Nos últimos meses algumas das principais redes sociais do mundo passaram a ser alvo de processos baseados numa acusação em comum: essas empresas estariam agindo deliberadamente para viciar usuários.
Agora, o renomado bioquímico Jeffrey Wigand endossou o debate, afirmando que o vício provocado pelas mídias sociais é semelhante à dependência causada pelo cigarro, sobretudo em crianças e jovens.
O cientista fez a afirmação enquanto comentava sobre uma recente condenação sofrida pela Meta, dona do Facebook e Instagram, e o Google, acusadas de ter contribuído para a piora do quadro de depressão de uma jovem.
Na decisão, as empresas foram obrigadas a pagar o equivalente a mais de R$ 31 milhões. As defesas ainda podem apresentar recurso no tribunal de apelações de Los Angeles, Califórnia.
De onde veio essa afirmação?
Antes de se tornar um ativista anti tabaco, Jeffrey Wigand prestou serviços a grandes companhias que exploram e comercializam o produto. Ele se considera um “conhecedor da causa”.
De acordo com o especialista, as redes sociais foram arquitetadas para induzir o uso contínuo, assim como as substâncias contidas no cigarro, e provocar uma sensação de “quero mais”, especialmente em crianças.
“A indústria do tabaco — assim como as empresas de redes sociais — viciava as pessoas intencionalmente, especialmente crianças, para poder usá-las como fonte de renda. Quando você começa a se viciar, precisa de cada vez mais da substância química que causa o efeito. Eles desenvolvem programas deliberadamente e intencionalmente que exploram as vulnerabilidades de nossas crianças”, disse.
Wigand argumentou ainda que os efeitos são piores nas crianças devido à falta de entendimento sobre hábitos prejudiciais.
“Quando criança, é difícil entender o que é prejudicial. Ela pensa: se é divertido e dá uma sensação boa, por que não continuar fazendo? Esse é o problema do vício: ele te prende a um padrão de comportamento”, concluiu.
Combate ao consumo excessivo de redes sociais
Com suas críticas contundentes, Jeffrey Wigand se junta a agentes públicos, políticos, ativistas e cientistas de todo o mundo que têm alertado para os riscos de uso excessivo de redes sociais por crianças e adolescentes.
Em sua fala, o bioquímico destacou que, assim como acontece com o tabaco, as redes sociais precisam ter uma idade mínima para ingresso. Aqui no Brasil, a aprovação do ECA Digital trouxe parâmetros nesse sentido.
Outros países, como a França, já proibiram completamente o acesso a redes sociais por menores, além de limitar o uso de telas e restringir o uso de smartphones em escolas.
Por sua vez, as redes sociais têm anunciado pacotes de medidas para aumentar o controle parental e se adequar a legislações locais, num claro recuo diante do aumento de críticas e ações na justiça.












