sábado, 10 de agosto de 2013

América Móvil desafia Telefônica e oferece 7,2 bilhões pela KPN

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A América Móvil, do bilionário mexicano Carlos Slim, desafiou a arquirrival Telefónica com uma oferta de 7,2 bilhões (cerca de R$ 21,84 bilhões) por 70% do grupo de telecomunicações holandês KPN. A fatia equivale ao restante do capital que a América Móvil ainda não possui na empresa da Holanda, o que daria a ela controle total da companhia.

No mês passado, a Telefónica da Espanha fez uma oferta de US$ 11 bilhões para comprar a joia da coroa da KPN, a E-Plus da Alemanha, tentando obstruir a investida da América Móvil na Europa.

A América Móvil e a Telefónica, juntas, controlam cerca de 60% das operações de telefonia móvel na América Latina. No Brasil, os grupos controlam as operadoras Claro e Vivo, respectivamente. A compra de participação acionária pela empresa mexicana na KPN e na Telekom Austria levaram sua rivalidade para a Europa, e a batalha deve continuar acirrada nos próximos meses.

As empresas europeias de telecomunicações estão sofrendo com um cenário de saturação dos mercados, com consumidores atingidos pela recessão econômica. Além disso, os altos custos para modernizar as redes de transmissão têm afetado os resultados das empresas. A situação difícil tem feito algumas das companhias a buscarem fusões.

A América Móvil ainda estuda a oferta da Telefónica pela E-Plus, que é apoiada pelo conselho da KPN. Mas pessoas próximas do caso disseram que a empresa de Carlos Slim considera a oferta baixa demais e passível de riscos regulatórios, alimentando especulações de que tentaria bloquear o negócio ou pressionar por um preço mais alto. A Telefónica comunicou ontem que sua oferta continua de pé e é "definitiva".

América Móvil e Telefónica têm sido rivais ferozes há anos na Europa e nas Américas, na disputa por ativos e licenças de transmissão. Um dos maiores casos foi a batalha por uma participação na Telecom Italia em 2007, vencida pela Telefónica.

Uma fonte da Telekom Austria disse que a América Móvil provavelmente faria uma oferta pelo resto dessa empresa também. Pela legislação austríaca, a empresa mexicana não pode oferecer menos que os 9,50 por ação que algumas fontes disseram que ela pagou no ano passado para comprar as ações na companhia do investidor Ronny Pecik.

A Telekom Austria não quis comentar o assunto. As ações da empresa fecharam em alta de 8,7%, em 5,726.

As ações da América Móvil, a maior companhia telefônica da América Latina, caíram 6% com a notícia da oferta pela KPN. O mercado se preocupa com a possibilidade de a negociação levar a um aumento na dívida da América Móvil, o que poderia afetar negativamente a avaliação da empresa por agências de classificação de risco.

Uma fonte da América Móvil disse que não poderia dar detalhes sobre o financiamento da oferta, dizendo que dependeria da aceitação dela.

"Ao declarar sua intenção de fazer uma oferta por toda a KPN, Slim na realidade diz à Telefónica que este negócio (E-Plus) não é suficientemente bom", afirmou uma fonte familiarizada com o assunto.

A Telefónica quer a E-Plus para fortalecer sua posição na Alemanha, maior economia da Europa, onde a empresa enfrenta as líderes de mercado Deutsche Telekom e Vodafone.

Veronica Romo, analista de telecomunicações no grupo financeiro Monex, do México, vê dois atrativos principais para Slim: a perspectiva de um bom negócio e a chance de evitar os regulamentos mais duros na região. Uma reforma radical no setor de telecomunicações no México paira sobre a posição dominante de Slim no país.

"Ele está procurando outros mercados onde possa continuar crescendo em função de questões regulatórias na América Latina, e a Europa é um mercado importante", disse Romo.

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