segunda-feira, 15 de julho de 2013

Seguro para celular é caro. Será que mesmo assim vale a pena?

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Com preços de smartphones ultrapassando a casa dos mil, dois mil e até três mil reais, os seguros para celular têm ganhado cada vez mais adeptos. Na TIM, a procura por esse tipo de produto cresceu mais de 500% no primeiro trimestre de 2013. Mas, ainda pesam na decisão do consumidor o preço do seguro, que chega a 54% do valor do aparelho (um seguro de carro considerado caríssimo não passa de 10%) e a falta de contrapartidas interessantes, já que a cobertura não inclui, por exemplo, furtos simples, nem reparação, em muitos casos.
Assim como no caso de automóveis, pode fazer sentido contratar o seguro para smartphones pela alta incidência de roubos e furtos que ocorrem no país. Uma pesquisa realizada pela F-Secure, companhia de softwares de segurança finlandesa, com 6.400 usuários de banda larga em 14 países, mostrou que 25% dos brasileiros afirmaram que já tiveram seus celulares roubados ou perdidos, contra uma média mundial de 11%. 
Mas, cabe ao consumidor avaliar se ele está disposto a pagar entre 8% a 54% (veja os custos no final da matéria) do valor do aparelho pelo seguro e se ele costuma expor seu celular ao risco ou não. 
“O seguro para celular é um produto que faz sentido, mas infelizmente, como há muitas fraudes praticadas pelos segurados, o prêmio é elevado, os pacotes são enxutos e em alguns casos o segurado não recebe o mesmo aparelho depois do sinistro”, explica João Cardoso, cofundador da corretora de seguros online TaClaro.
Diante dos altos preços, ele acredita que o seguro pode não ser vantajoso para alguém que não se expõe muito a riscos. “Como o prêmio é muito elevado, só compensa de fato se a pessoa correr um risco muito elevado, já que com o mesmo prêmio é possível fazer um seguro de residência”, diz.
O seguro contra roubo e furto para um iPhone 5 (vendido pela Vivo por R$ 1.649), sai por R$ 318 na Porto Seguro. E um seguro de residência com coberturas de incêndio, danos, roubo, vendaval e granizo e vidros quebrados da Zurich Seguros sai por R$ 300 (simulação feita na TaClaro). 
Por isso, antes de contratar um seguro, é preciso ler o seu contrato com cuidado para entender que tipo de cobertura ele oferece, qual é a indenização e se há cobrança de franquia.
Além disso, os preços praticados mostram que dependendo do valor do celular e da seguradora, o seguro pode sair mais ou menos caro em termos proporcionais. Na TIM, por exemplo, para um celular de R$ 200 o seguro custa 54% do aparelho, enquanto para um celular de R$ 2.500 o seguro pode ser mais vantajoso, pois equivale a 8% do valor do celular.
Leia a seguir algumas das principais características dos seguros para celulares e avalie se eles podem ser vantajosos para você:
Atualmente, os seguros para celular são comercializados principalmente pelas seguintes empresas: Vivo (por meio da seguradora Zurich) e TIM (por meio da seguradora Assurant Solutions), que vendem o seguro junto com a compra do celular nos próprios pontos de vendas das operadoras ou em seus sites; Porto Seguro, que vende o seguro diretamente no site; ou pela Mapfre, que vende o produto em redes varejistas, como Casas Bahia e Fast Shop.
As coberturas do seguro de roubo e furto oferecidas são muito semelhantes entre uma empresa e outra. Nos planos básicos, a cobertura inclui indenização apenas em caso de roubo ou furto qualificado, quando o bem é furtado após destruição ou rompimento de um obstáculo. No caso de furto simples, quando a subtração ocorre sem vestígios, como no furto de um celular dentro de uma bolsa, o segurado não recebe indenização.
Algumas seguradoras também oferecem a contratação de coberturas adicionais para danos físicos e elétricos por um preço mais elevado.
O sinistro deve ser sempre comprovado por meio da apresentação de um boletim de ocorrência. Nikolaos Tetradis, superintendente de seguros especiais do Grupo BB e Mapfre, explica que, além de solicitar o boletim, a seguradora pode fazer uma auditoria para comprovar o sinistro. “Essa investigação acontece aleatoriamente, como em qualquer outro tipo de seguro. A seguradora pode ligar para o segurado, por exemplo, ou investigar de outras maneiras se o furto foi qualificado mesmo”, diz.
É importante observar no contrato quais outros documentos podem ser exigidos em caso de sinistro. A Vivo, por exemplo, pede além do boletim de ocorrência uma carta escrita pelo segurado sobre o roubo e a nota fiscal da compra do aparelho.
O pagamento da indenização pode ser feito em dinheiro, ou por meio da reposição de outro aparelho, similar ou igual, o que vai depender do contrato. Se o pagamento for feito em dinheiro, as seguradoras costumam pagar o valor do celular, que consta na nota fiscal do aparelho, menos a franquia e a depreciação no período.
