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Serviço de telefonia móvel a serviço dos pobres

Um novo serviço oferecido por numerosas operadoras de telefonia móvel em África está revolucionando o modo de transferir pequenas quantias em dinheiro naquilo que está a ser  valioso para as camadas mais pobres do continente.

O sistema funciona através de recargas em celulares que depois são enviadas para um destinatário que as pode converter em dinheiro, bastando para tal dirigir-se a um agente oficial da operadora escolhida pelo remetente.

Simultaneamente, as operadoras oferecem bônus de mensagens grátis para o remetente que se pode, também, habilitar a ganhar aliciantes prêmios incluídos em ações promocionais deste novo serviço.

Por exemplo, uma pessoa que esteja numa determinada cidade pode fazer uma recarga de saldo que depois envia para um destinatário. Este, ao receber esse saldo dirige-se a uma agência oficial da operadora escolhida por quem lhe está a enviar a recarga e transformá-la, rapidamente, em dinheiro. Este inovador método de transferência de dinheiro está revolucionando o continente africano, satisfazendo as necessidades das camadas mais pobres e cobrindo um deficiente sistema bancário que não abrange as áreas mais remotas do país.

Essas áreas estão agora a ser cobertas pelas diferentes operadoras de serviço móvel que, numa simples cantina, podem instalar um agente que, facilmente, anula o saldo do cliente transformando-o em dinheiro.

Um dinheiro que de outra forma dificilmente chegaria ao destinatário que para o receber teria que percorrer uma longa caminhada até junto de uma agência bancária mais perto da sua residência.

No Quénia, país pioneiro neste novo tipo de serviço, o governo está disponibilizando diversos tipos de apoio às operadoras para que se enquadrem neste sistema facilitando, nomeadamente, a cedência de espaço para a instalação de locais onde os agentes possam funcionar.

Ao mesmo tempo, essas operadoras beneficiam de apoios logísticos na extensão do seu sinal até às zonas mais remotas do país, de modo a poderem servir um número cada vez mais elevado de clientes. A Safarimcom, operadora líder no Quénia neste novo segmento de mercado, só no primeiro semestre de 2012 efetuou movimentações na ordem dos 9 milhões de dólares, prevendo-se para este ano que possa atingir os 25 milhões.

Para as operadoras o lucro é feito através não só da venda de aparelhos celulares como, sobretudo, na cobrança de uma pequena comissão consoante o valor envolvido na transferência, disponibilizando gratuitamente o valor da mensagem referente a concretização da operação.

Calcula-se que, atualmente, cerca de 80% da população queniana possua um aparelho celular e que de entre esta, 65% recorra a eles para efetuar transferências de dinheiro.

Os bancos, inicialmente, não aceitaram bem este novo tipo de concorrência desencadeada pelas operadoras de telefonia móvel, mas tiveram que ceder perante a imposição do governo e a constatação de que não poderiam estabelecer agências nas regiões mais remotas do país.

O exemplo do Quénia está já se estendendo a outros países africanos que encaram este serviço como uma forma de poderem criar riqueza e desenvolvimento nas regiões mais afastadas dos grandes centros e onde o dinheiro tem mais dificuldade em chegar.
Por isso o uso do celular, que antes era uma necessidade resultante da vontade de  se comunicar, transformou-se agora num investimento que envolve fabricantes de aparelhos, operadoras e o próprio governo como facilitador da conexão entre os diferentes intervenientes de modo a tornar a operação menos onerosa e mais abrangente no que toca a extensão territorial.

Deste modo a população queniana tem à sua disposição aparelhos que vão dos 2 aos 500 dólares satisfazendo, por isso, diferentes camadas da população que assim são envolvidas num processo inovador.

Aliás, na Índia existem já algumas operadoras que estão estudando a possibilidade de iniciarem este tipo de serviço mas lutam contra uma regulamentação oficial que dificulta o seu acesso a algumas regiões do país. Seja como for, mais uma vez, o continente africano dá um exemplo de como resolver (sem grandes burocracias) um dos seus principais obstáculos na luta contra a pobreza e pelo desenvolvimento social da sua população.

Contrariamente ao que sucede noutros países, onde o uso do celular é feito como forma de extravasar a vaidade pessoal dos seus utilizadores, no Quénia ele é, sobretudo, uma forma de luta contra a desigualdade e a pobreza contribuindo para o próprio desenvolvimento do país através da criação de maiores possibilidades de crescimento em regiões que estavam abandonadas à sua própria sorte.

Como berço da humanidade, o continente africano está dando vivos exemplos de como fintar as dificuldades e avançar rumo a um futuro onde todos possamos ter acesso facilitado às formas de solucionar as nossas dificuldades mais prementes. Tudo de forma extremamente simples.

E aqui no Brasil, será que pega?


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