sábado, 11 de outubro de 2014

Fusão entre Portugal Telecom e Oi enfrenta sérios riscos

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Acordo anunciado em outubro de 2013 está passando por momentos muito conturbados e põe em dúvida futuro das companhias.


O pedido de falência de duas das empresas do grupo português Espírito Santo (GES) aumentou a percepção do mercado de que a Oi - em processo de fusão com a Portugal Telecom (PT) - não receberá os quase R$ 3 bilhões referentes a títulos não pagos pelo GES, dono de 10% da PT. Numa semana marcada pela renúncia do principal executivo da companhia brasileira, Zeinal Bava, responsável por orquestrar a união entre as operadoras, o mercado reagiu com pessimismo: a Oi perdeu quase 1/5 de seu valor de mercado, ou R$ 2,8 bilhões, para R$ 11,6 bilhões.


Já a PT - como espelho da Oi - também foi arrastada, ficou 14,1% menor, fechando esta quinta-feira (09) com valor de R$ 3,84 bilhões. São os menores patamares da história das duas empresas. Somente ontem, os papéis preferenciais (sem voto) da Oi recuaram 13,1%. As ações ordinárias (com voto) caíram 10,63%.


Ontem, a Espírito Santo Financial Group (ESFG) e sua subsidiária Espírito Santo Financial (Esfil) informaram que vão entrar com pedido de falência após a Justiça de Luxemburgo ter recusado o pedido de recuperação judicial das empresas. A ESFG é controlada pela RioForte, empresa responsável por um calote de R$ 3 bilhões na Oi. Por isso, especialistas acreditam que a RioForte pode ser forçada a pedir falência.

"É um cenário muito pior. Agora, a Justiça vai definir a venda de ativos das empresas para que elas honrem as suas dívidas com credores", disse Paulo Fabbriani, da Fabbriani Investments.

Com os R$ 3 bilhões dados como perdidos, a Oi, segundo uma fonte do setor, está prestes a anunciar que está em negociações com a francesa Altice para a venda de suas operações em Portugal, o que pode lhe render cerca de R$ 19 bilhões. Há interesse em vender também ativos na África.

"Não há esperança em reaver esse dinheiro. A Oi precisa vender ativos. A fusão entre Oi e PT vai chegar ao final diferente do que foi planejada", disse uma fonte.

Para uma fonte do governo, a Oi tem de dois a três anos para equacionar o nível elevado de endividamento, mesmo sem atuar nos mercados mais rentáveis.


Governo brasileiro passa a considerar fusão entre Oi e TIM para consolidar mercado


As turbulências administrativas da Oi, demonstradas esta semana pela saída do presidente Zeinal Bava, acenderam a luz amarela na Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), sinalizando um possível futuro de redução de quatro para três operadoras no cenário da telefonia nacional.

Segundo a agência de notícias Reuters, a frágil situação financeira da Oi, as dificuldades na fusão com a Portugal Telecom e a perda recente de Bava, frente ao movimento agressivo de outras operadoras para se consolidarem no mercado, podem indicar esta direção.

Conforme fontes ouvidas, uma venda da Oi para a TIM, ou mesmo uma fusão entre as duas, começa a ser mencionada entre integrantes do governo federal.

Para eles, esta seria a saída para as duas operadoras, menores em poder de investimento frente às gigantes Vivo (da espanhola Telefónica) e Claro (do grupo mexicano América Móvil) para ter o dinheiro e recursos necessários para manter a competitividade.

A partir da compra da Brasil Telecom durante o governo Lula, a Oi foi uma das chamadas "campeãs nacionais". O objetivo era criar uma empresa forte o suficiente para competir com gigantes internacionais.


Para se recuperar e colocar o caixa em dia, a Oi avalia a venda de ativos da PT em Portugal e a participação da operadora européia em telecoms na África, o que poderia render cerca de US$ 10 bilhões à empresa, segundo avaliação de bancos.

Segundo fontes, os sócios brasileiros da Oi, Andrade Gutiérrez e La Fonte, estão mais engajados no dia a dia da companhia, acompanhando as negociações para vender ativos que já não são tidos como principais.

