quinta-feira, 3 de julho de 2014

Livre da Oi, Contax está em busca de novas operadoras como clientes

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Com a Oi fora de sua controladoria, Contax não quer depender tanto da operadora de telefonia que representa atualmente 35 por cento de sua receita. Na foto: Central de Atendimento da Contax em Recife.

A Contax, maior operadora de call center do Brasil, inicia uma nova fase de expansão. A companhia encerrou sua reestruturação societária em abril, com a saída da Portugal Telecom do bloco de controle da holding CTX Participações.

Antes mesmo de ficar livre das amarras do grupo português, principal acionista da Oi, a Contax já havia iniciado conversas com outras operadoras de telecomunicações para atraí-las para sua carteira. Isso porque havia restrições do setor para não comprar serviços de uma empresa concorrente. 

A expectativa da direção da Contax, agora, é dobrar a participação de telecomunicações em rua receita.

Em abril, a Portugal Telecom trocou suas ações da Contax com os grupos Andrade Gutierrez (AG) e Jereissati. A Jereissati Telecom controla a LF Tel S.A., que tinha participação no bloco de controle da CTX Participações. 

O controle da Contax passou a ser exercido pelos grupos AG e LF, em conjunto com outro acionista, a Fundação Atlântico de Seguridade Social, que não participou da operação.

As ações ordinárias e preferenciais da CTX representam 27,45% do capital total da holding. Desse volume, a AG e a LF passaram a deter 89,82%. Na prática, a CTX continua a deter a mesma participação de capital do grupo Contax, porém sem a presença direta ou indireta da Portugal Telecom. 

A operadora aproveitou a venda das ações para injetar os recursos no aumento de capital da Oi, em abril. Com a saída da Portugal Telecom, a Oi tornou-se apenas um cliente da Contax com contrato regido por cláusulas comerciais.

"Agora, nenhum cliente tem vínculo societário conosco e os dois grupos que nos controlam também não são mais controladores da Oi", disse o presidente da Contax, Carlos Henrique Zanvettor. 

Vale ressaltar que depois do aumento de capital da Oi, a Portugal Telecom transformou-se no maior acionista individual da operadora brasileira, com fatia de 32%. Oi e Portugal Telecom estão em processo de fusão, que resultará em uma companhia sem controlador definido.

Ainda assim, a Oi é o principal cliente da Contax e representa cerca de 35% de sua receita, por meio de uma série de contratos, cenário que o executivo pretende mudar.

Um dos motivos de seu otimismo é que anteriormente, devido ao vínculo societário com a Portugal Telecom, a Contax não conseguia prestar serviços a outras operadoras de telecomunicações, pois havia restrições do setor. 

Trata-se de uma política de não comprar serviços de uma empresa concorrente. Agora, o grupo ficou autônomo e a restrição caiu. Com isso, Zanvettor calcula que poderá dobrar o portfólio de grandes operadoras em sua carteira. 

Já entraram duas delas, afirmou, sem revelar os nomes. Como TIM e Claro ainda não fizeram contrato com a companhia, é fácil deduzir que a conquista se refere à Nextel ou a Telefônica/Vivo. 

Procurada, a Vivo confirmou que tem contrato com a companhia.

Há alguns meses, à espera do fim do vínculo societário com o grupo português, a Contax iniciou conversas com operadoras na América do Sul que têm atuação no Brasil, tanto de telecomunicações quanto de cabo (mídia e TV por assinatura). 

Com esse vínculo formalmente desfeito desde abril, a Contax reforçou sua estratégia de avanço no mercado de telecomunicações. 

"Ficamos livres de qualquer tipo de amarras, não existe mais qualquer possibilidade de conflito", afirmou Zanvettor.

A Contax tem quase 100 clientes, entre operadoras de telecomunicações, bancos, empresas de cabos, área de saúde, companhias aéreas e varejistas. 

O setor financeiro representa cerca de um terço dos negócios da empresa; telecomunicações, cerca de 40%; TV por assinatura, 20%, em média, com o restante dividido entre os demais setores.

O grupo já está internacionalizado. Presta serviços para oito países, sendo que opera em quatro deles. Segundo Zanvettor, a Contax é a maior empresa no Brasil e na Colômbia, e a segunda na Argentina e no Peru. 

As receitas geradas nesses países já representam 22% do total do grupo e continuam crescendo. Há quatro anos, o índice era inferior a 10%. "É natural que a empresa atue na América Latina, pela localização geográfica e facilidade do idioma, embora já tenha atendimentos em francês e inglês [...] Devemos crescer na América espanhola, não temos planos ainda para outros continentes", disse o executivo. 

O português representa 78% do atendimento e o espanhol, 20%. 

Devido ao crescimento menor da economia na Argentina e no Brasil, a gestão é mais defensiva nesses mercados, comparada a outros países, como Colômbia, Peru e Chile, segundo Zanvettor. 

Assim, em 2012 a companhia começou a selecionar portfólio de clientes no Brasil e decidiu descontinuar contratos não rentáveis, processo concluído em 2013. O executivo disse que o volume de contratos removidos equivale a 12% a 13% em reais.

Esse ciclo acabou. A empresa não está mais "demitindo" clientes, afirmou Zanvettor. Agora se concentra em investimento para preparar a empresa para crescimento. 

Está construindo cinco prédios que funcionarão como sites de operação. A meta para seis sites é construir 12 mil estações de trabalho e empregar 19 mil pessoas. Cerca de metade desse pessoal virá de transferências entre áreas geográficas do país. A empresa está reduzindo a atuação onde falta mão de obra para reforçar onde tem alta demanda de pessoal.

A Contax investiu R$ 180 milhões no ano passado, dois terços dos quais em tecnologia da informação e comunicação. O restante foi direcionado à ambientação física dos call centers. 

Conforme ganha produtividade, o contrato, que é de remuneração variável [atrelado a metas de volume de serviços e qualidade], se auto-ajusta com os clientes empresariais. A remuneração variável e a fixa representam cerca de 50% da receita cada.

Entre os planos está o compromisso de listagem no Novo Mercado até 2018. A listagem no Nível 2 da Bovespa ocorreu no ano passado. Um dos passos para chegar ao Novo Mercado era ter uma estrutura de controle independente de qualquer cliente. Por isso, a saída da Portugal Telecom era considerada importante.

A Contax foi criada como cisão da Telemar em 2000. Em 2005 surgiu a Contax com operação listada na BM&FBovespa. Na época, atuava basicamente para atender a Telemar/Oi. Em 2009 foi criada a holding CTX Participações, que passou a controlar a Contax, separada do bloco de controle da Oi. 

Quatro empresas integravam a holding: os grupos Andrade Gutierrez (AG) e Jereissati, a Fundação Atlântico e a Portugal Telecom.

Com informações de Baguete e Valor.

3 comentários:

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  3. Fui colaborador Contax antes mesmo de sua fundação. Entrei como estagiário TELEMAR em 1999, participei da migração para OI, que em pouco tempo migrou para CONTAX. Passei 12 anos da minha vida profissional na CONTAX, apesar de ter pressão por resultados e regras voltadas para o alcance desses resultados, e menos para o bem estar dos funcionários, aprendi e evolui muito como profissional através dessa empresa, só não cresci mais profissionalmente devido a superiores tendenciosos em beneficiar os apadrinhados...agradeço muito aos companheiros, coordenadores, gerentes e aos parceiros Oi dessas empresas em que passei(TELEMAR, Oi e Contax).

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