A Telefónica, controladora da operadora Vivo no Brasil, anunciou nesta semana que vai cortar até 1.100 postos de trabalho em sua unidade alemã, a Telefónica Deutschland, até o fim de 2026, o equivalente a 14% do quadro de funcionários da subsidiária. A companhia atribui os cortes ao avanço do uso de inteligência artificial em processos internos, segundo comunicado divulgado pela empresa.
Além das demissões, a Telefónica Deutschland vai fechar cerca de 60 de suas 800 lojas físicas no país. A maior parte dos desligamentos deve ocorrer por meio de um programa de demissão voluntária, dentro de um plano de reestruturação que a própria empresa chama de transformação orientada para o futuro, com realinhamento de equipes e processos internos.
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POR QUE A TELEFÓNICA ESTÁ CORTANDO VAGAS
Segundo a Telefónica, a reestruturação abre espaço para inovação, investimento e crescimento sustentável por meio de maior eficiência e produtividade. A empresa afirma enxergar potencial de crescimento especialmente em ofertas de convergência, no mercado corporativo e em parcerias e serviços, com o objetivo declarado de ser a melhor porta de entrada para tecnologias digitais na Alemanha.

ECONOMIA PREVISTA E CUSTOS DA REESTRUTURAÇÃO
A Telefónica estima economia anual de cerca de 185 milhões de euros a partir de 2028 com a reestruturação. No curto prazo, porém, o processo tem custo alto: a empresa espera registrar despesas de reestruturação de até 265 milhões de euros no segundo trimestre, seguidas de mais até 155 milhões de euros ao longo do segundo semestre deste ano, somando cerca de 420 milhões de euros em 2026.
Veja os principais pontos do plano de reestruturação da Telefónica na Alemanha:
- Corte de até 1.100 vagas, cerca de 14% do quadro na Alemanha
- Fechamento de aproximadamente 60 das 800 lojas físicas
- Maior uso de inteligência artificial nos processos internos
- Economia anual estimada em 185 milhões de euros a partir de 2028
- Despesas de reestruturação de até 420 milhões de euros em 2026
QUEDA DE RECEITA PRESSIONA A ALEMANHA
A Alemanha é um dos mercados mais importantes para o grupo Telefónica, liderado pelo CEO Marc Murtra, mas a receita no país vem recuando. Segundo a empresa, o faturamento caiu 1,4% em 2024 e 3,8% em 2025. No primeiro trimestre deste ano, o tombo foi de 8,6%, puxado por vendas fracas de aparelhos e pela migração de clientes da 1&1 para a rede da Vodafone.
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NOVOS PRODUTOS E MUDANÇAS NA GESTÃO
Para tentar reverter o cenário, a Telefónica Deutschland estendeu a marca O2 para as operações de banda larga fixa e TV, lançando os novos planos de assinatura chamados O2 Plus. A empresa também reestruturou a diretoria, ampliando as responsabilidades do CEO Santiago Argelich Hesse e promovendo Mallik Rao, até então diretor de tecnologia e negócios corporativos, ao cargo de diretor de operações, sua segunda promoção em menos de dois anos.
Em comunicado, o CEO da Telefónica Deutschland afirmou:
“Estamos simplificando a organização, consolidando atividades e intensificando o uso de inteligência artificial em processos-chave. Dessa forma, protegemos a competitividade e a viabilidade futura da Telefónica.”
A companhia ainda não descarta novos cortes em 2028. Apesar de a Vivo, no Brasil, não ter sido citada nos planos de reestruturação anunciados até agora, o movimento da controladora reforça a estratégia global do grupo de ampliar o uso de inteligência artificial em suas operações ao redor do mundo, em meio à concorrência acirrada com Deutsche Telekom e Vodafone na Europa.