"Eles estão mais agressivos, porque a pressão do cenário concorrencial é muito grande", disse uma das fontes. Entretanto, para especialistas, nenhuma movimentação deve ser precipitada e feita antes do ano que vem, quando inicia um novo mandato presidencial.

Mesmo assim, o cenário é crítico para a operadora, que tem uma dívida líquida de R$ 46 bilhões, por custos relacionados aos seus negócios de telefonia fixa e por rivais fortalecidos em banda larga fixa, TV paga e telefonia móvel.

Mesmo no vermelho, a Oi pediu ao BTG Pactual para avaliar a aquisição da TIM, uma aquisição ainda na mira caso a empresa consiga vender seus ativos.

De acordo com Luigi Minerva, a Anatel não é completamente avessa à ideia de ter três concorrentes no mercado. Em outros mercados latino-americanos, como Argentina e Chile, três operadoras formam o cenário principal.

"O principal objetivo seria garantir que os três grupos resultantes sejam fortes, com capacidade de investimento e competitividade", destacou.

Oi garante que fusão com a Portugal Telecom está mantida

A operadora Oi (OIBR4) terá papel de "protagonista" no processo de consolidação do mercado brasileiro de telecomunicações, disse nesta quinta-feira o presidente interino da empresa há dois dias, Bayard Gontijo, evitando comentar se esse papel será de compradora ou alvo de aquisição.

Em um dia em que as ações da companhia desabaram mais de 10% na BM&FBovespa, Gontijo declarou que a fusão da Oi com a Portugal Telecom não será desfeita, após a saída do presidente-executivo Zeinal Bava na terça-feira (07). Bava era considerado um dos arquitetos da união das duas companhias, que tem entre os objetivos reduzir o endividamento da Oi.

"Somos protagonistas no processo de consolidação no mercado brasileiro", disse Gontijo. "O BTG Pactual foi contratado como comissário mercantil e está trabalhando ativamente nesse projeto para apresentar alternativas adequadas que viabilizem a consolidação no Brasil", completou. A Oi contratou o BTG Pactual em setembro para analisar uma possível oferta conjunta pela TIM com a América Móvil.

"Pode ser que, para viabilizar essa consolidação, tenhamos que passar por venda de ativos da Oi e dos ativos que vieram junto", declarou, referindo-se aos ativos da Portugal Telecom.

De acordo com Gontijo, a redução de quatro para três grupos principais de telecomunicações no Brasil poderá trazer sinergias significativas, com incremento de margens para as operadoras. "A consolidação sem a Oi não acontece. A Oi é fundamental para a consolidação acontecer", declarou.

O executivo, no entanto, não informou se já existem negociações em andamento. "Enquanto falamos, o BTG está trabalhando neste momento no processo, ativamente. Uma das responsabilidades (do BTG) é apresentar financiamento adequado."

Gontijo reafirmou que a empresa pretende vender os ativos da Africatel, que reúne todas as operações africanas do grupo. Esses ativos são registrados no balanço da Oi como valendo R$ 4 bilhões e, segundo o executivo, o processo de venda "está ocorrendo normalmente".

De acordo com Gontijo, a entrada da Oi no Novo Mercado, segmento com regras mais rígidas de governança corporativa da BM&FBovespa, é fundamental para a empresa e ocorrerá até o primeiro trimestre de 2015.

Sobre a dívida elevada da companhia, que chegou a R$ 46 bilhões no segundo trimestre, o executivo disse que será combatida no curto e no médio prazos. "A companhia está em processo de recuperação operacional. Leva um tempo, não é da noite para o dia", disse, repetindo discurso proferido por seus antecessores. "Enquanto estamos nesse processo de reestruturação, vamos vender ativos para manter endividamento controlado. Temos ativos que nos permitem comprar esse tempo."

Segundo ele, a reestruturação operacional tem que gerar retorno para iniciar processo de "desalavancagem orgânica", que pode ser potencializado com uma eventual consolidação no Brasil.

Os membros do conselho de administração da Oi, Otávio Azevedo (da Andrade Gutiérrez, acionista controlador da Oi) e José Mauro Cunha, que chegou a ocupar a presidência da companhia no início do ano passado, enviaram comunicado nesta quinta-feira no qual manifestaram "integral apoio" a Gontijo como presidente da Oi.

