quarta-feira, 3 de julho de 2013

Contax quer elevar receita com operação internacional

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Maior companhia de call center do País, a Contax quer fortalecer sua operação internacional. O ganho de mercado na América Latina é uma das apostas da companhia, originária do grupo Oi, para recuperar suas margens de lucro nos próximos anos. A previsão é que a receita na região possa atingir em torno de 30% do negócio da Contax em um período de dois a três anos.

No primeiro trimestre desse ano a fatia internacional chegou a 14,3% do faturamento, ante 10% no mesmo trimestre de 2012. O avanço no exterior é capitaneado pela Allus, empresa de contact center com operações na Colômbia, Peru, Argentina e Espanha, adquirida pela Contax há dois anos.

A estratégia é que a Allus abra o caminho lá fora para as outras marcas que estão sob o guarda-chuva da Contax, como a Todo!, de tecnologia, e a Abillity, de trade marketing. "Fora do Brasil as margens são superiores. O mercado de língua espanhola tem, grosso modo, o potencial de nos dar o mesmo faturamento que o Brasil", disse Carlos Zanvettor, presidente da companhia há sete meses.

No mercado doméstico, as margens do segmento têm sido pressionadas por fatores como inflação e baixa taxa de desemprego, que se refletem nos salários, principal custo do negócio. O executivo, entretanto, descarta transferir operações de call center de clientes brasileiros para vizinhos com custos mais baixos.

O grupo estima em R$ 15 bilhões o tamanho do mercado latino americano, que também serve como base para a exportação de serviços para outros mercados. A companhia brasileira, por exemplo, atende a Espanha a partir de sua base no Peru. No atual cenário de crise na Europa, a Contax se vale das melhores estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) para países.

Atualmente a Contax tem 13 unidades (até o fim do ano serão 17) e quase 16 mil funcionários espalhados por Argentina, Peru e Colômbia. Zanvettor não abre os dados de investimento por região, mas admite que a maior parcela dos R$ 200 milhões do orçamento de 2013 irão para a internacionalização. "Como essa operação cresce mais rápido, chama mais investimento", diz.

De 2011 para 2012 a receita da Contax na América Latina dobrou para R$ 441,9 milhões, enquanto foi de 5,6% o crescimento no já maduro mercado brasileiro de contact center. No primeiro trimestre, o faturamento no exterior subiu a um ritmo de 46,7%, para R$ 126,1 milhões. No Brasil, a receita (de call center) recuou 7%. Para acelerar esse avanço a Contax tem buscado estender os contratos já firmados no Brasil para os países vizinhos, o que já fez com clientes como DirectTV, Whirpool , Itaú e Santander.

Até o fim do ano a Contax iniciará atividades comerciais no Chile. O gigantesco mercado mexicano também está na mira. "Não estar em México e Chile nos incomoda", diz Marco Schroeder, diretor financeiro da Contax. O executivo não descarta um investimento "greenfield" nesses países, mas também trabalha com a hipótese de crescer via aquisições.

Nascida em 2000 a partir de um spin-off (cisão) do grupo Oi, a Contax detém cerca de 30% do mercado nacional de contact center e atingiu em 2012 uma receita de R$ 3,6 bilhões. Passada mais de uma década, a companhia ainda tem 39% de sua receita atrelada a contratos com a operadora, sua maior cliente. O percentual vem caindo (em 2009 chegava a 51%) e Zanvettor trabalha para reduzir ainda mais essa fatia ao longo de sua gestão.

"A Oi é um cliente importante e uma parceria de longo prazo. Mas não é saudável ter metade do negócio concentrado em um único cliente", diz Schroeder.

A primeira etapa de redução dessa dependência deve estar concluída no fim de 2013, com a participação dos contratos da operadora de telefonia caindo a 30%. A mudança, reforçam o presidente e o CFO da Contax, vem da maior velocidade de crescimento de outros segmentos. Zanvettor faz questão de afirmar que a Oi nunca será um cliente pequeno.

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