sexta-feira, 14 de junho de 2013

Mercado de banda larga é desafio da nova gestão da Oi

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Manter a posição de liderança no mercado de banda larga no Brasil será o principal desafio da Oi depois da mudança anunciada na gestão, na avaliação de especialistas do setor. O processo, no entanto, não deverá, pelo menos a princípio, mexer na estratégia das operadoras concorrentes no Brasil. Mexidas significativas, que poderiam acirrar uma guerra, por exemplo, no mercado de telefonia móvel, já não acontecem com a mesma velocidade de anos atrás, afirma o presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude.

“Do ponto de vista do mercado brasileiro, nada muda e cada empresa concorrente da Oi manterá suas estratégias. A própria vinda de Zeinal Bava para a presidência da Oi já é parte de uma estratégia da companhia e certamente esperada pelos concorrentes”, diz ele.

Tude acrescenta que o crescimento em banda larga será fundamental para que a empresa possa se destacar no país. Hoje, a companhia tem 31% desse mercado no Brasil. Mas a parceria Net|Embratel já encostou e, pode-se dizer, estabeleceu quase que um “empate técnico” com a Oi, chegando a quase 30% do mercado, segundo o próprio Eduardo Tude.

“A liderança está sendo ameaçada e esse será o maior trabalho da operadora por aqui. O caminho é se descolar de sua principal concorrente e manter o crescimento da receita. A Oi teve um crescimento de 15,8% no mercado de banda larga no Brasil, comparando o primeiro trimestre de 2012 com o mesmo período de 2013. Os serviços de banda larga, por exemplo, compensam a queda na receita de voz em telefonia fixa, que, tomando por base o mesmo período, despencou 8,6%. E isso é uma tendência mundial”, assinala.

Para o analista Pedro Galdi, da SLW Corretora, a oferta de banda larga ainda é muito fraca no Brasil e seria importante que investimentos fossem realizados.

“O reviver da Telebrás era para isso, mas desde Fernando Henrique Cardoso esses recursos não são liberados pelo governo. O investimento neste segmento seria interessante, mas entendo que existem tantas prioridades de capital que não haveria recursos para tocar todos os projetos”, diz.

No caso específico da Oi, ele afirma que a necessidade de novos recursos para ampliar a receita em banda larga é mais do que necessário. Mas esbarra em entraves que a companhia já vive e precisa resolver, entre eles a questão do endividamento - hoje em R$ 25 bilhões -, o fato de a empresa já ter uma pesada programação de investimentos e ainda a política de de distribuição de dividendos que precisa ser revista pelos novos gestores.

A Oi tem planos de investir cerca de R$ 3 bilhões no período de 2013 a 2016 para a expansão e a modernização de sua rede de dados e comunicação.

Se na banda larga as possibilidades de crescer e até mesmo se descolar da principal concorrente pode ser uma realidade, o mesmo não acontece na telefonia móvel. A ascensão da companhia, hoje na quarta posição no mercado brasileiro, não será uma tarefa fácil, afirma Eduardo Tude, da Teleco.

Segundo ele, a própria Oi já sinalizou que vai crescer no mercado de telefonia móvel pós-pago, seguindo os passos da Portugal Telecom, que tem expertise nesse segmento. E isso já estaria acontecendo, afirma o especialista. No entanto, a dificuldade para crescer mais e tirar mercado do concorrente está no próprio tamanho desse mercado, afirma ele.

“Não há mais facilidade para crescer no mercado de telefonia móvel. A Oi tem hoje 50 milhões de celulares, contra 66 milhões da terceira colocada, que é a Claro. Ganhar 16 milhões de clientes hoje é tarefa muito difícil no Brasil. E isso acontece porque as operadoras já definiram como meta a receita e a melhoria da rentabilidade”, destaca o presidente da Teleco.