sexta-feira, 25 de março de 2016

Contax fecha 19 centrais, mas tem prejuízo de R$ 226 milhões em 2015

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Andrade Gutierrez, principal acionista da Contax, é investigada na Operação Lava Jato, da Polícia Federal.


O ano de 2015 foi de verdadeiro terror para a maior empresa de contact center do Brasil, Contax, que mesmo tendo fechado totalmente ou parcialmente um total de 19 sites (unidades operacionais) - resultando em uma demissão de 18 mil colaboradores - em diversas regiões do país, a empresa terminou o ano com um déficit financeiro de R$ 226,8 milhões. No final de 2014, a empresa tinha um lucro de R$ 96,6 milhões.

A dívida bruta da Contax alcançou o patamar de R$ 1,57 bilhão no último trimestre de 2015. Um aumento de 11,2% em relação ao mesmo período de 2014.


A crise financeira no Brasil, que se alastrou mais fortemente durante 2015, é um dos fatores que mais contribuíram para o resultado negativo da Contax. A operação Lava Jato, realizada pela Polícia Federal para recuperar dinheiro perdido em meio a casos de corrupção em que políticos e empresários de grandes empreiteiras foram os protagonistas, também teve a sua participação. É que a construtora Andrade Gutierrez, investigada pela PF, é acionista majoritária da CTX Participações, com 44,91% do capital da companhia, ao lado do Grupo Jereissati, que possui a mesma porcentagem de ações.

Para conseguir fazer a Contax voltar a crescer, o Conselho de Administração da companhia concordou com a contratação de Nelson Armbrust, ex-presidente da Atento (controlada pela Telefônica/Vivo), principal concorrente da Contax no segmento de call center, para ser o seu novo diretor-presidente. O executivo assumiu o cargo no dia 7 de março deste ano, em substituição a Shakhaf Wine.

A entrada de uma nova grande operadora de telecomunicações na carteira de clientes da Contax também deve ajudar a aumentar os seus ganhos. Hoje a Contax é responsável (totalmente ou parcialmente) pelo atendimento da Oi, Vivo, Claro, NET, SKY e Nextel.

E não para por aí. O Grupo Contax pretende seguir com o seu plano de vender a divisão internacional da Contax, representada sob a marca Allus. A ideia da empresa é voltar a focar sua atenção apenas no Brasil. Um empréstimo de R$ 45,5 milhões também deve ser solicitado com a intenção de fortalecer o caixa da empresa em curto prazo.

"Em 15/03/2016, a Companhia encerrou com sucesso o alongamento de sua dívida financeira com a negociação junto aos credores e acionistas de uma solução de financiamento que inclui aporte dos acionistas na forma de dívida subordinada e capital, uma oferta de ações e a venda das operações fora do Brasil (Allus). Entre as principais deliberações tomadas no âmbito das AGDs e negociação da dívida financeira encontram-se:
  1. As condições de pagamento da dívida financeira passam a ter um prazo de seis anos com dois anos de carência de principal, um ano de carência de juros e taxa de juros de CDI ou NTN - B + 1,25% a.a.;
  2. A realização de um empréstimo subordinado pela holding CTX Participações S.A. para a Companhia no valor total de R$ 45,5 milhões.
  3. A realização de uma oferta de aumento de seu capital social, nos termos da Instrução CVM 476, no valor de R$ 200,0 milhões.
  4. Amortização antecipada de parte da dívida com os recursos provenientes da venda da Allus líquidos dos impostos, custos de venda e caixa reservado para a Companhia (que variará em função do valor captado na oferta de capital).
  5. Realização dos melhores esforços de forma a realizar a migração para o segmento especial de listagem Novo Mercado da BM&F Bovespa, objetivando a melhora de sua governança corporativa passando a ter o seu controle acionário pulverizado.", explica a Contax na apresentação dos seus resultados.

 Reivindicações trabalhistas continuam


A Contax é uma das empresas que mais enfrenta problemas com sindicatos e funcionários. Vez por outra, milhares de colaboradores procuram a imprensa ou mesmo vão para as ruas lutar por melhora das condições de trabalho.

No dia 17 do mês passado, por exemplo, cerca de 2 mil funcionários da empresa nas cidades de Fortaleza, Juazeiro do Norte e Eusébio, todas do estado do Ceará, protestaram pelo reajuste salarial diferente do salário mínimo e aumento de 11,28% dos demais benefícios concedidos a categoria.

A representante do SINTTEL (Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicação do Ceará), Marília Gomes, disse em entrevista a TV Verdes Mares, afiliada à Rede Globo, que decidiram se reunir porque "os empresários não reconhecem nosso esforço. Somos uma categoria sofrida, que sofre muita pressão".

O sindicato também pede que a empresa, a exemplo de outras multinacionais, reconheça o relacionamento de casais homossexuais em ações coletivas, conceda mais dias para os pais acompanharem seus filhos em consultas médicas, participação nos lucros para todos os funcionários e distribuição de auxílio-creche também para os pais (hoje, a empresa apenas concede o auxílio para as mães).

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6 comentários:

  1. O LULA ESTÁ CERTO O MORO QUER QUEBRAR O BRASIL.

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  2. tem que fechar as portas a contax mesmo , empresa vagabunda , ordinaria , que nao respeita os trabalhadores , um lixo do sistema capitalista

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  3. Fui colaborador Contax antes mesmo de sua fundação. Entrei como estagiário TELEMAR em 1999, participei da migração para OI, que em pouco tempo migrou para CONTAX. Passei 12 anos da minha vida profissional na CONTAX, apesar de ter pressão por resultados e regras voltadas para o alcance desses resultados, e menos para o bem estar dos funcionários, aprendi e evolui muito como profissional através dessa empresa, só não cresci mais profissionalmente devido a superiores tendenciosos em beneficiar os apadrinhados...agradeço muito aos companheiros, coordenadores, gerentes e aos parceiros Oi dessas empresas em que passei(TELEMAR, Oi e Contax).

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  4. A visitinha da Dilma a Contax, já denunciava esquesmas políticos e a Contax achava que iam levar muita vantagem só não contavam que a vantagem não seria por muito tempo, e agora está caindo absurdamente aponto de logo logo fechar as portas.

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