Crescimento da telefonia reduz espera por novas tecnologias

Foi-se o tempo em que o consumidor brasileiro ficava maravilhado com os avanços tecnológicos disponíveis no exterior. Finalmente, afirmam especialistas em tecnologia, o Brasil recebe as mais recentes novidades em acessibilidade móvel simultaneamente com os mercados maduros. De acordo com o vice-presidente de Inovação da Ericsson para a América Latina, Jesper Rhode, a multinacional da Suécia testa, em parceria com universidades locais, as tecnologias “5G” que desenvolve. 

O que virou o jogo e abreviou o tempo de espera do brasileiro pelas novas tecnologias foi o espantoso crescimento do mercado local nos últimos anos, especialmente quando o assunto é telefonia celular. “Sempre se tentou estabelecer um teto para o mercado de telefonia celular no Brasil, mas todas as previsões se mostraram conservadoras. A tendência é que o mercado continue a surpreender”, diz.

O Brasil fechou 2012 com 261,8 milhões de linhas de telefonia móvel, segundo a Anatel. A multinacional americana Cisco afirma que 157 milhões de brasileiros têm telefone celular. Mesmo assim, nos próximos cinco anos, o mercado seguirá crescendo 2,2% ao ano. Esses aparelhos estarão nas mãos de 175 milhões de clientes até 2017. A exigência por conectividade cresce junto com o acesso a aparelhos mais sofisticados, como smartphones e tablets. A venda de tablets, aliás, deve crescer 90% no País só este ano, conforme a consultoria IDC.

Para quem entende de tecnologia, a popularização desses aparelhos deverá obrigar as operadoras de internet móvel a investir mais na rede para não perder clientes. “O que vai acontecer, em breve, é que cada pessoa vai ter não apenas um, mas até dez aparelhos conectados à web. A internet estará presente no telefone, no carro, na televisão e até na geladeira. Será necessário adaptar o serviço atual a essa realidade”, diz Rhode.

Além disso, a banda larga móvel cumprirá, a exemplo do que ocorreu com os telefones celulares, uma função social no Brasil. Conforme o diretor de Operações em Telecomunicações da Cisco Brasil, Anderson de Almeida André, como ocorria no caso da telefonia, a banda larga fixa cobre só cerca de 300 cidades entre os mais de 5,5 mil municípios brasileiros. “O real acesso da maioria da população à banda larga vai se dar pela rede móvel, pelo celular”, afirma.

Quando se analisa a evolução da telefonia celular nos últimos dez anos, fica claro que o Brasil sobe nas prioridades das grandes multinacionais. A tecnologia europeia GSM, que introduziu a troca de operadora só com a mudança de chipe e o roaming automático, chegou ao Brasil com 12 anos de atraso em relação ao lançamento internacional, em 1990.

Essa diferença começou a ser reduzida com a internet 3G, que aportou no País quatro anos após o lançamento mundial. No caso do 4G, aponta Rhode, da Ericsson, a espera foi de apenas um ano. A tendência, a partir de agora, é que as novas tecnologias de acesso cheguem de forma simultânea. 

O grande desafio dos próximos anos será expandir o serviço de dados. Agora que já fala à vontade no celular, o brasileiro quer navegar na internet com qualidade. Estatísticas da Cisco apontam que o tráfego de dados em aparelhos móveis no País cresceu 67% somente em 2012. Para os próximos cinco anos, a expectativa é que o volume de dados transmitidos na rede móvel brasileira continue a se expandir 65% ao ano, um ritmo superior ao dos Estados Unidos e da Europa, mercados onde o acesso à internet móvel é bem mais disseminado.

À medida que o brasileiro entra em contato com conteúdos disponíveis na web não só pelo smartphone, mas também pelo “velho” aparelho de TV, a disposição do consumidor de classe média em gastar com tecnologia também cresce. Para André, da Cisco, o brasileiro vê na tecnologia uma forma de diminuir a diferença entre o próprio padrão de consumo e o modo de viver das camadas mais ricas. “As pessoas descobrem que, investindo em tecnologia, podem ter acesso a serviços e melhorar sua qualidade de vida”, declara. “Isso acaba criando um círculo virtuoso para o setor.”

O grande teste das operadoras, de acordo com o executivo da Cisco, virá na Copa de 2014. “Estamos nos aproximando de um cenário em que a qualidade do vídeo é vital”, garante. “Não adianta o serviço funcionar a maior parte do tempo. Ele não pode falhar nunca, especialmente na hora em que a pessoa quer ver o gol da seleção brasileira.”

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