quinta-feira, 21 de julho de 2016

Proprietário da Oi espionava dados e localização de clientes da operadora

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Executivo solicitou que diretor da Oi rastreasse a localização do filho desaparecido de um amigo, mas justificou a ação como sendo um "gesto humanitário".

O ex-presidente da construtora Andrade Gutierrez (acionista da Oi), Otávio Azevedo, monitorava com facilidade as últimas ligações realizadas por clientes da companhia, bem como a localização dos celulares, utilizando como ferramenta a triangulação de antenas da operadora. A denúncia foi feita pelo jornal O Globo.

Uma perícia realizada no telefone do executivo apontou que além das informações confidenciais, Azevedo, que é alvo de investigação pela Operação Lava Jato, checava se determinados aparelhos estavam sendo grampeados pela Justiça. James Meaney, diretor de Operações da Oi, era quem ajudava o acionista da operadora nessa empreitada.

Em abril de 2012, Azevedo ajudou um amigo do seu médico particular a encontrar um filho desaparecido. Ele entrou em contato com Meaney, que questionou: Quer que a gente monitora (sic) esse número? Quer saber os números que está ligando? (sic)”. “Gostaria de monitorar sim, permanente, para ver a direção que vai, respondeu Azevedo.

O monitoramento foi feito por três dias seguidos. “Pessoa se deslocou. Pelo novo site deve estar se deslocando pela BR-101 sentido JVE-Porto Alegre. Ultima comunicação do aparelho com a rede foi no site SOO0286 setor 1”, disse Meaney para Azevedo em uma troca de mensagens, no qual o acionista respondeu: “Continue monitorando, forte [abraço]”.

Só depois que os pais do rapaz desaparecido conseguiram desbloquear na Justiça os sigilos telefônicos do filho, é que Azevedo pediu para Meaney interromper o rastreamento do celular do garoto. “O menino voltou e disse que não quer mais nada com a família (...) Os pais agradecem a colaboração. Só faltou darmos uma surra no menino!”, escreveu na ocasião.

Por meio de nota enviada pelo seu advogado, Azevedo informou que "nunca utilizou de sua posição para conseguir informações ou manipular dado confidencial de cliente Oi ou empresa do grupo" e que só tentou localizar o rapaz desaparecido para "ajudar uma família desesperada", como parte de uma "ação humanitária".

A família ajudada por Otávio Azevedo também decidiu se manifestar e defendeu o executivo. Hélio Brito Jr., pai do rapaz rastreado, disse que o "gesto humanitário [de Azevedo] nos trouxe conforto e esperança, permitindo-nos saber mais ou menos onde o nosso filho estava e, sobretudo, que deveria estar vivo, pela sua movimentação física".

A Oi afirmou que "não tolera conduta individual fora do padrão" pois possui "rigorosos processos internos para controle de sigilo telefônico de clientes". Porém, este é mais um caso que demonstra a fragilidade da segurança da informação da companhia. Neste mês, o Ministério Público de Minas Gerais condenou à operadora a pagar multa de mais de R$ 9 milhões por ter passado dados pessoas de novos assinantes de internet fixa para o provedor UOL.

O Minha Operadora denunciou ainda que alguns atendentes terceirizados conseguiram burlar facilmente os sistemas da empresa e aplicavam cobranças na conta telefônica de clientes em benefício próprio.

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