais. Nogueira calcula que cerca de R$ 5 bilhões a 6 bilhões ao ano seriam necessários para financiamento das localidades em todo o território nacional, ou volume bem acima do disponibilizado hoje.

“A gente fala de Fust, mas ele é muito pouco: está próximo de R$ 1 bilhão ao ano e não está destinado todo para áreas rurais”, aponta o CEO, afirmando que custo do investimento na zona rural é “quatro ou cinco vezes maior do que na cidade pequena, com um retorno menor”.

Nogueira traz para a discussão o uso dos recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), mencionado que o valor disponível (R$ 1 bilhão) é baixo e não será totalmente destinado à implantação de infraestruturas nas zonas interioranas.

O executivo ainda apontou outras fontes, como recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que teria cheques disponíveis para este fim. O governo poderia alterar as taxas de empréstimo de longo prazo, e captar dinheiro com o banco de fomento a taxas de mercado e financiar operações de 5G rural com recursos subsidiados (como taxas de 2% ou 3% ao ano). Além disso, salientou que é necessário poder acessar de R$ 5 bilhões a R$ 6 bilhões por ano até 2030 para atender aos compromissos nas áreas rurais.

“Se o governo captasse recursos no BID [Banco Interamericano de Desenvolvimento] e engordasse a conta do Fust, captando a 12% ou 13% ao ano, mas emprestando a 2% ou 3%, teria prejuízo, mas seria recompensado”, avaliou.

Brisanet e o 5G

A Brisanet já lançou seu serviço 5G no Nordeste, mas ainda não está vendendo seus chips em larga escala, uma vez que avalia a ativação da infraestrutura e o gerenciamento da rede. No momento, a empresa já está estruturando sua rede 5G em um modelo de soft launch.

A Brisanet espera encerrar o ano cobrindo 4 milhões de pessoas e a geração de receitas a partir de 2024, após investimentos grandes já mobilizados. Nogueira declarou que a decisão de adquirir a licença da faixa de 2,3 GHz, destinada ao 4G, foi acertada.

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