terça-feira, 16 de dezembro de 2014

PT envia carta aos acionistas com instruções para a 'grande reunião'

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Decisão final está marcada para o dia 12 de janeiro de 2015. Oi insiste de proposta da Altice é a melhor para todos.

A Portugal Telecom enviou uma espécie de cartilha para os seus acionistas com o objetivo de ajuda-los a tomar a melhor decisão durante a Assembleia Geral que será realizada no dia 12 de janeiro, para tratar da aprovação pela Oi de uma oferta de venda da PT Portugal para a Altice.

Dentre os tópicos do documento, estão contidas informações detalhadas sobre a proposta de venda da PT pela Oi, incluindo a descrição de e-mails enviados pela operadora brasileira à Portugal com o objetivo de informar sobre as negociações; A combinação de negócios, o aumento de capital da Oi e os Instrumentos da Rio Forte Investments, S.A.; O acordo sobre os termos para prosseguir com a combinação de negócios; A oferta pública de ações oferecida pela empresária angolana Isabel dos Santos; Além dos fatores de risco da operação e algumas advertências. Tudo para que seja tomada uma decisão que seja a melhor para a companhia.

O Minha Operadora teve acesso ao conteúdo emitido pela empresa, dentre eles está um comunicado da Oi, informando a Portugal Telecom sobre um documento em anexo, uma espécie de carta, em que a operadora lista todos os motivos que a levaram aceitar a proposta do Grupo Altice. Faremos um resumo do conteúdo dessa "carta" à PT, abaixo, sob o tópico "Oi insiste em levar proposta da Altice adiante".




Ela não desiste




Isabel dos Santos, filha do presidente da Angola, continua tentando convencer a Oi de que o melhor para a Portugal Telecom, e para a própria Oi, é aceitar sua oferta e não vender a PT Portugal para a Altice. Ciente das dificuldades financeiras enfrentadas pela operadora brasileira, a empresária pensa em investir na Oi, comprando parte das suas ações. Segundo o Jornal de Negócios de Portugal, a Terra Peregrin - empresa que representa a empresária - poderia se tornar a maior acionista da Oi, ao mesmo tempo que fortaleceria o caixa da operadora para que ela se concentre nas operações do Brasil, assim como deseja.

A intenção de capitalizar a Oi deve constar inclusive nos termos da OPA entregue à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) de Portugal.

Oi insiste em levar proposta da Altice adiante

A Oi explicou em um longo texto o motivo de ter aceitado a proposta da Altice pela PT. Pela primeira vez, a operadora confirmou seus planos de participar de um processo de consolidação do setor de telecomunicações no Brasil, seja participando de um processo de compra conjunta da TIM com outras duas operadoras (Claro e Vivo), seja fundindo suas operações com a TIM.

Em agosto de 2014, explica a Oi, a Telecom Italia (controladora da TIM) e a Telefônica (controladora da Vivo), passaram a disputar uma eventual aquisição da operadora de serviços fixos GVT. Sendo uma operadora de sucesso no setor em que atua, a GVT era a única operadora que não era integrada com serviços móveis, a impossibilitando de oferecer pacotes completos de serviços, e competir com grandes grupos como América Móvil (Claro, NET e Embratel), e Telefônica/Vivo.

Em 19 de setembro, a administração da Vivendi (controladora da GVT), aprovou a venda da GVT para a Telefônica/Vivo. Com isso, a TIM saiu perdedora nas negociações, e passou a ser a única operadora não integrada no mercado brasileiro, sem possibilidade de oferecer serviços convergentes, como telefonia fixa, TV por assinatura e banda larga fixa.

A Oi enxerga, inclusive no mercado português, que nos tempos atuais, é muito importante uma empresa forte, que consiga oferecer serviços integrados para atender a demanda e interesse do mercado de telecom no Brasil.

