sábado, 27 de julho de 2013

Atrasadas no 3G, operadoras têm obrigação de desenvolver 4G no Brasil

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Os serviços de quarta geração (4G) de telefonia móvel entram em funcionamento no Brasil em um momento em que a tecnologia anterior, o 3G, ainda não está consolidada no mercado. Isso traz um desafio adicional às operadoras, que precisam instalar a rede de 4G sem deixar de lado os aportes na melhoria da qualidade da problemática terceira geração. A aposta do setor é de que o 4G possa descongestionar o 3G.

A expectativa, porém, é de que essa transição de usuários da terceira para a quarta geração ganhe corpo apenas em cinco ou seis anos, diz o sócio-diretor da Pezco Microanalysis, Cleveland Teixeira. “Não dá para vender a ilusão de que tudo vai funcionar até a Copa do Mundo”, afirma.

Segundo ele, a falsa impressão de que o serviço estará disponível pode desgastar ainda mais a relação entre os consumidores e as empresas de telefonia. “Talvez fosse melhor resolver o problema do 3G em vez de obrigar as empresas a investir no 4G”, avalia.

Enquanto se discute a implantação da quarta geração de telefonia, o uso da rede 3G vem avançando rapidamente, aumentando os riscos de congestionamentos do serviço. Em junho, a banda larga móvel 3G chegou a 77,4 milhões de usuários, correspondentes a 29,1% da base de telefonia do País. Enquanto os acessos via 3G cresceram 43% nos últimos 12 meses, os realizados por meio da tecnologia GSM (2G) recuaram 7,5%, para 180,6 milhões. Ou seja, em um ano 15 milhões de acessos da segunda geração foram desconectados.

O diretor executivo do sindicato das operadoras de telecomunicação (Sinditelebrasil), Eduardo Levy, admite que os serviços 3G enfrentam problemas. Para ele, a falta de uma legislação específica para a instalação de novas antenas é uma das causas.

“Vivemos um situação injusta: de um lado temos uma lei que nos impede de instalar novas antenas de celular, e, por outro lado, a Anatel nos cobrando por melhores serviços”, diz. Em um ano, as instalações de antenas subiram 40%, para cerca de 15 por dia. “Mas precisaríamos de 25 por dia, ainda mais pelo 4G”, conclui Levy.

Na avaliação do diretor da área de consultoria para telecomunicação da Deloitte, Rogerio Roman, as teles convivem com o desafio de trazer rentabilidade à sua base de usuários usando as diversas tecnologias. “É preciso investir para garantir cobertura e qualidade, mas sem abrir mão de novas receitas (como os ganhos futuros em 4G)”, diz Roman, acrescentando que a receita com produtos tradicionais, como de voz ou mensagem de texto, trafegados numa rede de 2G, vem caindo.

Para Vinicius Dalben, diretor de operações da Huawei, empresa que fornece equipamentos às teles, a ampliação da cobertura 3G é essencial para a redução das zonas sem sinal da cobertura de quarta geração. Ele observa que as operadoras têm revisado para cima seus planos de expansão das redes destinados a dar uma maior abrangência de cobertura ao 3G. “Está havendo um aumento entre todas as classes de consumidores de internet móvel, obrigando as empresas a ampliar o foco na infraestrutura da terceira geração.”

A presidente do Sindicato Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços em Telecomunicações (Sinstal), Vivien Suruagy, também demonstra preocupação com o lançamento do 4G, uma vez que ainda faltam avanços no 3G. “O 4G brasileiro pode acabar sendo para inglês ver. Está sendo construída uma casa sem fundação”, compara.

A intenção do governo e da Anatel é usar a licitação de uma nova faixa de frequência destinada ao 4G, de 700 megahertz (MHz) prevista para abril de 2014, como contrapartida à antecipação da universalização da cobertura 3G, de 2018 para 2017 ou até mesmo 2016. Segundo o presidente da Anatel, João Rezende, seria possível antecipar, nos próximos três anos, a cobertura 3G em 1,5 mil municípios.

Segundo dados da Anatel, em junho, a Vivo operava 3G em 3,1 mil cidades, Claro em 1,1 mil, TIM em 898 e a Oi em 864.

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