terça-feira, 23 de abril de 2013

Cara e ainda restrita, rede 4G deve desafogar tráfego do 3G. Entenda a tecnologia

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Planos salgados, telefones mais caros e serviço para poucos? Sim. Apesar disso, a primeira benesse do surgimento do 4G no Brasil vai ser o desafogamento do tráfego e a consequente melhoria da rede que usamos hoje para voz e dados, a rede 3G. O prazo para implementação termina dia 30 de abril nas cidades-sede da Copa das Confederações: Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Fortaleza, Recife e Brasília.

Mais: quem perde o sono por causa dos preços pode começar a repensar essa relação. A tendência é direcionada a uma redução no consumo de dados, acredita Ricardo Tavares, diretor de relações governamentais e industriais da Ericsson Brasil.

Isso porque as cobranças tendem a ocorrer sobre o volume de dados usados (vídeos, por exemplo, consomem mais bits do que uma checagem do e-mail).

“A unidade de preço é consumo de bits”, diz Tavares. “Nos Estados Unidos, comprei um cartão pré-pago 4G de 10 Mbps. Meu filho viu dois vídeos no YouTube e gastou praticamente tudo”, exemplifica. “A tendência é que as pessoas consumam dados com mais consciência porque a métrica da venda é uma tendência no mercado LTE [a rede 4G que é usada nos EUA e no Brasil]“, afirma.

O 3G também será beneficiado à medida que os usuários migrarem para o 4G.

“Serão os primeiros clientes, normalmente de maior poder aquisitivo, que começarão a usar a nova tecnologia. Isto faz supor uma previsível liberação da demanda sobre as redes 3G”, diz Eduardo Arbesú, diretor de consultoria de negócios da consultoria Everis.

Ele, no entanto, faz uma ressalva. “Como em toda migração tecnológica, tal como ocorreu com o 3G, os planos terão uma tarifa alta, que começará a baixar progressivamente, à medida em que a base de clientes crescer.”

Os usuários sedentos para testar logo a nova rede devem se conter e esperar pelos aparelhos vendidos no Brasil, uma vez que as frequências de 4G adotadas nos Estados Unidos e em países da Europa são diferentes da brasileira, ao menos por enquanto.

Aparelhos comercializados no exterior geralmente funcionam em frequências que não a de 2,5 GHz, que é a do Brasil, ou seja, smartphones comprados no exterior podem não funcionar no 4G brasileiro. Todos eles, contudo, acessam a rede 3G.

Segundo o presidente da Anatel, João Rezende, a expectativa é que 4 milhões de aparelhos 4G estejam em funcionamento até o final deste ano.

O país possui, de acordo com a agência, aproximadamente 260 milhões de linhas ativas, sendo que cerca de 80% usam tecnologia 3G.
O que é 4G?
É a quarta geração da telefonia móvel, que levará conexões de altíssima velocidade a smartphones, em números equivalentes aos das conexões fixas a cabo ou via modem

Quais as vantagens?
Grosso modo, assistir vídeos (Netflix e YouTube, por exemplo) ou ouvir músicas on-line, manter conversas em vídeo pelo Skype ou baixar arquivos são atividades que ocorrerão sem interrupções. Baixar uma foto levará 2 segundos (exemplos abaixo)

Por que esses tempos diferem das conexões 3G?
Porque, com elas, os downloads levam o dobro do tempo, quando não mais. O 3G tem uma velocidade entre 256 kbps e 1 Mbps, enquanto o 4G deverá ter o dobro ou mais que o dobro disso. O governo já disse que exigirá, no próximo edital, conexões acima de 10 Mbps

Mas o 4G brasileiro fornecerá as velocidades estipuladas para esse padrão de conexão?
Há controvérsias. Na teria, a ITU (União Internacional de Telecomunicações, na sigla em inglês) estipula a velocidade entre 100 Mbps (em deslocamento rápido, como em carros ou metrô) e 1 Gbps (recepção estacionária, ou seja, quando o usuário está parado ou andando). Na prática, as operadoras de todo o mundo vêm oferecendo velocidades de conexão bem menores do que essas (entre 10 Mbps e 18 Mbps), de modo que a própria entidade já admite isso como uma velocidade de transição para redes mais velozes

Em quais cidades o 4G já está disponível? Todas as operadoras irão fornecê-lo?
Até 30 de abril próximo, planos deverão estar disponíveis nas cidades-sede da Copa das Confederações (Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Fortaleza, Recife e Brasília). Claro, Vivo, TIM e Oi devem ter pacotes de cobertura 4G à disposição para venda

Todas essas cidades terão 4G em todos os lugares?
Não. De início, a cobertura da rede existirá em 50% da área de cada local e deve operar apenas nos bairros mais centrais

Quando o resto do país receberá o 4G?
Algumas cidades fora das especificadas já receberam, como Curitiba. Até maio de 2014 (ano da Copa), todas as cidades com mais de 500 mil habitantes deverão ter conexão 4G

Todos os celulares 4G do mundo funcionarão aqui?
Não. A frequência do 4G no Brasil (2,5 GHz) é diferente do padrão adotado nos EUA e em outros países (700 Hz). Hoje, a frequência de 700 MHz no Brasil está em uso para a TV analógica (esta, por sua vez, está em migração para o padrão digital). Ou seja, turistas com aparelhos de frequência distinta do 4G brasileiro não vão conseguir acesso à rede por aqui até, pelo menos, 2015. O mesmo vale para os brasileiros que compram no exterior

O padrão do EXTERIOR é melhor QUE o NOSSO?
Ambos são importantes: a banda baixa (700 MHz) é uma banda de cobertura, enquanto a alta (2,5 GHz) é a de capacidade. Enquanto a faixa de 2,5 GHz dá as mais largas bandas em espectro do mercado, a de 700 MHz dará mais amplitude de cobertura, sobretudo em regiões com baixa densidade demográfica. No Brasil, o espectro de 700 MHz deve ser liberado até 2015

Mas celulares e tablets 4G terão acesso à rede 3G?
Sim. Todos os celulares e tablets 4G permitem acesso tanto à rede 3G quanto à rede 2G

Os preços de planos do 4G vão ser mais caros?
No começo, sim. Mas a tendência é a de que os valores se diluam à medida que a tecnologia seja adotada. Segundo a Claro, única operadora pela qual a rede está ativa, 5.000 já têm acesso à tecnologia em oito capitais e outras três cidades.