São Paulo recebe o movimento “anti-antena de celular”

Em uma manhã de sol, um grupo reunido nas esquinas da avenida Nhandu com a rua Apetubás, no coração do residencial bairro Planalto Paulista, na zona sul, discute de forma entusiasmada.

Nas conversas entre eles é fácil perceber: são moradores contrários às antenas de celular irregulares espalhadas por São Paulo. Para lidar com uma instalada no bairro, fizeram um abaixo-assinado que já tem mais de mil assinaturas.
O caso do Planalto Paulista não é o único. Foram levantadas oito ações judiciais de moradores contra antenas de telefonia móvel em bairros tão distintos quanto Jardins, Santana e Santa Efigênia.
São vizinhos que reclamam de instalações em local proibido, moradores de edifícios que afirmam que a locação de área comum para operadoras não passou pelo quórum mínimo em assembleia, além de relatos de problemas de saúde e interferência na estrutura do prédio.
Helio Gomes de Paula, 59, conhece bem essas reclamações. Ele mora no último andar de um prédio no centro, e sobre a laje de seu apartamento foi instalada no início do ano uma antena da Claro, apesar de a prefeitura ainda analisar o pedido de alvará.
Laudo feito por um engenheiro aponta que a instalação provocou rachaduras e infiltrações no apartamento, além de não considerar normas que estabelecem regras para recuo e distância da antena em relação à moradia.
“A antena faz muito barulho. Você não consegue dormir, fica um ‘zum’ na cabeça. Se tivesse condições de me mudar já estaria fora daqui”, conta Gomes de Paula.
A prefeitura admite que grande parte desses equipamentos está fora da lei, tanto que move uma ação contra as principais operadoras de telefonia móvel para tentar resolver o problema.
No caso do Planalto Paulista, por se tratar de uma área essencialmente residencial, nenhuma antena poderia ter sido colocada ali. Mas ela funciona, diz a prefeitura, por meio de uma liminar.
Para a bióloga Tsugui Nilsson, da associação de moradores do bairro, a grande preocupação é com a radiação que a antena emite.

Em 2011, um morador de um condomínio em Santana (zona norte) entrou com uma ação para retirar a antena do prédio, argumentando que os riscos à saúde eram grandes.
Mas um laudo mostrou que a emissão de radiação da antena era baixa e, em fevereiro de 2012, a Justiça negou o pedido do morador.
“É possível que não exista limite de segurança mínimo que não nos afete”, diz a especialista Margarete Padueli. “Mas até que conheçamos essa fronteira não é sensato, sob a perspectiva da saúde pública, continuar com a implantação de novas tecnologias que aumentem a exposição a alguns tipos de radiação.”
Sobre a antena instalada no prédio de Gomes de Paula, a prefeitura diz que fará uma vistoria. Já a Claro diz que não se manifestará porque ainda não foi citada no processo.

Agora, resta saber se os moradoras abrem mão um pouco da qualidade do sinal de seus respectivos celulares, por um ambiente um pouco mais bonito. É importante depois não reclamar com as teles.

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