A franquia (parte do prejuízo que fica sob a responsabilidade do segurado) da TIM e da Vivo equivale a 25% do valor do aparelho, na Porto Seguro equivale a 10% e na Mapfre a 15%. E no seguro da Mapfre, por exemplo, no primeiro ano do celular não é feito nenhum desconto a título de depreciação. Mas a partir do segundo ano, é descontado da indenização 15% do valor do celular e no terceiro ano 30%. 
Por isso, além de avaliar o preço do seguro, é recomendável checar o tipo de indenização, se há previsão de pagamento de franquia e se há descontos pela depreciação do aparelho, para evitar sustos ao receber um celular diferente do seu ou um valor muito menor do que o esperado. 
Além dos seguros contra roubo e furto, também é possível contratar uma assistência, serviço que ainda é pouco difundido no mercado. A principal empresa de assistência para celular hoje é a Pitzi. Com mensalidades que variam entre R$ 5 e R$ 30 (para um iPhone 5 o custo é de R$ 25), a empresa conserta qualquer tipo de falha eletrônica ou mecânica que aconteça durante uso normal ou por causa de um acidente.
E caso o dano seja causado por acidente, é cobrada uma taxa adicional de R$ 75 pela reparação. A reparação é feita com os fabricantes dos aparelhos diretamente, ou em assistências autorizadas. “Quando acontece qualquer problema, o cliente envia o celular para a Pitzi por sedex, nós pagamos o frete de ida e volta e nossos 'gurus de celulares' consertam o celular e o devolvem rapidamente. Em São Paulo, prometemos o celular de volta em 5 dias úteis”, afirma Daniel Hatkoff, sócio-diretor da Pitzi.
Os preços praticados pela Tim são tabelados e variam de acordo com o valor do aparelho, conforme a tabela abaixo:  
Valor do AparelhoCustoPercentual do preço do celular por ano
R$ 0,00 a R$ 199,99R$ 6,49 (ou 77,88 somando 12 parcelas)39% (para celular de R$ 199)
R$ 200,00 a R$ 599,99R$ 8,99 (ou 107,88 somando 12 parcelas)54% (para celular de R$ 200) a 18% (para celular de R$ 599)
R$ 600,00 a R$ 999,99R$ 11,99 (ou 143,88 somando 12 parcelas)23% (para celular de R$ 600) a 14% (para celular de R$ 999)
R$ 1.000,00 a R$ 2.500,00R$ 18,49 (ou 221,88 somando 12 parcelas)22% (para celular de R$ 1.000) a 8% (para celular de R$ 2.500)
Fonte: Site da TIM (cálculos de porcentagem feitos pela nossa equipe)
Vivo
Os preços praticados pela Vivo são tabelados e variam de acordo com o valor do aparelho, conforme a tabela abaixo:  
Valor do aparelhoCustoPercentual do preço do celular por ano
Até R$ 250,00R$ 6,49 (ou 77,88 somando 12 parcelas)31,15% (para celular de R$ 250)
De R$ 251,00 até R$ 500,00R$ 8,99 (ou 107,88 somando 12 parcelas)42% (para celular de R$ 251) a 21% (para celular de R$ 500)
De R$ 501,00 até R$ 1.000,00R$ 11,99 (ou 143,88 somando 12 parcelas)28% (para celular de R$ 501) a 14,38% (para celular de R$ 1.000)
De R$ 1.001,00 até R$ 2.500,00R$ 18,49 (ou 221,88 somando 12 parcelas)22% (para celular de R$ 1.001) a 8% (para celular de R$ 2.500)
Fonte: Site da Vivo (cálculos de porcentagem feitos pela nossa equipe)
Porto Seguro
A seguradora não disponibiliza uma tabela com preços fixos, mas é possível fazer simulações no site. Veja na tabela a seguir algumas simulações feitas por nossa equipe: 
AparelhoValor do seguro contra roubos e furtos qualificadosPercentual do preço do celularSeguro contra roubos e furtos qualificados + danos físicos e elétricos*Percentual
iPhone 5 16GB (R$ 1.649 reais na loja da Vivo)R$ 318,73 (ou 4x de R$ 79,68)19,32%R$ 339,98 (ou 4x de R$ 85,00 )20,61%
Samsung Galaxy S4 (R$ 989 na loja da Vivo)R$ 191,16 (ou 4x de R$ 47,79 )19,32%R$ 203,90 (ou 4x de R$ 50,98)20,61%
Motorola Razr Maxx (R$ 539 na loja da Vivo)R$ 104,18 (ou 4x de R$ 26,05)19,32%R$ 111,13 (ou 4x de R$ 27,78)20,61%
Como a Mapfre não comercializa o seguro de forma direta, mas por meio de redes varejistas, o preço pode variar. Mas, segundo o superintendente de seguros especiais da Mapfre, os prêmios dos seguros contra roubos e furtos giram em torno de 13% a 18% do valor do bem. “O preço varia de acordo com o canal de venda, porque cada varejista pode determinar uma margem na venda do produto. E os preços também mudam de acordo com o tipo de cobertura, com valor do aparelho, e com o risco: um seguro de iPhone pode ser mais caro porque ele é mais visado, já que é um celular vendido mais facilmente no mercado negro”, explica Nikolaos Tetradis.

Um comentário:

  1. Acho que vale apena sim, vejam meu caso... eu comprei um celular novo e depois de 2 dias de uso fui assaltado.

    Enfim, acho que teria um celular novo se tivesse seguro.

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