O comunicado afirmou que Bayard foi escolhido para liderar a companhia nos desafios que estão postos: realizar a transição para o Novo Mercado, reduzir o endividamento e continuar crescendo. A mensagem foi enviada apenas depois que a Oi perdeu os R$ 2,8 bilhões em valor de mercado desde o anúncio da saída de Bava da presidência.

"Na terça teve a renúncia do CEO, isso traz incerteza sobre a gestão da empresa. Quanto mais incerteza, mais risco existe e o papel é penalizado. A empresa acabou de fazer fusão, em um setor em processo de consolidação [...] os investidores tendem a ficar mais cautelosos", disse o analista da XP Investimentos Ricardo Kim.

Francesa Altice quer comprar a Portugal Telecom

A Ongoing vai reunir-se na próxima semana com o grupo francês Altice que quer comprar a Portugal Telecom, detida pela brasileira Oi, disse uma fonte próxima da empresa. A Ongoing é uma das principais acionistas da PT SGPS, detendo através da RS Holding 10,05% do capital da empresa portuguesa, que engloba os acionistas portugueses na Oi.

"A Altice pediu para falar na próxima semana e a Ongoing quer ouvir, para depois poder tomar uma decisão, se existir uma proposta concreta", adiantou a mesma fonte.

Questionada sobre se a Ongoing está disponível para aceitar a compra da PT pela multinacional francesa, a mesma fonte afirmou que ainda não pode pronunciar-se, uma vez que ainda não recebeu uma proposta concreta. "Pode ser ótimo ou péssimo, depende da solução e de quais as intenções", disse.

Na quinta-feira, uma fonte ligada à eventual aquisição da PT pelo grupo francês Altice adiantou que a multinacional já se encontrou com os acionistas brasileiros e portugueses da Oi, entre os quais o Novo Banco (com 10,06% do capital da PT SGPS), e abordou o eventual preço da PT.


A Portugal Telecom passou a ser controlada pela Oi, no âmbito da fusão entre a PT e a operadora brasileira.

As reuniões em Portugal decorreram esta semana, com encontros com o vice-primeiro-ministro português, Paulo Portas, e a nova equipe de gestão do Novo Banco. A mesma fonte adiantou que a Altice está pronta para comprar a PT, bastando apenas para tal uma chamada telefônica com o "OK" da Oi.

"A Altice está a contatar os principais acionistas, quer brasileiros, quer portugueses", disse a fonte, acrescentando que estes últimos "têm consciência de que não controlam o ativo nem o seu destino, são inteligentes e percebem que no final do dia é preferível vender a PT Portugal e que esta é uma questão financeira".

A mesma fonte adiantou ainda que, em caso de compra, a empresa "será portuguesa e gerida por portugueses".

Reconhecendo que este ativo "é muito estratégico e emocional", a mesma fonte esclareceu que a Altice pretende entrar pacificamente no mercado português, evitando qualquer tipo de conflito com acionistas, como o Novo Banco e a Ongoing.

Zeinal Bava pode fazer parte do Grupo América Móvil



Por falar em todo o processo de união entre operadora brasileira (Oi) e portuguesa (Portugal Telecom) e a saída de Zeinal Bava do cargo de presidente da operadora brasileira, é bom que você saiba qual deve ser o futuro do executivo. Zeinal Bava deixou a presidência executiva da Oi com um pacote de benefícios que lhe garante o pagamento de 5,4 milhões de euros em 36 parcelas de 150 mil euros.

Mas se os acionistas da Oi dizem ter perdido a confiança em Bava, o bilionário mexicano Carlos Slim, que detém a América Móvil (Claro, NET e Embratel no Brasil) parece não ter a mesma opinião que os brasileiros. Hoje, o jornalístico português Sol informou que o gestor, que assumiu o cargo na Oi em junho de 2013, poderá ter como opção trabalhar agora com o magnata.

No entanto, tudo dependerá das cláusulas de impedimento que constarem no acordo de rescisão com a Oi. Até porque uma fonte próxima das negociações entre Bava e os principais acionistas da Oi disse ao jornal Valor Econômico que o gestor não poderá assumir qualquer cargo no setor das telecomunicações durante os próximos três anos.

Com informações de Jornal do Comércio, Baguete, InfoMoney, Reuters, Valor Econômico e jornais portugueses.

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