Nada irá salvar a TV por assinatura

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Em tempos em que o streaming é cada vez mais interessante, a TV paga tradicional virou um produto sem prestígio.

Um dos assuntos mais incômodos para o consumidor brasileiro é a tão polêmica franquia de dados na internet fixa. Por enquanto o assunto está adormecido, mas ainda em 2019, a Anatel promete colocar um ponto final nessa história que se arrasta desde 2016. Será decidido se a franquia será ou não adotada.
 
Você talvez esteja se perguntando por que comecei esse artigo falando sobre a franquia de dados na internet fixa se o título faz menção ao fracasso da TV por assinatura, que se confirma a cada novo relatório. Bom, é porque há relação. Os maiores interessados para que esse “funil” de banda seja adotado são justamente as grandes operadoras, que atuam no mercado de TV por assinatura.

 

Não vou entrar aqui em argumentos conspiratórios, porém é evidente e incontestável que os serviços de streaming mudaram a forma como os consumidores consomem conteúdo, e a adoção da franquia de dados seria uma espécie de carta na manga para desmotivar os consumidores aficionados por plataformas dessa categoria, como a Netflix. 


Nem a infame franquia de dados, caso seja aplicada, irá salvar o engessado modelo de TV por assinatura. Os tempos são outros, a mentalidade do consumidor é outra, e o que se entendia por TV paga ficou no passado.

 
Os números comprovam. De acordo com dados da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) revelados ontem (25), o setor de TV por assinatura fechou março de 2019 com menos 136,5 mil clientes comparado a fevereiro. Em relação a base de assinantes no primeiro trimestre de 2019, a agência reguladora diz que são 17,234 milhões. 

VIU ISSO?

 
Vale recordar que o setor acreditava que a marca de 30 milhões de assinantes seria conquistada em 2017. Isso não aconteceu, e não acontecerá. Hoje a real competição, o que realmente atrai a atenção do consumidor está nas plataformas de streaming. Alguns amigos meus ficam eufóricos quando leem uma manchete de uma nova plataforma que chegará ao mercado, uma disputa baseada no melhor conteúdo.
 
Além do conteúdo exclusivo, as garantias de poder acompanhar o que o catálogo oferece no seu próprio ritmo também é uma característica que o consumidor internalizou. As próprias companhias “tradicionais” também estão na onda das plataformas de streaming, que deixou de ser uma tendência, já é uma necessidade para o consumidor, cada vez mais ávido por variedade de conteúdo e flexibilidade no consumo.
 
O tombo do modelo tradicional de TV paga é tão absurdo, que a impressão que fica é que esse serviço que algum dia era visto como um produto de luxo, passou a ser uma velharia, em desarmonia com o mundo. Uma espécie de funcionário que não se reciclou na mesma velocidade que o mercado exigiu.
 
Em 2018 o mercado de TV por assinatura perdeu impressionantes 767,97 mil assinantes. Em 2017 foi ainda mais terrível: 938,7 mil. Tanto em 2017 quanto em 2018 a única operadora que merece elogios nesse mercado, que respira por aparelhos, é a Oi, que ganhou 205,2 mil clientes em 2017 e 61,78 mil clientes no ano passado. 
 
A missão das operadoras de TV por assinatura de reverter o quadro será ainda mais complicada nos próximos anos, já que novos serviços de streaming de peso irão passar a operar no Brasil. Como o tão aguardado Disney+ e o Apple TV+. Ontem noticiamos que o Paramount +, plataforma de streaming da Viacom, está chegando ao país, em parceria, vejam só, com a NET. Lembrando que o serviço também poderá ser assinado de forma independente e acessado através de um aplicativo.

 
Alguns executivos do mercado de TV por assinatura reconhecem publicamente como o panorama atual é complicado. Marcio Carvalho, diretor de marketing da Claro Brasil, em declaração ao Tele.Sintese, declarou: “às vezes somos atropelados por empresas que têm capacidade de inovação, mas o Brasil tem suas jabuticabas, não é possível mudar tudo”.
 
Uma dessas questões que não podem ser alteradas é o fato de que as operadoras não podem produzir conteúdo exclusivo, a legislação as impede. E é justamente na seara do conteúdo exclusivo que o streaing amassa a TV paga convencional e inclusive faz o cliente optar por esta ou aquela determinada plataforma. 
 
O executivo pontua que a TV paga tradicional irá continuar, um dos fatores que ele ressalta para isso é a questão do hardware adequado para o consumidor, uma espécie de curadoria que além do conteúdo ofertado também acaba sendo um assistente para oferecer uma experiência decente para a reprodução dos filmes e canais.
 
O fato é que a grande maioria dos consumidores acha o serviço caro, e em certa parte inútil nos dias de hoje. 


Dados do IBGE, da edição 2017 da Pesquisa  Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), revela que entre os entrevistados, 55,3% consideram o serviço de TV paga caro, por isso não assinam, enquanto 39, 8 simplesmente não tem interesse.
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