quinta-feira, 18 de julho de 2013

Prestadores de serviços da Oi permanecem em greve

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Os trabalhadores em telecomunicações ligados à empresa ARM Telecom, que presta serviços de manutenção para a operadora Oi, entraram em greve no último dia 13, reivindicando o cumprimento do acordo coletivo da categoria e a assinatura de um novo acordo. No último dia 11 eles fizeram uma paralisação de advertência e iniciaram negociações com a empresa que tem sede no Ceará, mas não obtiveram respostas para suas reivindicações e decidiram radicalizar o movimento em assembleia geral da categoria realizada no Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Pará (Sinttel-PA).

Segundo o presidente do sindicato, Godofredo Elleres, 90% dos 600 trabalhadores da empresa em todo o Estado estão parados, prejudicando a manutenção e instalação de telefones e os serviços de internet da Oi na maioria dos estados que a empresa atua.

Os trabalhadores afirmam que “a empresa não está pagando o salário integral, as horas extras, a produção, o tíquete alimentação”. E os aluguéis dos carros que eles usam para realizar os serviços da empresa, paga somente R$ 12 por dia para a gasolina e desconta os dias de folga dos salários deles. “Eles não estão cumprindo os direitos básicos previstos na CLT, um desrespeito”, denuncia Godofredo.

Os técnicos em telecomunicações, que recebem o salário mínimo reclamam ainda de assédio moral na empresa que já teria demitido 100 funcionários nos últimos meses. “As pessoas estão trabalhando sob pressão”, denuncia Fredson Maurício Menezes, 33. Ele afirma ainda que faltam uniformes, material de proteção e até ferramentas. Os materiais usados não são bons e os técnicos voltam até cinco vezes nas mesmas casas para refazer serviços por causa do material usado. Eles não têm sequer um lugar para ficar e se reúnem nas praças enquanto aguardam as ordens de serviços, afirma Fredson.

Alguns receberam de salário somente R$ 156 este mês. É o caso de Oswaldo Lins Pereira da Silva, 45, casado, com seis filhos. A empresa teria dito a ele que teria havido um erro no departamento de pessoal e que ele receberia ontem a parcela restante, mas nada foi depositado na conta dele. “Isso é um desrespeito com o trabalhador, com um pai de família, como vou pagar as minhas contas agora?”, questionou.


O estado em que a greve está mais forte e grave é o Pará. Nesta terça (16) a empresa enviou representantes a Belém para reiniciar as negociações, mas não houve acordo. Ontem (17) houve uma nova tentativa. A reunião entre os representantes da empresa e uma comissão composta por diretores do Sinttel e trabalhadores, foi retomada ontem em um hotel da cidade, mas novamente não houve resultados benéficos para ambas as partes.

Sem acordo com a patronal, funcionários da RM Telecom, empresa terceirizada que presta serviços para a Oi fizeram novo protesto pela manhã em frente à sede da operadora de telefonia em Belém. 

Os funcionários recusaram as propostas oferecidas pela empresa terceirizada nas reuniões realizadas e prometem permanecer em greve enquanto as negociações não avançarem.


Agrupados em frente a Oi, os trabalhadores não paravam de chamar os demais prestadores de serviço para aderirem à greve. Em um alto-falante, eles anunciavam os problemas enfrentados pela categoria na hora de executar suas funções. De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Telecomunicações do Pará (Sinttel), Godofredo Elleres, as revindicações da categoria dizem respeito tanto ao cumprimento do atual acordo coletivo, quando à negociação de um novo acordo. “Em primeiro lugar, está havendo o descumprimento do acordo coletivo vigente. A empresa [RM Telecom] não paga os salários devidos para todos os trabalhadores, não está pagando horas extras e nem sobreaviso, não está dando férias para os funcionários, não está pagando os carros que são alugados para a empresa”, aponta. “Também estamos em negociação para um novo acordo e a empresa não quer avançar”.

Segundo o presidente do sindicato, representantes da empresa que tem sede no Ceará estiveram em Belém no início da semana, após terem avaliado a pauta dos funcionários, porém, as propostas apresentadas não teriam agradado à categoria. “A empresa quer dar um reajuste de 3,4% para os que ganham até um salário mínimo e de 7,22% para quem ganha mais que um salário”, afirmou. “Reivindicamos, no mínimo, 9% de reajuste para todos os funcionários porque o salário deles já está defasado. Enquanto [a negociação] não avançar não vamos encerrar a greve”.

Prestador de serviço da empresa, o técnico Albertino Ribeiro afirma que as condições de trabalho enfrentadas pelos trabalhadores são as piores possíveis. “Nós damos a cara à tapa. Quando tem reclamações, quem ouve somos nós. A rede está sucateada e, quando dá algum problema, a gente é que ouve. A gente é que está de frente com o cliente e é muito triste ver que o cliente não está satisfeito”, afirma. “Eles ainda exigem que a gente pague pelos equipamentos quando somos roubados. Roubaram a minha escada e eles queriam que eu mesmo pagasse em dez vezes de R$ 480. Querem que eu pague para ter equipamento para trabalhar”.

O  #Minha Operadora tentou conversar com a RM Telecom, porém, mesmo com o apoio da operadora Oi não conseguimos contato. Em nota, “a Oi informa que mantém planos de contingência com o objetivo de acionar equipes próprias e contratadas, inclusive de outras localidades, para garantir a prestação do serviço. Casos pontuais de problemas técnicos podem ser comunicados pelo canal de atendimento 103.31.

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