domingo, 13 de março de 2016

Limite de consumo na banda larga fixa vai afetar quem compartilha internet

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Vizinhos terão que aceitar controlar o uso da rede um do outro se quiserem que o serviço dure o mês inteiro.



A ideia das empresas de internet de colocar um limite de navegação também para o serviço de banda larga fixa, assim como já funciona no celular, vai muito além de apenas "moderar o uso da rede para uma melhor experiência de navegação", mas deve ajuda-las a aumentar a quantidade de clientes. Isso porque vai eliminar uma série de práticas de compartilhamento de acesso por vizinhos ou pessoas que moram próximas.

Em bairros onde as operadoras de banda larga ainda não chegaram (que não são poucos), muitos chegaram a montar "empresas" para distribuir o sinal de internet para uma determinada comunidade. Funciona assim, suponhamos que a GVT acabe de chegar na cidade de São Paulo, mas ainda não cobre determinados bairros. Alguém que mora em um bairro com cobertura, pensando em ganhar dinheiro, decide contratar um plano de internet da operadora com 300 Mega de velocidade e distribui via ondas de rádio ou mesmo por cabos para o bairro vizinho, que ainda não tem acesso aos serviços da GVT.

O plano com 300 Mbps da GVT custa, em média, 300 reais mensais. Somente contratando um ponto deste plano, é possível, com alguns mecanismos de controle de tráfego, vender internet com 15 Mega de velocidade para até 20 residências. Se o vendedor cobrar R$ 50 para cada acesso, vai conseguir faturar mensalmente R$ 1 mil, sendo R$ 700 de lucro.

A mesma internet de 15 Mega na própria GVT é muito mais cara, principalmente pela obrigação de ter um telefone e TV por assinatura vinculados a um combo de serviços convergentes. Portanto, principalmente para a população de baixa renda, é mais vantajoso comprar a internet que o moço do bairro está vendendo. Ao reduzir a velocidade de acesso quando o limite  estabelecido for alcançado, as operadoras de telefonia querem acabar com todo esse tráfego anormal nas suas portas ADSL (serviços de fibra ainda não serão afetados).

Franquias variam de 10GB a 150GB

Para se ter uma noção de quanto de franquia cada uma das principais operadoras estão oferecendo para cada plano, preparamos uma tabela contendo os limites de tráfego de dados estabelecidos em contrato.


A GVT não foi incluída pois até o momento não incluiu informações de possíveis limites de tráfego no seu contrato. Porém, como a partir de 15 de abril deve mudar para Vivo, é bem provável que siga o mesmo caminho da operadora paulistana.

O que acontece depois que atingir o limite de dados?

Diferente do que passou a acontecer recentemente na telefonia celular, o acesso à internet pelo sistema fixo não será interrompido depois de a franquia se esgotar. Tanto a NET quanto a Oi estabelecem que haverá uma redução de velocidade. Na Oi, por exemplo, a velocidade de acesso pós-franquia cairá para 300 Kbps em todos os planos.

Prazos

Apesar de já estarem prevendo isso nos novos contratos, para evitar repetir problemas regulatórios e com órgãos de proteção e defesa do consumidor (como aconteceu no caso do corte de conexão no móvel), as teles Oi e Vivo ainda estão aguardando um pouco mais para colocar em prática a nova ação.

A Vivo, novamente a primeira a querer propor regras mais duras de acesso a internet pelos consumidores brasileiros, permanece com tráfego ilimitado pelo menos até o final deste ano. A Oi pretende começar a controlar o acesso dos seus clientes a partir desta terça-feira, 16 de março, mas já disse também que pode "prorrogar esta data a seu exclusivo critério".

Somente a NET já pratica no mercado as suas franquias de internet banda larga. Aliás, prática que não é nova. No entanto, muitos clientes da empresa alegam que nunca chegaram a sofrer de fato uma grande redução de velocidade, apesar de a empresa já ter sido acusada várias vezes de realizar o chamado "traffic shaping", diminuindo a banda disponíveis em picos de acesso, como o download de arquivos por meio de torrents, por exemplo. Esta prática passou a ser terminantemente proibida desde junho de 2014, com a chegada do Marco Civil da Internet, sancionado pela presidente Dilma Rousseff. Talvez agora a empresa encontre na redução de velocidade uma forma de voltar a controlar o acesso de seus usuários.

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