Portugal Telecom quer força financeira para investir no Brasil

A Portugal Telecom vai decidir o nível de dividendos para os próximos três anos levando em consideração a necessidade de se prevenir contra a incerteza macroeconômica e de ganhar musculatura financeira para continuar investindo no Brasil, afirmou o presidente-executivo da companhia.


A decisão sobre a política de dividendos da maior operadora de telecomunicações de Portugal -que tem a relação de dividendo por ação mais elevada da Europa, na casa dos 16% – para os próximos três anos será tomada pelo conselho de administração, disse Zeinal Bava em entrevista ao canal internacional CNBC.

“No setor de telecomunicações, temos de voltar para o conselho para decidir qual o nível de remuneração adequado, para decidir até que ponto é mais importante fortalecer o balanço, até porque os próximos um ou dois anos podem ser mais desafiantes e mais voláteis e porque há oportunidades de crescimento no Brasil onde gostaríamos de continuar a investir”, afirmou. “Nós, na Portugal Telecom, já indicamos que o nosso conselho vai vai considerar qual o nível adequado para os próximos três anos”, disse.

Bava afirmou que a gestão da Portugal Telecom está muito “frustrada” com a atual cotação da ação da empresa, que desvalorizou mais de 50% desde o início do pacote de resgate financeiro a Portugal, em maio de 2011, devido aos sucessivos cortes do ‘rating’ da empresa em meio aos rebaixamentos da dívida soberana portuguesa.

A Portugal Telecom pagou em 25 de maio a segunda e última parte, no valor de 0,435 euros por ação, do dividendo relativo a 2011, que totalizou 0,65 euros por papel. Analistas têm afirmado que o fato do elevado dividendo da Portugal Telecom não ter impedido a desvalorização das ações demonstra que o mercado não está reconhecendo atratividade da atual remuneração e que a companhia nada tem a ganhar em mantê-la inalterada.

O fato de Portugal se encontrar sob resgate do Fundo Monetário Internacional (FMI), Comissão Europeia (CE) e Banco Central Europeu (BCE) e imerso na mais profunda recessão dos últimos 30 anos tem afetado as receitas e a capacidade de financiamento das empresas nacionais e a Portugal Telecom não é exceção.

“Continuamos muito focados na execução e em superar as estimativas do mercado, mas o risco soberano é o que é. Estamos expostos à economia portuguesa”, afirmou Zeinal. Ele lembrou porém “que 60% de nossas receitas vêm do exterior”.

“Nos últimos três anos, em Portugal, temos mantido o investimento sobre vendas em 20%. Este ciclo de investimento está chegando ao final e este ano vamos ter uma relação de 16% e no próximo ano ainda menos”, afirmou. “Ganhamos cotas de mercado na banda larga e na TV paga de forma significativa”, acrescentou. “Diversificamos não apenas geograficamente, mas em termos de negócio”, salientou, destacando a presença do grupo no Brasil, através de 25% da Oi.

O executivo mostrou-se convicto de que existem oportunidades de crescimento significativas no Brasil, especialmente nos segmentos de televisão por assinatura e Internet banda larga, onde a Oi pretende apostar.

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