terça-feira, 20 de agosto de 2013

Presidente da Oi - Novo plano para a Oi vai convencer cépticos

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O presidente da Oi S.A., Zeinal Bava, que está enfrentando os piores ratings dos analistas na indústria de telefonia do Brasil, afirmou que conquistará os céticos melhorando a qualidade e reduzindo investimentos ao mesmo tempo.

As inesperadas perdas da companhia no último trimestre levaram o Bradesco BBI a cortar seu rating positivo, deixando o número de analistas que aconselham a compra de ações da Oi em 3 de 16. A Fitch Ratings cortou o rating da dívida da Oi mencionando “resultados operativos pobres e uma maior alavancagem líquida”.

Bava, de 47 anos, que é presidente há dois meses, está preservando o caixa reduzindo os melhores dividendos anuais da indústria em 75%, uma medida que fez com que as ações despencassem 10% na semana passada.

Seu próximo passo é reduzir o orçamento anual da Oi para despesas de capital abaixo de R$ 6 bilhões (US$ 2,52 bilhões), contrariando o conselho dos analistas, que afirmam que a companhia precisa investir mais em sua rede para se manter no mesmo nível dos concorrentes com muito dinheiro, como a Telefônica|Vivo SA e a América Móvil SAB.

A decisão de reduzir os gastos em investimentos na rede surpreendeu os analistas, pois as companhias de telecomunicações são de capital intensivo e precisam investir continuamente para acompanhar a tecnologia. A Telefônica (Vivo), com sede em Madri, investirá R$ 5,7 bilhões em despesas de capital neste ano. A América Móvil (Claro, Net e Embratel), com sede na Cidade do México, que não fornece orçamento para países individualmente, investirá US$ 10 bilhões na América Latina. O Brasil é o seu maior mercado depois do México.

Como a Oi é o maior fornecedor de linhas telefônicas fixas do Brasil, com serviços para 4.500 municípios, sua rede requer mais atenção e manutenção que a dos concorrentes, que abrangem apenas algumas partes do país com conexões fixas. O investimento atual da empresa em linhas fixas, de aproximadamente R$ 3 bilhões, é igual ao de 2010, “o que sugere um histórico de subutilização”, escreveram analistas da HSBC Holdings Plc dirigidos por Richard Dineen em um relatório do dia 17 de julho.

A redução dos investimentos e o pagamento de R$ 500 milhões por ano em dividendos de um orçamento anual anterior de R$ 2 bilhões ajudarão a Oi a fortalecer seu balanço, disse Bava.

“Contamos com uma equipe comprometida com a recuperação operacional da Oi”, disse Bava em entrevista por telefone do Rio de Janeiro. “O nosso plano é modificar o perfil do fluxo de caixa da companhia, consolidar o nosso modelo de negócios, melhorar a eficiência das operações e aumentar a receita”.

Desde que Francisco Valim deixou a presidência da Oi em janeiro, as ações da companhia desvalorizaram-se 50%, para R$ 3,89 hoje, comparado com um declínio de 16% do índice Ibovespa. Bava herdou uma companhia com problemas graves e que levarão anos para serem resolvidos, disse Andrés Medina-Mora, analista da Corporativo GBM SAB.

A receita cresceu 2,4% no segundo trimestre, para R$ 7,1 bilhões, segundo dados da Bloomberg. Os custos aumentaram 10% para R$ 5,3 bilhões porque as despesas ligadas a pessoal, marketing e inadimplência foram “enormes”, segundo Alex Pardellas, analista da CGD Securities, em entrevista por telefone do Rio de Janeiro. Pardellas recomenda comprar ações da Oi com um preço de R$ 8.

Enquanto a indústria em seu conjunto viu um aumento na inadimplência no último trimestre (a da Telefônica Brasil S.A. cresceu 26%) “o caso da Oi foi muito mais agressivo”, disse Medina Mora.

“O financiamento é destinado principalmente à expansão e à modernização de redes e sistemas, a melhoria constante da qualidade dos nossos serviços e do nosso atendimento ao cliente e à criação de soluções inovadoras”, afirmou a companhia num comunicado.

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