A Telecom Italia tentou reverter sua decepção com a perda de sua proposta pela GVT, vendendo ativos, como sua operação na Argentina, e a venda de suas torres de celular aqui no Brasil. Do ponto de vista dos analistas da Telecom Italia, uma consolidação do setor de telefonia brasileiro poderia solucionar dois pontos:

  1. Em eventual venda da TIM, a sua controladora teria condições de reduzir seu endividamento por meio do fortalecimento de seu caixa com o valor recebido; ou
  2. em um processo de fusão, a TIM teria uma perspectiva melhor, de se tornar uma operadora integrada, além de se beneficiar com o aumento de suas receitas.

Atenta a essas dois pontos está a Oi, que pretende participar de um ou outro - compra de participação da TIM, ou fusão com a mesma. A Telecom Italia parece estar mais disposta a uma fusão com a Oi, tanto é que autorizou a diretoria do companhia a analisar de forma aprofundada uma possível integração com o Grupo Oi.

A Oi diz que do ponto de vista das operadoras, uma consolidação do setor por aqui seria fundamental para reduzir custos, e aumentar o retorno dos investimentos. Segundo a operadora, comparado a outros países do mundo, o mercado brasileiro possui um dos maiores investimentos por cliente de telefonia móvel do mundo. Enquanto o investimento médio por cliente é de US$ 5 na Índia, US$ 27 na África e US$ 52 na América Latina (sem contar o Brasil), no mercado brasileiro as empresas de telecomunicação gastam em média US$ 78 por cliente para manter as suas redes funcionando. Além disso, a Oi aponta que a alta tributação do governo aliada a grande extensão geográfica do país tornam o investimento médio das empresas mais alto que o de outras nações.

Em contraste, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) das companhias de telefonia móvel brasileiras está entre os mais baixos do planeta, com um valor média de 31%, versus 37% na América Latina (sem contar o Brasil), 38% nos países emergentes e de 39% nos países desenvolvidos, afirma a Oi. Contando com tudo isso, fica difícil para as empresas se manterem no mercado sem dívidas.

A consolidação (ou concentração) de mercado traria portanto mais força para os grupos brasileiros, que poderiam ter uma maior capacidade de oferta de serviços integrados, com menor duplicidade de investimentos.

Além de tudo o que já foi mencionado, a Oi afirma que um fator que também pesa para que ela participe de um processo de consolidação no mercado brasileiro, é a sua situação financeira, que vem apresentando piora nos resultados a cada trimestre. Ela está colocando um plano de redução de custos, como a venda de suas torres de telecomunicações e imóveis. No entanto, a aquisição ou combinação com outra operadora se torna, hoje, a melhor alternativa para a Oi. Nenhuma alternativa no mercado português teria um impacto melhor do que os efeitos gerados por um processo de consolidação do mercado brasileiro, afirma a própria.

Para isso, o processo de venda da PT, em Portugal, torna-se necessário para que a Oi consiga colocar em prática esse plano de consolidação na sua terra. Segundo ela, mesmo se vendesse os seus ativos não estratégicos, tanto no Brasil quanto em Portugal, só conseguiria arrecadar entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões, insuficiente para seus projetos. Foi aí que apareceram as oportunidades de venda da Portugal Telecom, com vários empresários oferecendo propostas para aquisição da companhia portuguesa, dentre elas a Altice, Apax Partners, Bain Capital e os Correios de Portugal S.A. Essas propostas parecem ter vindo no momento certo.




Com a venda da PT Portugal à Altice, porém, a operadora receberá algo em torno de R$ 30 bilhões, valor ótimo para reduzir seu endividamento, ou apostar no processo de consolidação no Brasil, como foi tanto citado pela empresa nesse comunicado.

O que fazer com o dinheiro da Altice será decidido pelo Conselho de Administração da Oi futuramente, logo depois da reunião em que os acionistas da Portugal Telecom decidirão se vale a pena ou não fazer o que a Oi acha melhor que seja feito.

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