domingo, 26 de outubro de 2014

Embratel e NET apresentam prejuízo milionário no 3º trimestre

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Espera-se um desempenho melhor no mesmo período do ano que vem, com a união entre as empresas do grupo América Móvil numa só empresa.

Embratel e Net, empresas do grupo América Móvil no Brasil, registraram prejuízos no terceiro trimestre, pressionadas pelo resultado financeiro no período, informaram as companhias na semana passada, em relatórios separados.

No caso da Embratel, que oferece serviços de dados para o mercado corporativo, o prejuízo foi de R$ 379,4 milhões no terceiro trimestre, frente a resultado positivo de R$ 26,6 milhões no mesmo período do ano passado.

O resultado financeiro foi negativo em R$ 538,7 milhões, frente a resultado negativo de R$ 201,3 milhões no mesmo período do ano passado.

O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 1,48 bilhão, alta de 12,2% na comparação anual.

A receita líquida foi de R$ 5,94 bilhões, crescimento de 10,7% ano contra ano. Segundo a empresa, as receitas foram impulsionadas pelo crescimento de 15,2% da TV paga e de 13,5% de comunicação de dados.


A implementação desta operação envolverá a incorporação da Embrapar, da Embratel e da NET pela Claro, disse a empresa.

A operadora de banda larga e TV paga NET informou por sua vez que teve prejuízo de R$ 44,8 milhões no terceiro trimestre, frente a um resultado positivo de R$ 45,5 milhões no mesmo período do ano passado.

Segundo a empresa, o resultado foi afetado pela desvalorização do real em relação ao dólar e pelos efeitos da adesão ao Programa de Recuperação Fiscal (Refis) no trimestre.

A receita líquida subiu 21%, para R$ 2,98 bilhões, decorrente do avanço da base de assinantes.

O Ebitda foi de R$ 889 milhões, crescimento de 31,3% ano a ano.

União entre Claro, Embratel e NET deve ser concluída em 2015

Embora não esteja entrando em consolidação com outra operadora brasileira, a América Móvil passa atualmente por outro processo de junção de negócios, só que interno: a integração das empresas Claro, Embratel e Net. O CEO do grupo mexicano, Daniel Haaj, ressaltou que todos os negócios serão um só em 2015, e que isso já está começando a funcionar de forma proveitosa. "Acabamos de voltar do Brasil e estamos muito felizes", disse ele em conferência com analistas.

Haaj destaca o desempenho dos negócios fixos e afirma estar "pegando embalo" com a Claro em serviços móveis. "Estamos já finalizando a consolidação das três companhias, no ano que vem vamos ver uma companhia só no Brasil, temos autorização e estamos trabalhando nisso. A integração está funcionando no caminho certo, estamos economizando talvez dois pontos (na margem) do EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e achamos que poderemos ter margem melhor no ano que vem", declarou. O processo, ele explica, também faz parte do plano da América Móvil para toda a América Latina de cortar custos e melhorar a eficiência e lucratividade.

Mesmo mostrando-se otimista e prevendo sinergias e um desempenho melhor para 2015, Daniel Haaj acabou não respondendo diretamente à pergunta sobre oportunidades de cross-selling no País. Atualmente, no entanto, a Net já oferece vantagens para consumidores que optarem por inclusão de planos móveis da Claro, e a tendência é de haver também mais interações, em especial com operação de TV paga por satélite da Claro TV.

A Anatel aprovou a integração dos negócios em julho, quando foi revelada a condição de a Claro ter que abrir capital. O grupo segue operando no Brasil com empresas distintas por enquanto: a Embratel fica responsável pelos serviços corporativos, a Net fica responsável pelos serviços fixos ao consumidor final e a Claro fica com os serviços móveis, inclusive com a operação de DTH, que antes era de responsabilidade da Embratel.

Minoritários não gostaram da ideia

A Tempo Capital entrou com uma ação pedindo a suspensão da incorporação da Net pela Claro, operação que faz parte da estratégia de integração das operações da América Móvil, do bilionário Carlos Slim, no Brasil. Acionista da Net, a gestora avalia que a operação implicará, na prática, o fechamento de capital velado da companhia. Diante disso, pede que a Justiça obrigue a Net e suas controladoras Embratel e Embrapar a realizar uma oferta pública de aquisição de ações (OPA) para cancelar o registro de companhia aberta da empresa.

Maior acionista minoritária da Net, a Tempo Capital tem uma fatia de 19,32% das ações da companhia em circulação no mercado. A posição é avaliada em R$ 25 milhões, a preços de mercado.

Como já informamos acima, em 1º de agosto a Embrapar e a Net publicaram um fato relevante informando que a Anatel havia aprovado a reestruturação societária do grupo, que tem como etapa final a incorporação da Net, da Embrapar e da Embratel pela Claro. Segundo o comunicado, como a Claro e a Telmex (que vai incorporar a participação de acionistas da Embrapar) não terão capital aberto em bolsa, os acionistas da Net terão direito de recesso, ou seja, de deixar a companhia mediante o reembolso do valor das suas ações.

Na petição encaminhada na quarta-feira à 8ª Vara Cível do foro regional de Santo Amaro, em São Paulo, os advogados da Tempo afirmam que a operação de incorporação da Net pela Claro é uma manobra para burlar o direito dos minoritários em uma operação de fechamento de capital.

"Na essência (...) o que se busca é forçar o fechamento de capital da Embrapar com a consequente expulsão dos minoritários a preço vil e sem que lhes seja assegurado as prerrogativas e direitos de que tratam o regime de fechamento de capital", diz o documento assinado pelo escritório Marlan Marinho Jr. Advogados.

Em 2012 a Embratel tentou fechar o capital da Net, mas desistiu diante da resistência dos minoritários em aceitar o preço proposto por ação na OPA para tirar a subsidiária da BM&FBovespa. Os acionistas chegaram a pedir um segundo laudo de avaliação para comprovar que o valor oferecido não era justo.

A Tempo diz que como a maioria dos acionistas da Net não quer ou não pode migrar para uma companhia sem ações em bolsa, a única saída seria aderir ao recesso. No entanto, classifica como "vil" o preço proposto para a retirada: R$ 32,77 por ação de emissão da Net, independente de espécie ou classe. Segundo a gestora, ele é R$ 30 inferior ao valor da ação em 31 de julho (de R$ 63), véspera da divulgação do fato relevante que autorizou o recesso.

Os acionistas querem fazer valer o artigo 4º da Lei das Sociedades Anônimas. Pelo dispositivo, os minoritários que representem, ao menos 10% do capital social, podem requerer a convocação de uma assembleia geral extraordinária (AGE) para deliberar sobre um novo laudo de avaliação das ações, uma forma de brigar pelo que consideram o "valor justo" por sua saída. Procuradas, Embratel e Net não quiseram comentar o caso.

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Com informações de Reuters, Teletime e Agência Estado.

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