sábado, 15 de fevereiro de 2014

Para TIM, leilão do 700 MHz exigirá 'regras muito claras'

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Em teleconferência de resultados do 4º trimestre, realizada nesta sexta-feira (14), o presidente da TIM Brasil, Rodrigo Abreu, sustentou que não há como acontecer o leilão da faixa de 700 MHz (previsto pelo governo para agosto) sem que os custos de limpeza (referindo-se à indenização prevista para ser paga aos radiodifusores) não estejam absolutamente estabelecidos e 'colocados no papel'. Também lembrou que há questões técnicas de interferências não resolvidas e que podem interferir na realização do processo. 

Abreu sustentou que o uso da faixa de 700 Mhz é importante para a oferta da banda larga móvel, mas frisou que todas as questões para a sua utilização precisam estar 'transparentes e muito claras'. "Temos que saber se o leilão vai pelo preço da licença para o governo, se haverá contrapartidas impostas à sua aquisição, enfim, há muitos pontos que precisam ser esclarecidos para a revelação de um real interesse", colocou.

Segundo ainda o presidente da TIM Brasi, é essencial, por exemplo, que o custo financeiro da 'limpeza' da faixa (responsabilidade imposta às teles pela Anatel) esteja 'mitigado e estabelecido para evitar surpresas futuras'. Sobre o compartilhamento de infraestrutura em 700 MHz, o executivo diz que é prematuro falar. "O compartilhamento é uma realidade no 3G e no 4G, mas temos que avaliar todas as condições do uso da nova faixa. É bom lembrar que haverá uma sobreposição do 2,5Ghz, onde já há serviço, e o 700 Mhz", sustentou.

Abreu lembrou que há, sim, questões técnicas envolvendo o uso da faixa. "Ha estudos que mostram isso e precisamos ter tudo muito bem esclarecido porque é um investimento financeiro importante", disse. Diante de tantas 'incertezas', o presidente da TIM Brasil foi reticente com relação à realização do leilão num ritmo tão rápido como o pretendido pelo governo. O novo cronograma da Anatel para a realização do leilão 700 Mhz prevê o lançamento da consulta pública do edital em abril; a publicação do edital em julho e o certame aconteceria em agosto.

RAN sharing em 700 MHz

A implementação das redes 4G na frequência de 2,5 GHz no Brasil trouxe uma novidade para o setor de telecom nacional: o compartilhamento de equipamentos ativos de rede entre as teles. Foram formadas duplas para compartilharem as redes: Claro com Vivo e TIM com Oi. Apesar do sucesso até agora das experiências, o presidente da TIM, Rodrigo Abreu, considera que ainda é cedo para garantir que elas vão ser replicadas na faixa de 700 MHz, cujo leilão é esperado para este ano.

Em teleconferência para jornalistas e analistas financeiros nesta sexta-feira, 14, o executivo destacou duas incertezas relativas ao leilão de 700 MHz que atrasam o planejamento estratégico das teles para essa faixa, o que inclui a decisão sobre RAN sharing. A primeira delas diz respeito às contrapartidas: ainda não está decidido se haverá e quais serão as contrapartidas exigidas pelo governo para os vencedores do leilão. Pelo que apurou este noticiário, há uma preferência dentro do governo por um leilão sem contrapartidas, para aumentar a arrecadação.

A segunda dúvida se refere à interferência do 4G com os serviços de radiodifusão que operam na mesma faixa. Nesta semana, foi divulgada uma pesquisa da SET que indica problemas na convivência entre as duas redes. "Ainda existem testes em andamento sobre a interferência entre radiodifusão e banda larga móvel em 700 MHz. Esse é o principal ofensor para o leilão acontecer até o meio do ano", avalia Abreu.

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