Subsídio de celular está ameaçado

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Operadoras de telefonia celular de vários países estão ensaiando os primeiros passos para mudar condições de ofertas de smartphones que até aqui beneficiaram fabricantes de celulares como a Apple Inc.

Nos Estados Unidos, operadoras vêm aumentando mensalidades e cobrando mais quando o cliente troca de celular. Operadoras europeias, em crise, estão tomando medidas mais drásticas: as duas maiores empresas de telefonia celular da Espanha estão se recusando a subsidiar aparelhos para novos clientes.

No mercado mundial de celulares, no qual fabricantes de aparelhos como Apple e Samsung Electronics Co., e empresas de software como a Google Inc., continuam a exercer considerável influência, as operadoras ainda costumam pagar o preço cheio pelos celulares e, em seguida, vendê-los com generosos descontos para clientes que contratam planos de dois anos. Esse é o caso do Brasil, em que as operadoras de celular estão tentando aumentar a base de clientes de smartphones num mercado em que os baratos — e menos lucrativos — pré-pagos ainda reinam.

O interesse em aumentar a base de clientes no mercado mais rentável de smartphones com planos de dados levou a Oi, por exemplo, a voltar a oferecer subsídios depois de quase seis anos afastada do mercado de aparelhos. Roberto Guenzburger, diretor de Produtos e Mobilidade da operadora, diz que os clientes do pré-pago representam 80% de sua base, mas que entre os 20% que pagam assinatura a penetração de smartphones tem crescido, o que levou a operadora a relançar um pacote subsidiando esse tipo de aparelho. “Estes clientes que gostam da última tecnologia e estão dispostos a pagar assinatura mensal são de alto valor”, disse Guenzburger.

Mas, nas grandes praças em que as operadoras estão se rebelando, a revolução está sendo aplaudida por investidores e analistas. Segundo eles, as operadoras ganhariam mais com a febre do smartphone se conseguissem cobrar mais por planos de serviços e reduzir o ritmo com que clientes adquirem novos aparelhos.

“Há um otimismo maior, no sentido de que estamos testemunhando o despontar de um futuro mais disciplinado, mais rentável”, disse Craig Moffett, analista de telecomunicações da firma americana de pesquisas de mercado Bernstein Research, em uma nota de pesquisa recente. A dúvida agora, escreveu, é saber em quanto o lucro de operadoras pode subir graças “à maior disciplina e ao maior poder de impor preços”.

Nos EUA, a Apple andou perdendo força nas bolsas — ao contrário das operadoras de celular, que têm se valorizado —, em parte devido ao temor de que operadoras estejam querendo retirar os grandes subsídios que permitiram que tanta gente tivesse um iPhone.

Tim Cook, o diretor-presidente da empresa, minimizou o temor de que mudanças em políticas de subsídios possam afetar as vendas do iPhone. Mês passado, Cook disse a analistas que as operadoras continuariam subsidiando o iPhone, pois isso renderia clientes satisfeitos. E sustentou que o mercado espanhol, abalado pela crise econômica europeia, “não devia ser visto como representativo do mundo”. Para cada iPhone vendido, calculam analistas, operadoras de celular desembolsam US$ 400.

Em meio à febre dos smartphones, grande parte do lucro está passando longe de operadoras de celular. Em vez disso, vai para criadores de aplicativos e empresas de internet como Google e de hardware como a Apple, que vendeu 35 milhões de iPhones no primeiro trimestre deste ano.

Daí empresas americanas estarem seguindo de perto o teste na Espanha. Lá, desde março a Telefónica SA deixou de subsidiar aparelhos para novos clientes. A segunda maior do mercado, a Vodafone, logo seguiu o exemplo. A terceira, a Orange Group (da France Télécom SA), decidiu não engrossar o coro.

O resultado é que clientes novos da Vodafone e da Telefónica já não recebem um iPhone com desconto com um contrato de dois anos. Precisam pagar quase US$ 800 para comprar o celular ou contratar um plano em parcelas que, na Telefónica, acrescenta à conta 18 mensalidades de cerca de US$ 45.

A Telefónica e a Vodafone, que tomaram a decisão de desviar recursos destinados a adquirir clientes para reter clientes, afirmam que vão continuar a subsidiar aparelhos novos para seus clientes atuais que troquem de celular. Ainda assim, a mudança nas regras vai derrubar em 25% os gastos da Telefónica com o subsídio de aparelhos, disse um porta-voz.

O braço espanhol da Orange não quis se pronunciar.

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