quinta-feira, 17 de abril de 2014

Telecom Itália muda direção e deixa Telefônica "calada"

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Renovação da diretoria deixa pequenos acionistas mais aliviados por manter a Vivo longe da TIM, pelo menos por enquanto.


Os acionistas da Telecom Itália (controladora da TIM) elegeram ontem Giuseppe Recchi como presidente do Conselho, em uma renovação que nomeou, pela primeira vez, diretores independentes para supervisionar o grupo de telecomunicações.

As mudanças, que asseguraram que o Conselho não tivesse executivos da Telefônica (controladora da Vivo), maior acionista da companhia, foram bem recebidas pelos investidores minoritários preocupados com um possível conflito de interesses porque as empresas espanhola e italiana operam como concorrentes no Brasil.

A medida também teve como objetivo auxiliar o presidente-executivo Marco Patuano a dar foco ao avanço do grupo, cuja dívida líquida de quase 27 bilhões de euros (37 bilhões de dólares) chega a quase três vezes o lucro do seu negócio principal.

Recchi, ex-executivo da General Electric e presidente do Conselho do grupo petrolífero Eni, ganhou 97% dos votos.

Recchi foi o candidato apresentado pela Telco, grupo liderado pela Telefônica que detém 22,4% da empresa italiana, embora não tenha laços com o conglomerado, sendo, portanto, um presidente independente.

O conselho da Telecom Itália foi por anos dominado pela Telco. A falta de uma representação adequada para os investidores minoritários levou a um motim no ano passado, a fim de provocar mudanças no Conselho.

Temendo mais tumultos, a Telco propôs um novo grupo no mês passado, liderada por executivos independentes como Recchi.

Patuano enfrenta escolhas difíceis sobre a futura estratégia do grupo no Brasil, um mercado que deverá passar por consolidação e onde sua subsidiária TIM Brasil concorre diretamente com a subsidiária da Telefônica, a Vivo.

Fontes próximas à Telefônica disseram que o grupo quer dividir a TIM Brasil e dividir seus ativos com outras empresas. O empresário italiano Marco Fossati, que é o segundo maior acionista da Telecom Itália com fatia de 5%, se manifestou contra a ideia e sugeriu combinar a TIM Brasil com a operadora de banda larga GVT, uma subsidiária da francesa Vivendi.

A reformulação no conselho da Telecom Itália deve permitir que o presidente-executivo da companhia, Marco Patuano, foque na renovação de operações domésticas do grupo e dará à espanhola Telefônica mais tempo para negociar uma possível oferta conjunta com outras operadoras brasileiras envolvendo a TIM. As afirmações foram feitas por fontes próximas da situação, tendo em vista a assembleia da Telecom Itália marcada para 16 de abril.

A Telecom Itália precisa investir pesado para atualizar sua rede na Itália e capturar uma demanda crescente por banda larga ao mesmo tempo em que busca reduzir dívida líquida de quase três vezes o lucro e enfrenta rivais como a Vodafone, que tem muito dinheiro em caixa.

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